O primeiro-ministro da Hungria, Peter Magyar, anunciou esta segunda-feira a intenção de indicar a antiga número 1 mundial de xadrez Judit Polgar para a Presidência da República da Hungria.
"O nosso país precisa de unidade, de paz e de um presidente de quem todos os húngaros se possam orgulhar", declarou Magyar nas redes sociais.
Judit Polgar apontada à Presidência da Hungria
O chefe do Governo adiantou que tem agendada uma reunião com Polgar para saber se aceita assumir a Presidência da Hungria até à aprovação de uma nova Constituição.
O anúncio surgiu depois de o presidente Tamás Sulyok ter comunicado a ratificação de uma reforma constitucional, que prevê a sua própria destituição do cargo de chefe de Estado e produz efeitos a partir desta segunda-feira.
Pouco depois, Magyar afirmou que pretendia receber propostas, vindas de partidos políticos, personalidades públicas, sociedade civil e de "cidadãos comuns", para substituir Sulyok. O atual presidente, um aliado próximo do ex-primeiro-ministro Viktor Orbán, ocupava o cargo desde 2024.
Numa carta aberta dirigida à presidente do Parlamento, Ágnes Forsthoffer, 16 figuras húngaras de relevo da ciência, cultura e desporto defenderam a nomeação de Polgár, de 49 anos, para chefe de Estado.
Magyar concordou que a campeã de xadrez seria a "pessoa ideal" para ocupar o mais alto cargo do país num momento em que a Hungria necessita de "união".
"O nome de Judit Polgár é sinónimo de talento e perseverança há décadas", afirmou o primeiro-ministro.
"O reconhecimento que recebeu não advém de filiações ou ligações políticas, mas do talento excecional, dedicação, resiliência sem precedentes e integridade. É uma húngara cujas conquistas lhe valeram respeito e reconhecimento tanto no país como em todo o Mundo", acrescentou Magyar.
Transição na Presidência da República
O Parlamento húngaro dispõe de um máximo de 30 dias para eleger quem sucederá a Sulyok.
Até à designação de um novo titular, as competências presidenciais deverão passar interinamente para a presidência da Assembleia Nacional da Hungria.
Fidesz questiona legalidade
O Fidesz, atualmente na oposição a Magyar, sustentou que a nomeação de Polgar poderá ser ilegal.
"O problema da candidatura de Judit Polgar não é o percurso, conhecimento ou formação, mas sim o facto de a eleição ser inválida à luz do direito público. Consequentemente, as decisões seriam nulas e sem efeito, podendo ser revogadas a qualquer momento", declarou o deputado da oposição Balázs Orbán - um conselheiro de Orbán.
A atual crise política na Hungria representa o ponto mais alto do confronto entre o Tisza, partido de Magyar que obteve uma maioria parlamentar de dois terços nas eleições de abril, e o Fidesz.






Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário