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Carlos Vila Nova destaca vitória clara nas presidenciais de São Tomé e Príncipe

Homem agradecido junto a urna de voto transparente com grupo de pessoas a aplaudir atrás, bandeira ao fundo.
Neste artigo
  1. Carlos Vila Nova declara vitória clara nas presidenciais
  2. Pacificação social entre as prioridades do mandato
  3. Apoios a Carlos Vila Nova e Nito d'Abreu
  4. Missões internacionais acompanham as presidenciais

Carlos Vila Nova declara vitória clara nas presidenciais

O Presidente reeleito de São Tomé e Príncipe salientou esta segunda-feira a «vitória clara» obtida no domingo e disse contar «com todos» para reconstruir o país.

Na reação aos resultados preliminares das eleições presidenciais, divulgados pouco antes pela Comissão Eleitoral Nacional (CEN), Carlos Vila Nova afirmou: «Aos que fizeram uma escolha diferente, deixou uma palavra muito especial: não os vejo como adversários a vencer, mas como compatriotas com quem construiremos o futuro da nação». Os dados atribuem-lhe 55,94% dos votos, face aos 41,92% alcançados pelo principal opositor, Nito d'Abreu.

Os restantes dois candidatos ficaram abaixo dos 2%. Eugénio Tiny obteve 1,07% e Miques João reuniu 1,58%. Ambos voltaram a concorrer sem qualquer apoio partidário, numa campanha eleitoral praticamente inexistente.

Eleito para um novo mandato de cinco anos, o chefe de Estado assegurou que «a partir deste momento não há vencedores nem vencidos» e sustentou que «o país precisa definitivamente de virar a página da divisão, do ressentimento, da perseguição e do discurso do ódio».

Pacificação social entre as prioridades do mandato

Numa conferência de imprensa realizada na sede da candidatura, Vila Nova garantiu igualmente que «a pacificação social será uma das grandes prioridades do mandato».

O Presidente explicou a razão: «Não haverá desenvolvimento económico sem estabilidade social, não haverá progresso sem unidade social. Estenderei a mão a todas as forças políticas, às igrejas, aos jovens, às mulheres, aos trabalhadores, aos empresários, à diáspora e à sociedade civil».

Antes, tinha declarado receber «a indicação com humildade e responsabilidade» e saudado aquilo que a sua convicção já lhe indicara: «O nosso povo voltou a demonstrar que São Tomé e Príncipe sabe resolver as suas diferenças pelo poder do voto e nunca pela força da violência».

Por esse motivo, sublinhou, compromete-se a iniciar um novo mandato com o habitual respeito pela Constituição», assumindo um «compromisso renovado».

Mais de 142 mil eleitores foram chamados às urnas para escolher o Presidente, numa votação marcada por tensão política, mas sem incidentes relevantes registados.

Apoios a Carlos Vila Nova e Nito d'Abreu

Carlos Vila Nova, que desta vez não teve o apoio oficial da Ação Democrática Independente (ADI), apresentou a recandidatura através de uma plataforma que reuniu o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), o Movimento Basta, a União para Democracia e Desenvolvimento (UDD), o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM), o Partido de Convergência Democrática (PCD) e o Partido Nossa Terra. Contou ainda com o apoio de uma ala oposicionista da própria ADI.

Nito d'Abreu, líder parlamentar da ADI, foi o candidato oficial, apoiado pelo setor do partido fiel ao antigo primeiro-ministro Patrice Trovoada. O Governo de Trovoada foi demitido em janeiro de 2025 pelo chefe de Estado, Carlos Vila Nova.

A candidatura de Nito d'Abreu teve também o respaldo de uma plataforma eleitoral que integra o Movimento de Cidadãos Independentes - Partido Socialista (MCI - Partido Socialista), o Partido de Unidade Nacional (PUN) e o Movimento Verde para o Desenvolvimento do Príncipe (MVDP).

Missões internacionais acompanham as presidenciais

Várias missões internacionais estão no terreno para acompanhar as eleições presidenciais de domingo em São Tomé e Príncipe. Entre elas encontram-se representantes da União Europeia, da União Africana, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), dos países do G-7+, da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) e da Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração dos Países de Língua Portuguesa (ROJAE-CPLP).

De acordo com a CEN, os dados finais do recenseamento eleitoral automático contabilizam 142.191 eleitores. Deste total, 121.670 residem em São Tomé e Príncipe e 20.521 pertencem à diáspora, incluindo 15.917 distribuídos por cinco países europeus e 5.324 por quatro países africanos.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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