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Metro do Porto: ligação Souto–Rio Tinto não pode voltar a ser adiada

Homem de costas segurando mapa junto a carris com dois elétricos brancos em rua urbana.
Neste artigo
  1. Ligação Souto–Rio Tinto: uma promessa adiada
  2. O corredor entre Fânzeres e o Souto favorece o Metro do Porto
  3. Dragão–São Cosme não pode relegar o eixo Souto–Rio Tinto

Ligação Souto–Rio Tinto: uma promessa adiada

O anúncio recente de que poderá ser retomada a ligação entre o Souto e Rio Tinto, através de Fânzeres, traz novamente para debate um processo que o Partido Socialista apresentou durante a campanha eleitoral de 2009, mas que ficou esquecido durante 17 anos. Apesar de o Orçamento do Estado para 2026 referir expressamente a "rede Metro do Porto", as declarações mais recentes do Executivo municipal levantam uma ambiguidade inquietante. Ao evitar um compromisso com uma solução ferroviária e ao admitir "diversas formas de promover a mobilidade", a Câmara abre margem para que Gondomar receba uma alternativa mais económica, mas também menos eficaz, como corredores de autocarros BRT (Metrobus), em vez da ligação ferroviária pesada e estruturante a que a população tem direito.

O corredor entre Fânzeres e o Souto favorece o Metro do Porto

À luz da engenharia de transportes e do planeamento territorial, este recuo não tem justificação. Fânzeres e o Souto distam somente 5 quilómetros. Mais relevante ainda, cerca de 3 desses 5 quilómetros dispõem já de um corredor reservado, livre de obstáculos, na Avenida da Conduta. Esta condição evita expropriações complexas, morosas e caras. O corredor técnico está disponível, o relevo é favorável e a integração no espaço urbano encontra-se facilitada.

A indecisão do município resulta, na realidade, da reduzida maturidade do projeto e das suas debilidades financeiras. A dúvida sobre o sistema a adotar - Metro ou BRT -, somada aos sérios constrangimentos operacionais da atual rede da Metro do Porto, que necessita com urgência de mais material circulante e de subestações de tração para suportar novas expansões, demonstra que a verba prevista no OE 2026 se destina apenas a estudos preliminares. Não existe ainda uma dotação orçamental efetiva para iniciar a empreitada.

Dragão–São Cosme não pode relegar o eixo Souto–Rio Tinto

Para agravar a situação, o próprio Presidente da Câmara reconhece que a prioridade imediata é a linha Dragão–São Cosme e que a localização da estação no Souto permanece "em aberto". É inteiramente compreensível que a ligação ao Dragão constitua a prioridade principal no terreno, perante a necessidade urgente de conectar Gondomar ao núcleo da rede intermunicipal. Ainda assim, o Executivo não pode invocar esse objetivo para negligenciar ou colocar em segundo plano o eixo Souto–Rio Tinto. Esta segunda ligação deve integrar desde já o projeto global, sendo planeada como uma extensão natural e articulada. Sem uma perspetiva integrada - e sem uma pressão técnica e política consistente -, existe o risco de um corredor ideal de cinco quilómetros se tornar mais uma promessa permanentemente adiada, dividindo ao meio a coesão interna do concelho.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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