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Google Maps: nova navegação 3D e assistente Gemini mudam a experiência

Jovem com mochila a consultar GPS no telemóvel numa passadeira urbana movimentada durante o dia.
Neste artigo
  1. O que muda no Google Maps
  2. Immersive Navigation: a estrada ganha uma representação 3D
  3. Um novo estilo de voz na navegação
  4. Indicações mais claras sobre percursos alternativos
  5. Ask Maps: um assistente para perguntas complexas sobre locais
  6. O que isto significa para condutores e viajantes

Para muitos condutores, tornou-se a aplicação de mapas de referência no automóvel. Agora, o Google Maps prepara a sua maior renovação em anos, com uma navegação 3D inteiramente nova e um assistente de conversação baseado no Gemini, pensado para fazer no dia a dia muito mais do que planear percursos.

O que muda no Google Maps

A 12 de março de 2026, a Google anunciou duas grandes novidades: a «Immersive Navigation» e o «Ask Maps». Ambas são desenvolvidas com base nos modelos Gemini e procuram responder a um problema familiar a qualquer condutor: demasiada informação, pouca clareza e um mapa que muitas vezes parece um plano bidimensional, em vez de representar o ambiente real.

O Google Maps está a passar de um mapa plano para um ambiente de condução tridimensional, com indicações de percurso mais claras e comunicação direta.

A nova vista 3D pretende tornar a experiência ao volante mais tranquila, dispensando o condutor de «traduzir» aquilo que vê no mapa. Ao mesmo tempo, o assistente de conversação deverá tornar a pesquisa de locais mais natural: em vez de conhecer termos exatos, o utilizador pode formular o pedido livremente, como faria numa conversa com outra pessoa.

Immersive Navigation: a estrada ganha uma representação 3D

Com a Immersive Navigation, o Google Maps começa a afastar-se gradualmente da tradicional vista de cima, bastante simplificada. Em lugar de blocos estilizados, a aplicação apresenta uma reprodução tridimensional do espaço envolvente. Para criar um modelo 3D detalhado, o Gemini analisa e combina imagens do Street View com fotografias aéreas.

Edifícios, pontes e semáforos à vista

A nova perspetiva apresenta muito mais pormenores que antes só eram percetíveis de forma indireta ou nem sequer apareciam. Segundo a Google, incluem-se entre eles:

  • Vias de trânsito claramente separadas e respetivas marcações;
  • Semáforos e sinais de paragem visíveis;
  • Passagens para peões e passadeiras;
  • Edifícios, pontes e desníveis da estrada.

A mudança deverá ser particularmente útil em nós de trânsito confusos, saídas ou cruzamentos com várias vias. Em vez de ver apenas uma linha num mapa plano, o condutor passa a perceber a disposição no espaço: onde fica a via de mudança de direção, onde a estrada estreita e qual é o verdadeiro trajeto da rampa.

Edifícios transparentes e zoom automático em locais difíceis

Um elemento central da renovação é a forma como o Google Maps utiliza a perspetiva. Nos pontos mais delicados, a aplicação aproxima automaticamente a imagem e torna alguns edifícios parcialmente transparentes, deixando livre a visão da estrada e das vias. Assim, será mais fácil perceber a que saída ou via se referem as indicações.

Quem circula em grandes cidades, por cruzamentos rodeados de edifícios, conhece a situação: o mapa indica «vire à direita», mas há várias saídas diante do condutor. A nova vista pretende ajudar a evitar as habituais «manobras de última hora».

Um novo estilo de voz na navegação

A Google não está apenas a mudar a imagem: também revê as instruções de voz. A conhecida voz robótica, com frases rígidas, dará lugar a um estilo mais flexível. Em vez de «vire à direita dentro de 300 metros», as indicações poderão adaptar-se à situação, por exemplo: «Passe esta saída e vire na próxima à direita.»

Estas instruções terão mais em conta aquilo que os condutores realmente conseguem identificar, como uma saída visível, um desvio marcante ou um edifício que se destaca. O objetivo é que a voz soe menos como uma leitura de números e mais como uma ajuda concreta.

Segundo a própria Google, a empresa processa vários milhões de dados de trânsito por segundo, desde congestionamentos e acidentes até inundações.

A esses dados juntam-se milhões de informações partilhadas diariamente pela comunidade, por exemplo sobre obras, estradas cortadas ou obstáculos na via. Toda essa informação é usada no cálculo dos percursos e serve também de base à navegação 3D.

Indicações mais claras sobre percursos alternativos

A apresentação de caminhos alternativos no Google Maps também muda. Embora a aplicação já mostrasse várias opções, nem sempre era fácil distinguir as diferenças de imediato. Com a atualização, o Maps passa a explicitar melhor as vantagens e desvantagens de cada percurso.

Entre as situações típicas encontram-se:

  • Um trajeto rápido, mas pago, com portagens ou taxas de circulação no centro da cidade;
  • Um percurso gratuito que demora mais tempo, mas tem menos trânsito;
  • Uma opção especialmente económica em combustível, com uma velocidade média inferior.

Desta forma, os utilizadores poderão decidir de forma mais consciente se dão prioridade à poupança de tempo, aos custos ou ao nível de stress. Para quem faz regularmente o mesmo percurso, isso pode ser útil de um dia para o outro, quando o trânsito ou as obras mudam rapidamente.

Ask Maps: um assistente para perguntas complexas sobre locais

A segunda grande novidade diz respeito à pesquisa, não à navegação. O Ask Maps é um assistente de conversação integrado diretamente no Google Maps, assente no modelo Gemini, capaz de processar texto escrito livremente.

Escrever frases normais em vez de pesquisar por palavras-chave

Até agora, a pesquisa no Google Maps exigia muitas vezes uma «lógica de motor de busca»: «restaurante italiano no centro de Berlim», «posto de combustível aberto 24 horas em Munique» ou «supermercado aberto ao domingo». Com o Ask Maps, bastam pedidos formulados de forma natural, como:

  • «Mostra-me cafés acolhedores onde seja possível trabalhar depois das 22 horas.»
  • «Onde encontro hotéis adequados para famílias, com piscina, perto de uma estância de esqui?»
  • «Que bairros têm movimento à noite, mas não são demasiado barulhentos?»

O assistente deverá compreender estes pedidos, cruzá-los com dados dos locais, avaliações e horários de funcionamento e assinalar no mapa as sugestões adequadas.

Respostas com contexto em vez de simples listas

O Ask Maps não se limita a apresentar uma lista de resultados. As respostas podem incluir contexto, como os motivos para sugerir um local, as suas vantagens e desvantagens habituais ou formas de combinar vários destinos numa viagem.

Função Utilidade no dia a dia
Pedidos em texto livre Não são necessários termos exatos; basta usar linguagem corrente
Análise do Gemini Relaciona avaliações, fotografias e dados de localização
Respostas contextualizadas Apresenta justificações e indicações, além dos locais

Para quem viaja, a ferramenta pode assumir o papel de um guia pessoal: é possível perguntar por praias tranquilas, restaurantes adequados para crianças ou bairros interessantes para um passeio ao fim do dia e receber sugestões que vão além da distância e do preço.

O que isto significa para condutores e viajantes

A combinação da vista 3D com o assistente de conversação procura claramente reduzir o stress. Quem tem de lidar com muitos estímulos - trânsito urbano intenso, uma zona desconhecida ou crianças no banco de trás - beneficia de um mapa que funciona mais como um «ambiente explicado».

Ao mesmo tempo, aumenta a dependência da aplicação. Quanto mais decisões o Maps preparar, maior poderá ser a tentação de prestar menos atenção à estrada e ao que a rodeia. É importante lembrar que a vista 3D é uma ajuda, não um substituto da atenção.

Outra questão interessante é o efeito que o Ask Maps poderá ter nas plataformas de avaliações tradicionais. Se o assistente condensar avaliações, fotografias e relatos de experiências em recomendações breves, muitas pessoas poderão passar a confiar mais nesse resumo do que em comentários extensos. A pesquisa pode tornar-se mais rápida, mas algumas nuances também podem ficar de fora.

Quem quiser utilizar o novo Google Maps deve familiarizar-se previamente com alguns termos: «Gemini» designa os modelos de inteligência artificial da Google que, neste caso, analisam tanto imagens como texto. «Immersive Navigation» é o nome da vista de condução 3D, enquanto «Ask Maps» identifica a componente de conversação da aplicação. Os dois módulos funcionam em conjunto quando, durante o planeamento de um percurso, se colocam perguntas sobre locais ao longo do caminho.

Nas férias, esta combinação poderá ser particularmente interessante: uma família planeia uma viagem, pergunta por um parque infantil com café a meio do caminho, pede um percurso sem portagens, mas tranquilo, e segue as indicações numa vista que representa a zona em três dimensões. São cenários como este que a Google pretende permitir com a atualização, primeiro nos Estados Unidos e, mais tarde, de forma gradual, noutras regiões.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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