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NVIDIA: novo aumento do preço da memória encarece placas gráficas da ASUS, MSI e Gigabyte

Jovem a analisar placa gráfica numa loja de componentes informáticos com várias caixas de placas expostas.
Neste artigo
  1. Uma comunicação interna da NVIDIA que muda o cenário
  2. Pressão sobre a memória: porque está tudo mais caro
  3. MSI avançou primeiro, com ASUS e Gigabyte a seguirem-se
  4. Estratégias diferentes da NVIDIA e da AMD
  5. Como os aumentos chegam ao consumidor
  6. O que muda para quem planeia montar ou atualizar o PC
  7. Conceitos que ajudam a compreender o cenário
  8. Possíveis caminhos e riscos futuros

O início de 2026 prometia dar algum alívio a quem sonhava montar ou atualizar um PC para jogos.

Mas bastou uma comunicação discreta da NVIDIA para alterar por completo esse cenário.

A fabricante de GPU contactou os seus parceiros e confirmou o que o setor dos componentes informáticos receava: as placas gráficas vão sofrer uma nova ronda de aumentos, impulsionada pela forte subida do custo da memória que utilizam. ASUS, MSI, Gigabyte e outras marcas sentem diretamente o impacto e têm agora de decidir como passar esses custos para o consumidor.

Uma comunicação interna da NVIDIA que muda o cenário

Segundo informações de bastidores divulgadas por publicações asiáticas especializadas em componentes informáticos, a NVIDIA informou os seus parceiros de fabrico, conhecidos como AIC e entre os quais se contam ASUS, MSI e Gigabyte, de que os preços dos conjuntos de memória GDDR6 e GDDR7 vão aumentar com a renovação dos contratos de fornecimento em janeiro de 2026.

Há uma distinção importante: a empresa não está a mudar o preço recomendado das próprias GPU, mas sim a cobrar mais pela memória que acompanha as placas.

A NVIDIA conserva o preço oficial do processador gráfico, mas aumenta o custo da memória dedicada, transferindo a subida para a fase de montagem da placa.

A diferença pode parecer pequena, mas tem consequências profundas para a cadeia de fornecimento. A memória de vídeo, ou VRAM, está entre os componentes mais caros de uma placa gráfica moderna, sobretudo nos modelos com 12 GB, 16 GB ou mais. Quando o seu custo dispara, os fabricantes parceiros ficam com menos margem de manobra.

Em paralelo, há outra mudança estratégica em avaliação: a NVIDIA pondera aumentar o envio de GPU “nuas”, isto é, processadores sem memória, deixando às marcas parceiras a compra dos módulos de VRAM diretamente aos fabricantes de DRAM. Nessa situação, o risco de variação dos preços passa quase integralmente para a ASUS, a MSI, a Gigabyte e as restantes marcas.

Pressão sobre a memória: porque está tudo mais caro

O mercado dos semicondutores enfrenta uma nova vaga de pressão sobre os custos, com a memória novamente no centro do problema. Nos últimos meses, os módulos de RAM convencionais usados em computadores de secretária e portáteis já registaram fortes aumentos, com um impacto de até 20% no preço de muitos portáteis.

O mesmo fenómeno chega agora às memórias específicas para GPU, como a GDDR6 e a GDDR7. Estas exigem processos litográficos avançados e linhas de produção também disputadas por centros de dados, inteligência artificial e consolas.

  • A maior procura de GPU para IA e servidores intensifica a competição por memórias rápidas.
  • A capacidade de produção limitada torna cada novo lote mais caro.
  • O fim dos contratos antigos, com preços mais baixos, está a fazer subir os custos.

À medida que se esgotam os stocks adquiridos aos preços anteriores, os fabricantes de placas são obrigados a recalcular o custo total de cada modelo. Com as margens sob pressão, torna-se quase inevitável passar parte do aumento ao consumidor final.

MSI avançou primeiro, com ASUS e Gigabyte a seguirem-se

Segundo relatos do mercado asiático, a MSI foi a primeira a alterar a sua tabela de preços, começando pelos modelos mais recentes, incluindo placas da gama GeForce RTX 50. A mudança terá começado ainda em dezembro, antes da renovação dos contratos de memória.

Fontes ligadas ao comércio a retalho europeu indicam que a ASUS e a Gigabyte seguem pelo mesmo caminho, com aumentos em placas tanto da NVIDIA como da AMD. O efeito, portanto, não fica limitado às GeForce: as Radeon também são afetadas.

Na prática, os modelos com 16 GB de VRAM ou mais já registam aumentos entre 15% e 20% em lojas europeias, variando consoante o fabricante e a gama.

As novas Radeon RX 9000 da AMD surgem em algumas lojas com aumentos entre 10% e 18% no mesmo período, sinal de uma tendência generalizada de subida. Quem acompanhava de perto as promoções de jogos no final do ano começa já a notar preços mais altos em janeiro.

Estratégias diferentes da NVIDIA e da AMD

Perante a subida dos custos da memória, as duas grandes rivais seguem caminhos distintos para tentar manter o interesse do público e preservar as margens.

NVIDIA: aposta em modelos com 8 GB

Os parceiros da NVIDIA estarão a orientar a produção para placas com 8 GB de VRAM, como as futuras RTX 5060 e 5060 Ti 8 GB. O objetivo é conter o custo final através da redução da memória em cada placa.

Com menos VRAM, uma placa custa menos a fabricar, permitindo manter o preço recomendado e continuar a competir no segmento intermédio, onde se concentra a maior parte das vendas a jogadores.

AMD: aposta contínua em 16 GB e no desempenho

A AMD, por seu lado, deverá continuar a apostar em modelos com 16 GB de VRAM, sobretudo nas versões XT das Radeon RX 9000. A empresa procura salientar o desempenho bruto e a maior capacidade para lidar com jogos em 4K, texturas de alta resolução e cargas de trabalho mais exigentes.

Esta opção também acarreta um risco: com a memória tão cara, cada placa de 16 GB pesa muito mais no orçamento do consumidor. Em períodos de orçamento apertado, a vantagem técnica pode não chegar para compensar um aumento acentuado do preço.

Como os aumentos chegam ao consumidor

Os preços não sobem de forma uniforme em todas as lojas. A reação varia entre países, distribuidores e retalhistas. Ainda assim, começam a surgir alguns padrões comuns:

Tipo de placa VRAM típica Tendência de aumento
Gama de entrada atual (por exemplo, futuras RTX 5050, RX 9500) 6–8 GB Aumento menor, com foco no volume
Gama intermédia (por exemplo, RTX 5060, RX 9600) 8–12 GB Aumento moderado, com maior variação entre marcas
Elevado desempenho (por exemplo, RTX 5070+ e RX 9700+) 16 GB ou mais Subida entre 15% e 20% em alguns mercados

Para quem está a montar um PC em 2026, a mensagem é clara: as placas de 16 GB tendem a ser as mais sensíveis à subida de preços, enquanto as de 8 GB se tornam um “refúgio” para quem procura uma boa relação entre preço e desempenho imediata.

O que muda para quem planeia montar ou atualizar o PC

Estes movimentos traduzem-se em escolhas concretas para os consumidores. Alguns cenários ajudam a perceber o impacto:

  • Quem ainda utiliza uma placa antiga de entrada, como a GTX 1650 ou a RX 570, pode sentir-se obrigado a passar diretamente para modelos intermédios de 8 GB, aceitando uma vida útil mais curta em jogos futuros para gastar menos agora.
  • Os jogadores que pretendiam uma placa de 16 GB para jogar em 1440p ou 4K poderão reconsiderar e escolher 8–12 GB, com reduções mais acentuadas na qualidade gráfica.
  • Os entusiastas que aguardam sempre a “próxima geração” podem prolongar a vida da GPU atual com pequenas atualizações, como mais RAM do sistema ou um SSD mais rápido, adiando a compra de uma placa gráfica.

Existe também um fator psicológico. Depois de um longo período de preços elevados durante a pandemia, muitos consumidores passaram 2024 e 2025 à espera de um regresso à “normalidade”. A confirmação de novas subidas pode abalar a confiança de quem aguardava o momento perfeito para trocar de GPU.

Conceitos que ajudam a compreender o cenário

Dois termos técnicos ajudam a perceber porque se tornou tão delicada esta situação:

VRAM (memória de vídeo): é a memória exclusiva da placa gráfica, que armazena texturas, fotogramas e dados necessários para gerar a imagem. Os jogos modernos, em especial a 1440p e 4K, consomem grandes quantidades de VRAM. Quando esta é insuficiente, podem surgir bloqueios, engasgos e quedas bruscas de FPS.

MSRP (preço recomendado): é o valor de referência anunciado pelo fabricante para cada modelo. Ao manter o MSRP do processador gráfico e alterar apenas o custo da memória, a NVIDIA transfere a pressão para os parceiros. Estes têm de escolher entre reduzir as margens, aumentar o preço final ou cortar recursos, como a quantidade de VRAM ou o sistema de refrigeração.

Possíveis caminhos e riscos futuros

Se o preço da memória continuar a subir, o mercado poderá seguir algumas vias preocupantes. As placas com menos VRAM tenderão a dominar a gama intermédia, encurtando a sua vida útil à medida que chegam jogos mais exigentes. Isso cria uma espécie de “ciclo acelerado de troca”, com mais pressão sobre o orçamento do consumidor.

Outra possibilidade é surgirem mais versões com pequenas diferenças: a mesma GPU, mas com 8 GB, 12 GB e 16 GB, cada uma a um preço bastante distinto. Sem atenção aos pormenores, muitos compradores podem pagar caro por um modelo aparentemente potente, mas limitado pela pouca memória.

Por outro lado, este cenário também abre espaço a escolhas mais ponderadas. Avaliar com calma a resolução do monitor, o tipo de jogo preferido e o tempo durante o qual se pretende manter a placa ajuda a decidir se compensa pagar já o valor adicional pelos 16 GB ou se um modelo de 8–12 GB serve melhor a curto prazo.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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