Os dirigentes dos partidos à esquerda manifestaram solidariedade com os participantes nas celebrações do Dia do Trabalhador, esta sexta-feira, em Lisboa. As críticas dirigiram-se à reforma laboral do Governo, enquanto foi reforçado o apelo à participação na greve geral marcada para 3 de junho.
PCP: Greve geral destina-se "a todos os trabalhadores"
O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP) defendeu a mobilização de todos os trabalhadores para a greve geral de 3 de junho, convocada pela CGTP. Para o dirigente, o pacote laboral "tem que ir ao chão" através de mais "uma grande demonstração de força".
Depois de cumprimentar os dirigentes da CGTP presentes na manifestação do Dia do Trabalhador, na Avenida Almirante Reis, em Lisboa, Paulo Raimundo declarou aos jornalistas: "Hoje, num momento muito importante, não só com estas grandes ações do 1.º de Maio pelo país inteiro, mas também com este anúncio da greve geral como mais uma grande demonstração de força dos trabalhadores. Ela estará agendada para dia 3 de junho, mas ela será construída a partir de hoje em todos os locais de trabalho e em empresas para mais uma grande rejeição".
"O pacote (laboral) tem que ir, de facto, ao chão. É isso que vai acontecer", reforçou.
Para o líder comunista, a paralisação geral é dirigida "a todos os trabalhadores". Paulo Raimundo evocou ainda o "exemplo recente dessa força imensa dos trabalhadores que fez alterar a correlação de forças e fez o Governo patinar". "O Governo pensava que isto ia ser uma passadeira vermelha. Pensava que a precariedade ia ser uma passadeira vermelha. A greve geral de 11 de dezembro travou isso. E agora vai ter que levar com esta greve outra vez", afirmou.
Confrontado com a hipótese de a greve geral voltar a contar com a UGT, à semelhança do que sucedeu em dezembro, Paulo Raimundo disse ser "do interesse de todos os trabalhadores" participarem "nessa grande demonstração de força, que vai ser necessária outra vez". "Todos aqueles que estão justamente indignados contra este objetivo de precarizar ainda mais as vidas, de desregular ainda mais os horários de trabalho, de tornar ainda mais difícil a vida dos pais e das mães, de poder abrir o caminho para os despedimentos de justa causa, todos esses têm razões acrescidas para agirem", acrescentou.
BE: Pacote "na iminência de ser derrotado"
O coordenador do Bloco de Esquerda (BE) sustentou que "é particularmente importante que nesta batalha tão forte que está a ser feita contra o pacote laboral, haja a mobilização de todos os trabalhadores, sindicalizados e não sindicalizados". José Manuel Pureza falou aos jornalistas depois de saudar, junto à sede do partido, a manifestação do Dia do Trabalhador organizada pela CGTP-IN em Lisboa.
O dirigente bloquista afirmou que o apelo é dirigido "a toda a gente". "É muito importante que as centrais sindicais se juntem, mas é muito importante que todos os trabalhadores e todas as trabalhadoras, sindicalizados e não sindicalizados, se juntem numa grande greve geral, que vai ser ela que vai derrotar na sociedade o pacote laboral. Neste contexto seria incompreensível que a UGT não se juntasse a esta greve geral", defendeu.
Na perspetiva de Pureza, "o pacote laboral está na iminência de ser derrotado". "Já foi derrotado pelas forças sociais, é muito importante que agora haja uma derrota política inequívoca do pacote laboral", argumentou.
A propósito da mensagem do presidente da República no Dia do Trabalhador, o coordenador do BE entendeu que as declarações de António José Seguro "são relevantes no sentido de dizer que a dignidade do trabalho é indispensável para a dignidade humana". "É uma realidade, nada a opor, pelo contrário, é bom que haja um presidente da República a dizer isso. Mas isto faz-se de prática, isto faz-se de decisões concretas. E eu estou convencido de que se a força dos trabalhadores for grande, nem sequer vai ser preciso António José Seguro ser coerente com aquilo que prometeu, que é vetar o pacote laboral, que não vai resistir até lá", declarou.
O antigo deputado censurou as mudanças à legislação laboral pretendidas pelo Governo, por entender que prejudicam os trabalhadores e lhes retiram rendimentos, "numa altura em que a inflação está em valores muito altos, em que o custo de vida está em valores muito altos".
Livre: Denúncia sobre ligação do Governo ao Chega
A líder parlamentar do Livre, Isabel Mendes Lopes, disse que "a rejeição do pacote laboral é claríssima e é transversal na sociedade" e que "o Governo parece ser o único que não percebe essa rejeição". "O Governo é que tem de escolher se se quer colocar nas mãos do Chega para aprovar uma reforma laboral ou se, de facto, valoriza a estabilidade da nossa legislação laboral, que é uma condição essencial para as empresas e para a competitividade do país", declarou.
Isabel Mendes Lopes alertou que "uma reforma laboral feita contra aquilo que é a sensibilidade do país e apenas com o extremo do parlamento não é uma alteração que seja estável, porque, rapidamente, assim que haja outra maioria haverá a necessidade de retomar e de reverter este roubo de direitos que representa o pacote laboral".
"O Governo tem de escolher se de facto quer estabilidade para o país, se quer salvaguardar os direitos dos trabalhadores, como o país pede", destacou.
A co-porta-voz do Livre considerou necessário conhecer a posição do Chega. Referiu que o partido liderado por André Ventura "tem sido altamente instável" e "também já percebeu que há uma rejeição", estando a mudar "ativamente a sua posição".
Isabel Mendes Lopes acusou também o Governo de rigidez neste processo e de desvalorizar a concertação social, em especial "as duas estruturas representantes dos trabalhadores". Na sua opinião, a CGTP tem sido "tratada de uma forma absolutamente inacreditável", enquanto a UGT é alvo de "uma pressão que é absolutamente inaceitável".
"Estamos neste 1º de Maio para reforçar a importância dos direitos dos trabalhadores, contra esta reforma laboral e também em solidariedade tanto com a CGTP como com a UGT em relação a toda a forma como têm sido tratadas pelo Governo", afirmou a deputada.






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