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Navantia inicia trabalhos do programa Fleet Solid Support em Puerto Real

Engenheiro naval com capacete e colete refletor inspeciona navio vermelho no porto com maquete e laptop.
Neste artigo
  1. Início da produção do programa Fleet Solid Support em Puerto Real
  2. Características dos navios Fleet Solid Support
  3. Cooperação industrial entre o Reino Unido e Espanha
  4. Antecedentes do programa

O estaleiro da Navantia em Puerto Real, Cádiz, iniciou os trabalhos associados ao programa Fleet Solid Support (FSS), destinado à construção de três navios de apoio logístico para o Ministério da Defesa do Reino Unido através da sua filial Navantia UK. Esta etapa representa um novo avanço no programa, três anos após a assinatura do contrato e depois de a construção do primeiro navio ter arrancado em território britânico.

A construção do primeiro navio FSS começou a 3 de dezembro no estaleiro da Navantia UK em Appledore, no sudoeste de Inglaterra, numa cerimónia presidida pelo ministro da Indústria da Defesa do Reino Unido, Luke Pollard. Nessa ocasião, foi cortada a primeira chapa de aço naval, dando oficialmente início a um programa considerado fundamental para o apoio logístico da Royal Fleet Auxiliary (RFA) e dos grupos de ataque de porta-aviões da Royal Navy.

Início da produção do programa Fleet Solid Support em Puerto Real

O arranque das atividades no estaleiro de Puerto Real foi assinalado numa cerimónia de corte de aço, com a presença do adido de Defesa do Reino Unido em Espanha, capitão Antony Crabb, e do diretor de Operações e Negócio da Navantia, Gonzalo Mateo-Guerrero. Este marco confirma a passagem do programa da fase de projeto para a produção industrial.

Neste enquadramento, Antony Crabb afirmou: “Acolhemos com grande satisfação o compromisso contínuo da Navantia em executar o programa Fleet Solid Support (FSS) dentro do prazo e do orçamento. O início da construção em Puerto Real assinala um marco importante para este programa. Após o bem-sucedido corte de aço no estaleiro da Navantia UK em Appledore, em dezembro passado, o evento de hoje materializa a transição do programa FSS da fase de projeto para a produção. Os módulos construídos em Espanha serão posteriormente transportados para o estaleiro de integração em Belfast. Esperamos continuar a nossa colaboração à medida que avançamos para a entrega destes importantes navios à Royal Fleet Auxiliary do Reino Unido.”

Por seu turno, Gonzalo Mateo-Guerrero declarou: “O início dos trabalhos neste estaleiro demonstra o compromisso da Navantia com um cliente de importância vital. Estamos a colocar as nossas melhores capacidades ao serviço deste programa e da sua execução, com os mais elevados níveis de qualidade e exigentes padrões.”

Características dos navios Fleet Solid Support

Os três navios FSS serão operados por pessoal da RFA e destinam-se a apoiar logisticamente, no mar, o Carrier Strike Group da Royal Navy, incluindo o fornecimento de munições, peças sobresselentes, alimentos e outros recursos essenciais. A sua principal missão será permitir que as unidades navais britânicas mantenham operações prolongadas sem necessidade de regressar ao porto.

Cada embarcação terá 216 metros de comprimento e um deslocamento aproximado entre 39.000 e 40.000 toneladas. Serão, assim, os segundos maiores navios ao serviço da Defesa do Reino Unido, apenas ultrapassados pelos porta-aviões HMS Queen Elizabeth e HMS Prince of Wales.

Cooperação industrial entre o Reino Unido e Espanha

O programa FSS está a ser desenvolvido conjuntamente pelos estaleiros da Navantia UK em Appledore e Belfast, com a participação das instalações da Navantia em Espanha, responsáveis pela construção de módulos e blocos para a montagem final, os ensaios e a entrega em Belfast. Para além do fabrico estrutural, as unidades espanholas contribuem com atividades de elevado valor acrescentado ligadas a sistemas, integração e transferência de conhecimento.

Em paralelo, prosseguem os trabalhos de modernização no estaleiro de Belfast, que assumirá um papel central como polo de integração do programa. A instalação de Methil participa igualmente na construção de uma barcaça destinada à movimentação de blocos, ao mesmo tempo que reforça a preparação das suas capacidades industriais. Os centros de Methil e Arnish, que dispõem de experiência no setor offshore, apresentam também perspetivas para futuros programas, em particular no domínio da energia eólica offshore.

Antecedentes do programa

As origens do programa FSS remontam a novembro de 2022, quando o Ministério da Defesa do Reino Unido atribuiu o contrato ao consórcio Team Resolute, formado pela Navantia UK, Harland & Wolff e BMT. A adjudicação respondeu à necessidade de assegurar apoio logístico aos porta-aviões britânicos durante operações de longo alcance.

Ao longo de 2024, a Navantia avançou com a aquisição dos ativos de produção da Harland & Wolff, um processo concluído em janeiro de 2025 com a respetiva integração na Navantia UK. A operação incluiu um investimento de 77 milhões de libras e a criação de aproximadamente 2.000 postos de trabalho, reforçando a base industrial necessária para executar o programa no Reino Unido.

Um ano após essa aquisição, o presidente da Navantia, Ricardo Domínguez, afirmou: “A Navantia UK está a dotar-se de capacidades à altura dos desafios futuros e a acrescentar valor tanto ao mercado do Reino Unido como a outros programas internacionais, reforçando a presença e a credibilidade da Navantia no mercado internacional.”

Deste modo, o início dos trabalhos em Puerto Real integra-se num programa que avança de acordo com o planeado, consolidando uma estrutura industrial distribuída entre o Reino Unido e Espanha para construir os novos navios logísticos FSS destinados à Royal Fleet Auxiliary do Reino Unido.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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