A Força Aérea da Grécia recebeu autorização do parlamento grego para modernizar 38 caças F-16 Block 50 para o padrão mais avançado Block 70, num programa que deverá exigir um investimento de cerca de 1.000 milhões de euros. A iniciativa, promovida há vários meses pelo executivo grego, avança em paralelo com a intenção de Atenas de adquirir novos sistemas de defesa aérea para reforçar as suas capacidades actuais. Conhecido como “Escudo de Aquiles”, este projecto exigirá uma despesa adicional superior a 3.000 milhões de euros.
Modernização dos F-16 Block 50 da Força Aérea da Grécia
A novidade foi revelada à Reuters por duas fontes parlamentares de alto nível, profundamente conhecedoras do processo. O dado ganha particular relevância por a sessão em questão ter decorrido à porta fechada. Segundo um dos responsáveis: “A comissão parlamentar aprovou o projecto e também a modernização dos F-16.”
Os 38 F-16 Block 50 actualmente operados pela Força Aérea da Grécia foram adquiridos durante a década de 1990. A frota inclui igualmente aeronaves Block 50+ e Block 52+, compradas na década de 2000 e já seleccionadas para um processo de modernização. Em Setembro de 2025, a instituição dispunha já de cerca de 42 exemplares deste grupo equipados de acordo com o padrão Viper, demonstrando o esforço do país europeu para manter actualizadas as suas capacidades de combate.
A Grécia opera ainda caças F-16 Block 30, adquiridos em 1989, o que a coloca entre os mais importantes utilizadores actuais desta plataforma de origem norte-americana. Para formar uma frota com mais de 200 aeronaves operacionais, importa também referir a aquisição de novos caças furtivos F-35A, que permitirão substituir os F-4 Phantom II, representando por si só um significativo salto de capacidade. Em complemento, foram comprados a França 24 caças Dassault Rafale F3R, destinados pela Força Aérea a substituir os Mirage 2000-5.
Outros elementos do pacote aprovado pelo parlamento grego
Tal como referido, a recente sessão do parlamento grego não resultou apenas na aprovação do programa de modernização dos caças F-16 Block 50 da Força Aérea. Foi também dada luz verde à incorporação de novos sistemas de defesa aérea. Designado “Escudo de Aquiles”, o programa deverá ultrapassar os 3.000 milhões de euros e, de acordo com as informações disponíveis, será desenvolvido com empresas israelitas. O objectivo é criar uma rede escalonada semelhante à formada pelos sistemas Spyder, Barak MX e David’s Sling, destinados, respectivamente, a curto, médio e longo alcance.
Segundo notícias publicadas por meios de comunicação gregos, a decisão provocou fortes críticas entre os partidos da oposição, sobretudo do Partido Comunista e do partido Rumo à Liberdade. Em concreto, estas forças políticas argumentaram que o processo conduzido pelo Governo não incluiu qualquer estudo comparativo com sistemas alternativos à proposta israelita, uma das razões que motivou o seu voto contra. Ainda assim, com a participação de outros partidos, como o PASOK, Niki, SYRZIA e Solução Grega, o Governo conseguiu aprovar a medida. Em videoconferência a partir de Londres, o ministro da Defesa grego, Nikos Dendias, saudou a decisão, afirmando que o novo sistema de defesa aérea constituía “um núcleo importante do novo programa de dissuasão.”
Entre os restantes pontos abrangidos pelo pacote recentemente aprovado pelo parlamento, a Grécia prepara-se igualmente para avançar com a modernização dos seus envelhecidos navios MEKO 200. Trata-se de um projecto estudado há anos pela Marinha Helénica em conjunto com a empresa alemã Thyssenkrupp e a francesa Thales. Foi ainda aprovado um novo contrato para assegurar a manutenção da frota de aeronaves C29J do país, utilizadas em missões de transporte.
Por fim, todas estas aprovações continuam dependentes de ratificação pelo Conselho Governamental para os Assuntos Externos e Defesa, igualmente conhecido pela sigla KYSEA. Este é o principal organismo responsável pela definição da política nacional de defesa e dos programas de aquisição de longo prazo das Forças Armadas, entre outras competências, pelo que a sua aprovação é indispensável para que os projectos possam arrancar oficialmente.






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