O Tribunal de Lisboa condenou a penas de prisão efetiva os líderes de uma rede que provocou prejuízos de 2,9 mil milhões de euros.
Operação Admiral e o carrossel de IVA
Durante seis anos, uma organização criminosa terá privado vários Estados da União Europeia de quase três mil milhões de euros em impostos. O grupo recorria a cadeias de empresas para comercializar telemóveis e outros produtos, vendidos posteriormente em plataformas online, apropriando-se depois do IVA. Em maio do ano passado, o Tribunal de Lisboa aplicou penas entre cinco e oito anos de prisão a quatro dos principais responsáveis. A investigação desta rede levou os investigadores ao esquema desmantelado na quarta-feira, que terá causado ao Estado um prejuízo de cerca de 155 milhões de euros.
A estrutura foi criada por Prathikouhn Lavivong, um cidadão francês de 36 anos, e por Filipe Fernandes, de 53 anos, responsável pela célula portuguesa com o apoio de Max Cardoso. Compravam milhares de equipamentos eletrónicos, em especial telemóveis, a revendedores europeus. Em seguida, faziam-nos circular, apenas no papel, por várias empresas de fachada - o denominado "carrossel de IVA" - antes de os venderem em plataformas digitais, sobretudo na Amazon Marketplace.
Empresas de fachada e impostos não entregues
Os arguidos recebiam os montantes relativos aos impostos, mas nunca os entregavam aos Estados respetivos. O dinheiro era movimentado através de testas de ferro ou enviado diretamente para paraísos fiscais. Quando as autoridades procuravam recuperar os valores, as empresas já tinham cessado a atividade. Por esse motivo, este tipo de burla é igualmente designado por "Missing trader intra-community fraud" (fraude intracomunitária do comerciante desaparecido).
A investigação da Operação Admiral, conduzida pela Procuradoria Europeia, calcula que a rede tenha gerado um prejuízo total de 2,9 mil milhões de euros. Portugal sofreu perdas de 80 milhões de euros, confirmou o Tribunal de Lisboa em maio de 2025, ao considerar culpados de fraude fiscal, branqueamento e corrupção dez arguidos individuais e 13 empresas. Para além dos três cabecilhas, foi também condenado a prisão efetiva quem recrutava testas de ferro e assegurava as operações de branqueamento.
Condenações e anulação do acórdão
Entre os condenados com penas suspensas encontram-se um gestor bancário, corrompido para não sinalizar movimentos suspeitos de milhões de euros realizados pela rede, e Max Cardoso, marido da ex-apresentadora de televisão Ana Lúcia Matos.
Em fevereiro deste ano, o Tribunal da Relação de Lisboa anulou o acórdão relativo à Operação Admiral, por entender que alguns pontos da condenação não estavam devidamente fundamentados, determinando a elaboração de uma nova decisão.






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