PCP admite moção de censura ao Governo
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, considerou este domingo que o Governo se encontra "em profunda degradação" e admitiu que o partido poderá avançar com uma moção de censura.
Em Braga, à margem de uma festa-convívio com militantes, Raimundo declarou aos jornalistas que as polémicas recentes em torno dos ministros da Educação e da Administração Interna se somam à atuação de outros elementos do Executivo, incluindo os responsáveis pelas pastas da Saúde e das Infraestruturas.
Na perspetiva do dirigente comunista, o próprio primeiro-ministro "já não conta bem com ele". "Basta ver a forma como entrou no debate do Estado da Nação, a intervenção que fez no debate do Estado da Nação, que revela, de facto, o primeiro-ministro aflito. E eu percebo porquê. O senhor primeiro-ministro já percebeu que quanto mais avança a sua política, mais contestação há à sua política, mais isolado o Governo fica", apontou.
Exames nacionais e críticas a Fernando Alexandre
A propósito da controvérsia relativa aos exames nacionais, cuja correção e divulgação têm registado mudanças e atrasos, Paulo Raimundo classificou a situação como uma "trapalhada" e um "caos completo". Acusou ainda o ministro da Educação de arrogância, de se desresponsabilizar e de atacar em todas as direções.
"Depois do que disse sobre os professores, depois do que disse sobre os diretores de escolas, depois daquilo que fez as famílias passarem, depois da pressão toda que meteu sobre os alunos, convenhamos que as condições para continuar a falar com os professores, com as famílias, com os diretores de escolas e com os estudantes são muito, muito, muito poucas, muito reduzidas. Eu acho que não são nenhuma", referiu.
O líder do PCP acrescentou que a responsabilidade não recai apenas sobre o ministro, mas sobre todo o Governo, começando pelo primeiro-ministro, por ter posto a "cabeça no cepo" por Fernando Alexandre. "Então agora, se põe a cabeça no cepo, sujeita-se àquilo que vai acontecer", avisou.
Luís Neves e a situação do Executivo
Quanto ao ministro da Administração Interna, Raimundo defendeu que é necessário "esclarecer tudo", sustentando que Luís Neves será "a primeira pessoa que tem mais interesse em que se esclareça todas estas notícias que estão a pairar no ar". "Estamos à espera desses esclarecimentos", sublinhou.
Sobre o futuro dos dois governantes, o secretário-geral comunista afirmou que o PCP não costuma "pedir cabeças", por entender que o problema não está no ministro A ou B, mas nas políticas adotadas. "Se nós vamos começar por aí [a pedir demissões], quem é que sobra?", questionou, estendendo as críticas a outros membros do Governo, entre os quais a ministra da Saúde e o ministro das Infraestruturas e Habitação.
Para Paulo Raimundo, o Executivo está "em profunda degradação", enquanto o primeiro-ministro começa a sentir o tempo a escapar-lhe "para cumprir o que tem para cumprir", como o "assalto" à Segurança Social, a reforma laboral e a privatização da TAP e da CP.
O PCP, garantiu, fará tudo o que estiver ao seu alcance para travar "o mais depressa possível esta política e esta degradação", mantendo em aberto a possibilidade de apresentar uma moção de censura.
"Nós nunca afastamos esta possibilidade, nem afastamos este elemento concreto. É um elemento que temos nas nossas mãos para poder utilizar e logo veremos quando entendermos que é o momento certo para utilizar, se for para utilizar. Agora, essa censura institucional tem de ser acompanhada de uma maior e mais elevada censura social e política, é isso que estamos a procurar fazer", rematou.
Os casos que envolvem o ministro da Administração Interna estarão, aparentemente, ligados a factos ocorridos quando era ainda diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), antes de integrar o atual Governo, há cinco meses. Em causa estarão as suas ligações a um empresário da construção civil de Barcelos, que realizou obras para aquela polícia criminal e também em, pelo menos, uma propriedade privada do atual ministro, no Alentejo.
Na sexta-feira, a PJ informou ter aberto um inquérito sobre um reboque apreendido num processo de tráfico de droga, que foi encontrado atrelado a um camião da Construbarcelos, a empresa contratada por Luís Neves. O caso foi comunicado ao Ministério Público, que, numa resposta enviada à agência Lusa, confirmou igualmente a "existência de um inquérito relacionado com bens apreendidos à ordem do processo designado "Operação Pacoba"", atualmente em fase de julgamento.






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