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Governo admite novas medidas para compensar produtores por ataques de lobos

Homem escreve junto a cão em cerca de madeira numa pastagem com ovelhas ao fundo.

O ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, reconheceu esta quarta-feira que o Governo poderá avançar com novas medidas de compensação para os produtores cujos animais sejam atacados por lobos, admitindo que esta realidade tem gerado inquietação entre os pastores.

Indemnizações por danos de lobo-ibérico

Em Vila Verde, durante a abertura da Festa das Colheitas, o ministro recordou ter assinado recentemente, com a ministra do Ambiente, um despacho conjunto destinado a encurtar os prazos máximos das indemnizações por danos provocados pelo lobo-ibérico. A medida fixa em 20 dias o prazo-limite para a avaliação dos prejuízos e estabelece que os pagamentos sejam efetuados até ao fim do mês seguinte.

Para lá da revisão dos valores e de um procedimento "muito mais rápido", com "menos burocracia e mais justiça", José Manuel Fernandes afirmou que também "já acabaram alguns disparates". Entre estes estava a impossibilidade de indemnizar um produtor pela morte de uma cria sem brinco de identificação. "Ora, as crias não nascem com brinco, como é evidente", declarou o ministro.

O titular da pasta da Agricultura defendeu que estes processos devem ser tratados com "bom senso" e rapidez, assegurando compreender as preocupações dos produtores. Garantiu ainda que o Governo está disponível para analisar novos apoios se os atuais se revelarem insuficientes. "Se estas medidas não forem suficientes, teremos de avançar para outras medidas", em articulação com o Ministério do Ambiente e o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), assegurou.

José Manuel Fernandes não adiantou quais poderão ser essas novas soluções, sustentando que há "muitas especificidades" e que "não há apenas uma solução" para esta questão. "Se as soluções que estão em cima da mesa não forem suficientes, avançaremos para outras", reiterou.

Celebração do mundo rural

A 34.ª edição da Festa das Colheitas de Vila Verde começou esta quarta-feira e abre cinco dias de iniciativas dedicadas à agricultura, à gastronomia e às tradições rurais. O certame decorre até domingo, reúne mais de uma centena de expositores dos setores do artesanato, agricultura, maquinaria e produtos regionais, e integra 41 iniciativas.

O programa inclui o Festival Gastronómico, a Festa do Caurdo, a Feira Tradicional "Reviver o Passado" e desfolhadas. Estão igualmente previstas outras atividades tradicionais, incluindo magusto, pisada de uvas, concursos de produtos locais, desfiles de animais, conferências e showcookings.

Na cerimónia inaugural, a presidente da Câmara de Vila Verde, Júlia Fernandes, salientou o envolvimento das várias freguesias do concelho e de centenas de parceiros no programa. Para a autarca, o evento ajuda a conservar e a divulgar as tradições locais. "A Festa das Colheitas é um palco da tradição, é um palco onde tudo aquilo que nos identifica, que nos distingue, que nos orgulha, está presente", afirmou a autarca.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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