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Praça de Pedro Nunes: uma praça mais humana no Porto

Praça urbana com árvores, bancos, criança a jogar ao elástico e adultos sentados a conversar ao sol.
Neste artigo
  1. As praças na memória europeia
  2. Praças e pracetas nas zonas residenciais do Porto
  3. Praça de Pedro Nunes: betão, árvores e estacionamento

As praças na memória europeia

Apesar das suas incomparáveis interpretações de obras maiores do cânone ocidental - da "Antígona" aos "Irmãos Karamazov" -, George Steiner é, acima de tudo, recordado e referido pela conferência dedicada à "a ideia de Europa". Em particular, ficou célebre a evocação de uma Europa "dos cafés" e de práticas pedestres que ajudaram a formar um espaço público assente no diálogo e na democracia.

Steiner refere igualmente as praças que, até através dos seus topónimos, desenham um mosaico de memória partilhada. Nelas, podem reafirmar-se afinidades e descobrir-se o outro. São, ao mesmo tempo, espaços do quotidiano e do acaso, de passagem e de permanência.

Com Rui Pires Cabral, "as praças que estiveram/ ao fundo da noite uma vez/ é para onde caminhamos a vida inteira" ("Praças e quintais", 2003).

Praças e pracetas nas zonas residenciais do Porto

Depois de verificar a falta de praças em freguesias como Ramalde, bem como a existência de muitas que, tomadas pelo domínio do automóvel, apenas conservam a designação de praças, apresentei, em 2022, na Assembleia Municipal, uma recomendação. Propunha um programa para construir e requalificar praças e pracetas em áreas habitacionais e em zonas de expansão urbana.

Na altura, o Executivo respondeu que a densidade edificada da cidade já não deixava margem para criar novas praças. A resposta surgiu apesar de o PDM, revisto em 2021, prever zonas de expansão e seis novas ORU - e apesar de Contumil, Azevedo, Viso, Requesende e da projetada Via Nun"Álvares...

Praça de Pedro Nunes: betão, árvores e estacionamento

Afinal, é possível reabilitar praças, como demonstra a intervenção em curso na Praça de Pedro Nunes, diante da Escola Rodrigues de Freitas. A obra merece saudação, mas é de lamentar que se repita a estranha prática que se tem imposto neste género de intervenções.

Num tempo em que se aconselham miniflorestas urbanas, capazes de atenuar a canícula, e pavimentos permeáveis, que permitem escoar a água da chuva e recarregar os aquíferos, não é defensável optar por vastas superfícies de betão. Daí resulta uma redução do coberto vegetal, agravada pela preservação de lugares de estacionamento.

Já circula uma petição a exigir a revisão do projeto numa escala mais humana - a escala das numerosas crianças e jovens que estudam naquele local. Pedro Duarte, que revela vocação não apenas para continuar a dar mundo ao Porto, mas também para zelar pelos pequenos mundos portuenses, deveria ouvir os argumentos dos subscritores da petição.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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