Bombeiros Sapadores de Braga no combate à vespa asiática
Diariamente, equipas dos Bombeiros Sapadores de Braga deslocam-se ao terreno para neutralizar ninhos de vespa asiática. Prevê-se que esta atividade se intensifique nesta época do ano, em especial com a queda das folhas, que torna os vespeiros mais visíveis. Iniciada em 2019, esta missão começou por ser invulgar, mas passou a ser recorrente e integra hoje o trabalho operacional quotidiano.
"Temos equipas a intervir todos os dias, porque o número de pedidos não pára de aumentar", afirma ao JN o comandante dos Sapadores de Braga, Nuno Osório, salientando que esta tarefa requer "muita formação". Segundo o comandante, quem detetar um ninho de vespa asiática deve reportar a situação através do endereço de email específico, [email protected], de preferência enviando fotografias e a localização.
Depois de recebida, a comunicação é analisada pelos Sapadores, que verificam se o ninho corresponde efetivamente à vespa velutina.
Técnicas para eliminar os ninhos
O JN acompanhou José Marques e Domingos Gomes, uma equipa que saiu do quartel com vários locais sinalizados onde havia ninhos de vespa asiática. Perante um vespeiro construído numa árvore de uma urbanização junto ao Forum Braga, Domingos observou: "Este vai ser impossível com a cana".
Quando o ninho está acessível, os bombeiros usam uma cana extensível para aplicar o biocida diretamente na colónia. Se estiver a uma altura excessiva, recorrem a um equipamento de projeção, semelhante a uma arma de paintball, que permite lançar o produto à distância.
Neste caso, a altura do ninho levou a equipa a utilizar o dispositivo de aplicação remota. "Não é tão eficaz como a cana, porque aí conseguimos introduzir mesmo o biocida no ninho, mas há locais em que não se consegue", realça José.
Já o vespeiro seguinte, localizado nas proximidades e também numa árvore, permitiu usar a cana extensível de 12 metros. A intenção passa sempre por eliminar a colónia, sem que seja necessário remover fisicamente o ninho.
Mais de 100 mil euros/ano
Até 28 de setembro, Braga registava 974 ninhos, dos quais 919 tinham já recebido intervenção. Trata-se de um aumento de 11,6% nas ocorrências face ao período homólogo de 2025, bem como de mais 6% nos casos eliminados.
Altino Bessa, vice-presidente da Câmara e responsável pelo pelouro da Proteção Civil, antecipa que o concelho ultrapasse pela primeira vez os 1500 ninhos registados num ano. O máximo anterior foi alcançado em 2025, quando foram contabilizados 1394 ninhos. "Somos bombardeados todos os dias. Nesta altura, há 15 a 20 denúncias diárias de ninhos novos", refere o autarca.
Ainda assim, o combate implica encargos significativos. Segundo Altino Bessa, os municípios assumiram esta responsabilidade sem que o Estado tivesse atribuído uma compensação financeira própria. "Estamos a falar de mais de 100 mil euros por ano", sublinha o vice-presidente da Câmara de Braga.






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