Ataques dos EUA ao Irão e resposta iraniana
Os Estados Unidos realizaram durante a madrugada uma nova vaga de bombardeamentos aéreos - a nona desde a trégua temporária - contra o Irão. Em resposta, Teerão lançou mísseis na direção da Jordânia, num desenvolvimento que poderá estender o conflito a Israel.
O Comando Central das Forças Armadas norte-americanas (CENTCOM) declarou que os alvos incluíram "centros de comando militares iranianos, instalações de defesa aérea e de vigilância costeira, meios marítimos, bases de lançamento de mísseis e drones e redes de comunicações". Esta foi a nona ronda de ataques desde a assinatura, a 17 de junho, do memorando de entendimento para um cessar-fogo.
As autoridades iranianas não reagiram de imediato a possíveis vítimas ou estragos provocados pelos bombardeamentos. Ainda assim, os meios de comunicação estatais iranianos avançaram que foram escutadas explosões no sul e no noroeste do país.
"Atacámo-los com muita força novamente esta noite", disse o presidente norte-americano, Donald Trump, aos jornalistas, quando regressava a Washington depois da final do Campeonato do Mundo de Futebol. "E fizemo-lo em homenagem" aos soldados mortos, acrescentou.
Inicialmente, as forças armadas dos Estados Unidos justificaram também esta nova ofensiva como represália pela morte de militares na Jordânia, na passada sexta-feira. Um soldado permanecia desaparecido após esse ataque, mas um novo comunicado do CENTCOM informou que foram encontrados este domingo "restos mortais não identificados", agora em análise. Desde o início da guerra, foi confirmada a morte de 17 militares norte-americanos.
Chamas no estreito de Ormuz
Pouco depois de os ataques terem começado durante a madrugada, a agência britânica de segurança marítima UKMTO comunicou que havia uma embarcação em chamas no estreito de Ormuz. A entidade não esclareceu a origem do incêndio, localizado a 8 milhas náuticas, cerca de 15 quilómetros, a noroeste de Kumzar, em Omã.
Durante a madrugada, o Bahrein, a Jordânia e o Kuwait voltaram a ativar as respetivas defesas aéreas perante drones e mísseis iranianos. A Embaixada dos Estados Unidos no Bahrein divulgou ainda um alerta, segundo o qual o Irão poderia "procurar atingir locais não especificados no centro de Manama", capital do emirado, sem avançar outros detalhes.
Israel, por sua vez, avisou que os mísseis disparados contra a cidade portuária jordana de Aqaba poderiam levar os ataques a atingir território israelita, algo que não acontecia há semanas.
Na cidade israelita de Eilat, vizinha de Aqaba, foram citadas autoridades de segurança israelitas que indicaram o lançamento de dois mísseis intercetores a partir das imediações da cidade, com o objetivo de evitar a queda de destroços.
Jordânia interceta mísseis iranianos
As forças armadas jordanas afirmaram este domingo ter abatido vários mísseis iranianos. A Jordânia alberga importantes bases norte-americanas e depende dos sistemas de defesa aérea dos Estados Unidos. De acordo com as forças armadas do país, os projéteis não provocaram vítimas nem danos.
Mais tarde, a Jordânia chamou o encarregado de negócios iraniano para apresentar um protesto, noticiou a televisão estatal.
Já decorreu mais de metade do período de 60 dias estabelecido no memorando de entendimento de paz para negociar o fim definitivo da guerra e outras matérias, entre as quais o programa nuclear do Irão. Ainda assim, Washington e Teerão voltam a aproximar-se de um cenário de guerra total.
O impacto da guerra nos preços dos combustíveis e de outros produtos atingiu fortemente algumas das regiões mais vulneráveis do mundo. Nos mercados asiáticos, o Brent para entrega em setembro regressou esta manhã aos valores de junho, acima dos 90 dólares por barril.






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