Os alertas do FMI para a economia mundial
Na véspera da apresentação do Orçamento do Estado português, as declarações da diretora do FMI expõem os principais desafios que se colocam à economia mundial. Portugal não vive isolado, muito menos numa ilha em Marte: está inteiramente dependente e condicionado pelas decisões e pelos acontecimentos internacionais. Por isso, estes avisos exigem respostas adequadas no país, em especial para proteger quem se encontra mais vulnerável à instabilidade dos mercados.
O agravamento das desigualdades e dos conflitos, bem como a expansão da inteligência artificial (IA), estiveram no centro da intervenção de Kristalina Georgieva, ontem, em Singapura. Antes de alertar os governos para a necessidade de apertarem os cintos - quantas vezes já ouvimos isto? - perante défices orçamentais excessivos, a responsável destacou a evolução da região Ásia-Pacífico. Esta área representa atualmente 43% da riqueza mundial, quando, em 1991, o seu peso era de apenas 25%.
Dívida, energia e o impacto no Orçamento do Estado
Perante uma dívida pública mundial que se aproxima dos níveis registados na II Guerra Mundial, Georgieva sublinhou que a IA poderá contribuir para o crescimento económico em meio ponto percentual ao ano. Ainda assim, não deixou de assinalar os riscos associados a esta tecnologia, sobretudo a possibilidade de descontrolo.
A “energia” assumiu um lugar central na reflexão. Foi o termo usado para ilustrar como a crise dos combustíveis, desencadeada pela guerra no Médio Oriente, penaliza os países mais dependentes e contribui para os “níveis recorde de dívida”. Mas também remete para aquilo que se sente todos os dias no orçamento das famílias: fertilizantes, alimentos e produção industrial mais caros. Perante este aumento do custo de vida, o OE tem de incluir medidas com impacto para os mais de 15% dos portugueses que continuam a viver na pobreza.
A guerra no Irão e a fatura para todos
A guerra no Irão está diretamente ligada a esta realidade, mas o Mundo ainda não gritou o suficiente com Trump para que o conflito seja resolvido. Afinal, semearam-se os ventos e somos nós quem paga a fatura.






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