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Feijóo arranca campanha em Ceuta para eleições antecipadas de 29 de novembro

Homem em fato azul a discursar na praia, rodeado de pessoas com bandeiras azuis e telemóveis a filmar.
Neste artigo
  1. Ceuta no arranque da campanha de Feijóo
  2. Eleições antecipadas a 29 de novembro
  3. Sondagens apontam para vantagem do PP

O líder da oposição espanhola deu esta quarta-feira início à campanha para as legislativas antecipadas de 29 de novembro em Ceuta, cidade onde vê uma crise causada pelo declínio, pela corrupção e pela mentira do Governo do socialista Pedro Sánchez.

Ceuta no arranque da campanha de Feijóo

Alberto Núñez Feijóo, presidente do Partido Popular (PP, direita), afirmou que Ceuta, enclave espanhol no norte de África onde mais de 70 mil pessoas entraram ilegalmente em 24 horas no final de julho, "é o sintoma do declínio, da corrupção e da mentira que o país mergulhou" sob a gestão de Sánchez.

Para Feijóo, os cerca de 80 mil espanhóis residentes em Ceuta "tiveram de se defender praticamente sozinhos de um ataque à sua integridade territorial que se arrasta há mais de dois meses".

A visita a Ceuta marcou hoje a "primeira deslocação como candidato" de Feijóo para as eleições de 29 de novembro. O líder do PP garantiu que a situação do enclave será "o primeiro dossiê em cima da mesa do Conselho de Ministros" caso o partido vença as eleições e chegue ao Governo. A declaração foi feita ao lado de Juan Jesus Vivas, presidente do executivo da cidade autónoma e também dirigente do PP.

Feijóo sustentou que "Ceuta não recuperou a normalidade" e defendeu que a única resposta passa por fazer sair de Espanha "as 15 mil pessoas que invadiram a cidade ilegalmente" no final de julho e que ainda permanecem no enclave.

"Essa é a única solução e é esse o meu compromisso", acrescentou.

A maior parte das pessoas que entrou ilegalmente em Ceuta nos dias 30 e 31 de julho deixou a cidade por vontade própria. Contudo, milhares mantêm-se no enclave, e o Governo espanhol diz que não podem ser repatriadas sem passarem por um processo de acolhimento temporário, registo e decisão oficial sobre os pedidos de asilo, tal como determina o Pacto Europeu de Migrações, em vigor desde junho.

Passados mais de dois meses desde a entrada em massa, continuam a existir pessoas a dormir nas ruas de Ceuta devido à falta de vagas nos centros de acolhimento.

Eleições antecipadas a 29 de novembro

Pedro Sánchez, primeiro-ministro e líder do Partido Socialista Espanhol (PSOE), anunciou esta semana a convocação de eleições legislativas antecipadas para 29 de novembro. A decisão surge numa altura em que os protestos relacionados com a crise da habitação afastaram, depois de mais de dois meses, Ceuta do centro da atenção mediática e das críticas generalizadas à forma como o Governo geriu a situação no enclave.

Ceuta e a imigração, temas em que se concentra o discurso da direita e da extrema-direita, deverão estar entre os assuntos dominantes da campanha para 29 de novembro, a par da crise da habitação, questão que a esquerda tem colocado no centro do debate.

Sánchez ocupa o cargo de primeiro-ministro desde 2018. Apesar do desgaste interno provocado por vários casos confirmados e suspeitas de corrupção envolvendo pessoas próximas, pela paralisia legislativa dependente de uma geringonça de oito partidos no parlamento - que o impediu de apresentar uma única proposta de Orçamento do Estado desde 2022 - e pela atuação em Ceuta, repetiu insistentemente nos últimos meses que a atual legislatura chegaria ao fim, em meados de 2027.

Essa posição mudou na segunda-feira, quando anunciou a dissolução do parlamento e eleições antecipadas. O anúncio ocorreu depois de os partidos de direita terem chumbado no parlamento decretos com medidas urgentes para a habitação, apresentados pelo Governo perante a pressão de milhares de pessoas que saíram à rua desde o despejo, em 23 de setembro, de Maricarmen Abascal, uma idosa de 87 anos.

"Para fazer em profundidade as reformas pendentes, de que precisamos para reduzir os níveis de desigualdade, temos de nos mobilizar e temos que conseguir que o parlamento nos dote de uma maioria muito mais ampla, progressista, para dobrar as elites e conquistar novos direitos e continuar a transformar Espanha", justificou Sánchez.

Sondagens apontam para vantagem do PP

As análises de politólogos, comentadores e órgãos de comunicação social coincidem hoje na ideia de que Sánchez e o PSOE encontraram na habitação "uma janela de oportunidade", numa conjuntura que todas as sondagens indicavam ser desfavorável à esquerda.

Os mais recentes estudos publicados em Espanha atribuem todos a vitória ao PP, embora sem maioria absoluta. O Vox (extrema-direita) duplicaria o número de deputados, permitindo aos dois partidos alcançar uma maioria absoluta no parlamento.

O PP obteria uma percentagem de votos próxima da registada nas eleições anteriores, em 2023, quando alcançou 33% e elegeu 137 deputados. Já o Vox poderá atingir 18% e quase duplicar os atuais 33 deputados.

As forças de esquerda, o PSOE de Sánchez e a plataforma Somar, que reúne vários partidos, perderiam tanto votos como deputados.

PSOE e Somar integram a atual coligação governamental. Segundo as sondagens, os socialistas desceriam para 25% dos votos, depois dos 31,6% obtidos em 2023, enquanto o Somar passaria dos 12,33% registados em 2023 para cerca de 6%, de acordo com os mesmos estudos.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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