O JN desafiou três treinadores de futebol e dois adeptos do F. C. Porto a escolherem o momento, a figura, a revelação e o golo mais marcantes do percurso até ao 31.º título de campeão nacional. Conheça as escolhas.
Com o título assegurado, Froholdt, William Gomes, Pietuszewski, Bednarek, Rosário, Fofana e Diogo Costa prometem ficar indelevelmente associados a esta conquista do F. C. Porto. Para os analistas consultados pelo JN, a influência de cada um em instantes determinantes foi decisiva. A vitória em Alvalade foi igualmente apontada como um passo essencial para os dragões reforçarem a credibilidade na luta pelo título.
A visão de André Villas-Boas mereceu destaque enquanto elemento decisivo na construção do plantel. Mais do que reforçar a equipa, conseguiu identificar o que faltava e assegurar o salto qualitativo necessário para ultrapassar a concorrência, impondo uma nova ordem no campeonato. O Sporting, que durante algum tempo ainda sustentou a imagem de uma formação consolidada, acabaria por perder andamento e por ver desaparecer o “tri”.
Manuel Machado, treinador de futebol
1. O momento
O instante decisivo estará, acima de tudo, na enorme regularidade demonstrada pelo F. C. Porto durante toda a época. A equipa distinguiu-se pela consistência do modelo de jogo e pela forma como essa interpretação se refletiu em pontos. Foi essa regularidade que a levou ao título. Os dois últimos empates de Benfica, com o Casa Pia, e Sporting, nas Aves, eliminaram qualquer esperança residual dessas duas equipas. O F. C. Porto foi muito bem construído, sólido e sem grandes oscilações, praticamente conseguindo evitar esses momentos.
2. A figura
Pela totalidade das suas capacidades, Froholdt é a figura. Trata-se de um “box-to-box” com elevado nível técnico e grande intensidade, competente no processo defensivo, mas também capaz de chegar ao último terço e finalizar com sucesso. Sendo tão jovem e reunindo todas essas características, considero plenamente justificável que seja a figura do F. C. Porto.
3. A revelação
Pablo Rosario é um futebolista de nível internacional, embora sem grande notoriedade, que chegou a Portugal e se adaptou muito bem tanto ao campeonato como ao F. C. Porto. A polivalência técnica que evidenciou foi relevante: jogou a seis, a quatro e como lateral, revelando competência e um rendimento muito regular. É como um par de sapatos que vale por cinco.
4. O golo
Escolho o golo de Fofana em Braga, numa altura em que a partida estava empatada e depois de o F. C. Porto ter começado a perder. Ao marcar o segundo, deu expressão a uma vitória importante num jogo decisivo, perante um concorrente direto na corrida ao título.
Miguel Guedes, presidente e diretor artístico do Coliseu do Porto
1. O momento
A vitória em Alvalade terá sido, provavelmente, a primeira grande confirmação do valor desta equipa, razão pela qual a considero decisiva. Existiram muitos outros encontros importantes e o F. C. Porto desperdiçou vários match points neste campeonato. Na receção ao Benfica, por exemplo, poderia ter colocado o rival a uma distância abissal, mas acabou por empatar. Também poderia ter deixado o Sporting quase arredado do título quando o recebeu no Dragão, mas permitiu o empate no último minuto.
2. A figura
Desde o começo da temporada, Froholdt foi o jogador-chave. Para além de, à sua maneira, ser uma revelação, correspondeu claramente à expressão “sair melhor do que a encomenda”. Isto ganha ainda maior relevância por ser um jogador muito jovem, num campeonato muito diferente, no qual se sentiu mais do que peixe na água. Foi fogo dentro do Dragão.
3. A revelação
Pietuszewski integrou o grupo de reforços de inverno que acrescentou muito à equipa naquele período particularmente decisivo, quando o F. C. Porto se preparava para o mês de março. Logo na estreia disse muito, ao conquistar um penálti fora de casa, diante do V. Guimarães. Entrou a partir do banco e ajudou de imediato a equipa.
4. O golo
O golo de Fofana em Braga foi um dos mais decisivos, num mês e num jogo especialmente difíceis. Teve uma influência enorme. Parecia chegar como alternativa a Froholdt, mas revelou ser muito mais do que isso. É um jogador com classe, passada larga, golo e intensidade.
Álvaro Magalhães, escritor
1. O momento
O triunfo em Alvalade transmitiu confiança à equipa e deu-lhe uma perceção de superioridade que parecia impensável. Nem os próprios portistas a tinham, porque o Sporting era campeão e apresentava-se como uma equipa estruturada. O resultado foi importante para o ego coletivo, trouxe uma nova noção de superioridade e mostrou que a equipa podia vencer, algo improvável numa formação reconstruída. A partir daí, não voltou a vacilar até ao fim da primeira volta, num impulso muito importante.
2. A figura
Froholdt foi o coração e o dínamo da equipa. Tornou-a intensa e equilibrada, capaz de pressionar alto, sendo a peça-chave da engrenagem, ao ponto de existir receio de uma eventual lesão. Percebeu-se que, quando não estava bem fisicamente, a equipa emperrava e perdia criatividade, algo surpreendente num jogador de 19 anos.
3. A revelação
Froholdt também é, inevitavelmente, uma revelação, porque ninguém esperava tanto tão cedo. Foi praticamente automático, apesar de ainda não ter provas dadas. Ainda assim, para revelação escolheria igualmente William Gomes, muito útil para a equipa. Já era conhecido da época passada, mas ainda não tinha explodido, o que o torna uma revelação. Houve ocasiões em que salvou a equipa, como diante do Sporting.
4. O golo
O golo de William Gomes frente ao Arouca, no Dragão e já nos descontos, foi decisivo. A partida estava empatada quando marcou e sentia-se a dúvida no estádio. Foi um momento em que os adeptos sentiram a fragilidade da equipa e que surgiu como um milagre: muito celebrado e um golo saboroso.
Por Daúto Faquirá, treinador de futebol
1. O momento
A vitória em Alvalade, perante uma equipa consolidada como o Sporting, foi um momento-chave. O F. C. Porto vinha de uma época bastante conturbada e alcançou um triunfo que lhe deu impulso e confiança numa fase importante. Era uma equipa nova que, ao vencer em Alvalade, provou ser um concorrente direto credível na disputa pelo título.
2. A figura
Diogo Costa foi decisivo em alguns momentos, algo que voltou a ser visível na Amadora, onde conseguiu segurar a equipa. Foi o expoente máximo do setor em que residiu a grande arma do F. C. Porto: a consistência defensiva. Depois de uma primeira fase de pressão, se não recuperasse a bola, a equipa baixava o bloco e passava a atuar numa linha mais próxima da própria área. Ainda assim, Diogo Costa mostrou-se intransponível em vários momentos e esteve sempre presente.
3. A revelação
Froholdt foi a revelação, embora William Gomes também pudesse merecer essa distinção. Froholdt chegou ao clube nesta época e foi determinante em muitos jogos, pela qualidade técnica, pelo impacto físico, pela energia colocada em campo, pela maneira como transportou o jogo e pressionou em zonas adiantadas, coroando tudo isso com golos decisivos.
4. O golo
O golo de Fofana em Braga foi fundamental, tanto pelo jogador como pelo simbolismo. Também evidenciou outro dos pontos fortes do F. C. Porto: o mercado de janeiro. Pela forma como foi festejado, foi um golo de afirmação, que demonstrou a força portista e retirou moral e ambição aos adversários diretos na luta pelo título.
Ricardo Sousa, treinador de futebol
1. O momento
Destaco o mercado de inverno do F. C. Porto e a visão de André Villas-Boas ao contratar, sobretudo, jogadores como Fofana e Thiago Silva. Sentia-se a falta de experiência e intensidade, e a aposta nestes dois tornou o plantel mais compacto, consolidando a equipa. Trouxe profundidade, maior consistência e capacidade de rotação. O mercado de inverno raramente produz resultados, mas André Villas-Boas contratou peças-chave. E não foram apenas duas, porque Moffi e Pietuszewski também se revelaram decisivos.
2. A figura
Bednarek, pela liderança exercida na defesa e na equipa, fez lembrar muito o carisma de Jorge Costa. Sendo um jogador novo no clube, isso foi particularmente surpreendente. A sua liderança correspondia a uma lacuna que o F. C. Porto tinha e que ele preencheu de forma muito forte e consistente, à imagem daquilo a que o clube estava habituado e de que sentia falta.
3. A revelação
Froholdt, pela enorme capacidade demonstrada, pelo coração que colocou em campo e pela força para conduzir o F. C. Porto de trás para a frente. Surpreendeu para um jovem de 19 anos, mas desde a pré-época se percebeu que o F. C. Porto tinha assegurado um talento puro.
4. O golo
O golo de Fofana em Braga foi importante porque o F. C. Porto vinha de um empate na Luz, no qual tinha perdido dois pontos. Ganhar em Braga revelou-se crucial para manter o Sporting à distância, depois de ter estado em desvantagem. O F. C. Porto empatou e deu a volta ao resultado com aquele golo de Fofana, que teve enorme importância.






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