A BYD conta com pouco mais de 20 anos de atividade enquanto fabricante automóvel, mas mantém um ritmo de expansão recordista. Depois de conquistar a liderança na China, tornou-se, em 2025, a maior fabricante mundial de carros elétricos, ultrapassando a Tesla. O avanço estende-se à Europa, incluindo Portugal: comercializou 186 612 unidades, um aumento de 276% face a 2024, e voltou a registar uma subida muito expressiva em janeiro de 2026, de 173% em comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Contudo, este forte crescimento europeu não está a ser sustentado por modelos elétricos, como previa o plano inicial, mas pelos híbridos plug-in. Esta alteração pode ser entendida como uma forma de evitar as tarifas europeias aplicadas aos elétricos fabricados na China. Ainda assim, a estratégia revelou-se acertada: em 2025, o BYD Seal U DM-i foi o híbrido plug-in mais vendido na Europa, à frente do Volkswagen Tiguan.
A marca vai manter a aposta nos híbridos plug-in ao longo de 2026. Isso não significa que os modelos 100% elétricos tenham ficado para trás, já que haverá novidades tanto na gama como na presença industrial.
Híbridos plug-in em força
Para prolongar o crescimento em 2026, a BYD reforçará a estratégia assente na tecnologia DM-i (Dual Mode – intelligent). A ofensiva arrancou logo no início do ano com o Atto 2 DM-i, o único híbrido plug-in do seu segmento e o novo ponto de entrada da marca nesta tecnologia.
O conjunto formado pelo motor a gasolina de 1,5 litros e pelo motor elétrico disponibiliza uma potência máxima combinada de 156 kW (212 cv). Com uma bateria de 18 kWh, anuncia até 90 km de condução exclusivamente elétrica, segundo o ciclo WLTP, e mais de 1000 km de autonomia total. Em Portugal, os preços arrancam nos 33 990 euros e já o testámos:
A BYD deverá apresentar mais quatro novidades híbridas plug-in em 2026. Acima do Atto 2 deverá posicionar-se o BYD Sealion 5 DM-i, um SUV do segmento C colocado entre o Atto 3 e o Seal U, de maior dimensão. Utiliza o mesmo sistema de propulsão do Seal 6 DM-i, com 212 cv combinados e autonomias elétricas que podem atingir 85 km. A comercialização em Portugal ainda não foi confirmada, embora o modelo já esteja disponível no Reino Unido.
Mais acima na oferta estará o BYD Sealion 8 DM-i, um SUV de grandes dimensões com capacidade para até sete ocupantes. Já é vendido em alguns mercados internacionais em duas configurações: uma de tração dianteira, com 272 cv e bateria de 19 kWh; e outra de tração integral, com 488 cv e bateria de 35,6 kWh. Será uma proposta familiar híbrida plug-in para um segmento dominado por modelos como o Hyundai Santa Fe, mantendo a aposta em elevada autonomia elétrica e eficiência.
A relevância da tecnologia híbrida plug-in para o crescimento da BYD na Europa torna-se ainda mais evidente no Dolphin G - designação interna, uma vez que o nome definitivo ainda não é conhecido -, cujo lançamento está previsto para mais perto do fim do ano.
Este será o primeiro BYD pensado especificamente para a Europa, em vez de resultar da adaptação de um modelo destinado ao mercado chinês. Terá por base o Dolphin 100% elétrico e recorrerá ao sistema de propulsão do Atto 2 DM-i. A meta é clara: competir com propostas como o Volkswagen Golf e-Hybrid, um dos híbridos plug-in do segmento com maior autonomia em modo 100% elétrico.
Por último, a BYD entrará no segmento europeu das pick-up com a Shark. Será também um modelo híbrido plug-in, equipado com tração às quatro rodas, praticamente 430 cv e uma bateria de 29,58 kWh. A autonomia elétrica deverá situar-se entre 70-80 km no ciclo WLTP. Terá um desafio exigente num segmento onde a Ford Ranger domina.
Os elétricos BYD continuam na estratégia
Embora os híbridos plug-in estejam a impulsionar as vendas, os modelos 100% elétricos continuam a ser fundamentais para a estratégia europeia da BYD. Não há lançamentos totalmente inéditos, mas dois dos seus principais modelos foram atualizados. O BYD Dolphin recebeu melhorias sobretudo ao nível do equipamento e do software. A gama passou a estar limitada à versão mais potente e com maior autonomia, com preços desde 35 990 euros: saiba mais detalhes seguindo esta ligação.
No BYD Atto 3, a evolução foi bastante mais profunda: adotou tração traseira, ganhou potência e recebeu uma bateria de maior capacidade, passando a oferecer mais de 500 km de autonomia elétrica. Saiba mais detalhes:
A outra novidade relativa aos elétricos da BYD não diz respeito ao produto, mas à geografia. O fabricante chinês iniciará a produção na nova fábrica de Szeged, na Hungria, durante o primeiro semestre. Entre os modelos previstos encontram-se o Dolphin Surf e o Atto 2, numa unidade cuja capacidade instalada poderá chegar a 300 mil unidades por ano. Em simultâneo, a fábrica turca deverá começar a montar o Seal U DM-i e, possivelmente, o Sealion 5 no final do ano.
Trata-se de mais uma resposta às tarifas impostas aos elétricos importados da China, bem como de um passo estratégico para tornar os preços mais competitivos e reforçar a presença local. A BYD chegou à Europa como fabricante de elétricos, está a expandir-se como especialista em híbridos plug-in e prepara-se agora para produzir como construtor europeu.






Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário