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Cerca de 300 pessoas protestam em Lisboa contra visita de Marco Rubio a Portugal

Manifestantes em Lisboa com placa vazia e bandeira de Portugal e Palestina numa manifestação pacífica.
Neste artigo
  1. Protesto em Lisboa contra a visita de Marco Rubio
  2. Cartazes, palavras de ordem e bandeiras
  3. Tensão entre manifestantes junto ao memorial
  4. Visita de Marco Rubio a Portugal prevista para quinta-feira

Protesto em Lisboa contra a visita de Marco Rubio

Cerca de 300 pessoas concentraram-se esta quarta-feira em Lisboa para contestar a visita a Portugal do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, agendada para quinta-feira.

Promovida pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), a manifestação decorreu sob o lema "Não à presença de Marco Rubio em Portugal" e teve início às 18 horas, no Largo de São Domingos, em Lisboa.

Entre as reivindicações ouvidas estiveram também o "Fim à guerra", o "Fim ao genocídio do povo palestiniano" e o "Fim à agressão a Cuba".

A presidente do Conselho Português para a Paz e Cooperação, Isabel Camarinha, sustentou que a deslocação de Rubio visa assegurar que Portugal "continua ajoelhado perante as imposições que os Estados Unidos (EUA), a NATO e a União Europeia" fazem ao país.

"É isso que nós estamos aqui a combater, estamos aqui a dizer que isso não pode continuar, que precisamos de garantir também a nossa soberania, a nossa independência nacional, cumprindo a nossa Constituição, que o que coloca é que, de facto, deve-se encontrar a resolução pacífica para os conflitos", continuou Isabel Camarinha.

A dirigente criticou ainda a intervenção militar dos EUA na Venezuela, que levou à captura do ex-presidente Nicolás Maduro, bem como as alegadas interferências nas eleições presidenciais brasileiras, cuja primeira volta se realizou no domingo passado.

"Esta é uma ação pública que pretende denunciar o papel que os Estados Unidos da América têm tido nesta escalada brutal da violência, da guerra, do confronto, da não resolução dos problemas através do diálogo e a agressão que é feita a muitos países no mundo", afirmou Isabel Camarinha, destacando o "genocídio na Palestina" e o "bloqueio brutal agravado este ano em Cuba".

Cartazes, palavras de ordem e bandeiras

Os participantes exibiam cartazes com o rosto de Rubio e mensagens como "Não é bem-vindo a Portugal" e "Paz no Mundo", enquanto gritavam "Free Palestine" ("Palestina livre", em português).

Muitos dos manifestantes agitavam também bandeiras da Palestina e de Cuba.

Para José Manuel Franco, de 80 anos, a visita do secretário de Estado norte-americano reforça a aproximação do Governo português à política externa de Washington.

"Acho [que o Governo] está cada vez mais próximo e nós vemos a vassalagem que é prestada", defendeu.

O octogenário, que se descreve como "favorável à paz" e "contra todas as guerras", responsabiliza os Estados Unidos pelos acontecimentos que desencadearam guerras em todo o Médio Oriente.

Tensão entre manifestantes junto ao memorial

Pouco depois de a concentração começar, cerca de 10 pessoas, com bandeiras de Israel e com a antiga bandeira do Irão, usada antes da Revolução Islâmica de 1979, reuniram-se para depositar flores no Memorial às Vítimas do Massacre Judaico de 1506. A homenagem foi dedicada às vítimas dos ataques do Hamas que causaram cerca de 1.200 mortos no sul de Israel.

Seguiram-se alguns momentos de tensão entre os vários manifestantes. O pequeno grupo, que transportava papéis com imagens de vítimas do ataque de 7 de outubro de 2023, que faz hoje três anos, entoava "Long live Israel" ("Longa vida a Israel", em português).

Um grupo de participantes no protesto contra a visita de Marco Rubio criou um pequeno cordão humano para separar as duas partes. Contudo, a troca de insultos entre ambos levou à intervenção de cerca de 25 agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP), que separaram os grupos.

"Nós estamos numa ação pela paz contra a guerra", disse José Silva, que integrava esse cordão humano.

O eletricista, de 65 anos, acusou os manifestantes pró-Israel, que se concentraram no largo depois de ter começado a ação contra a visita de Rubio em que participava, de provocarem os presentes.

"Estes senhores vêm para aqui sem que de alguma forma a ação deles esteja salvaguardada" e "têm a autorização de provocar quem está pela paz e contra a guerra", continuou.

"Esta é uma situação que de facto é insustentável", prosseguiu.

Apesar de alguns representantes do Conselho Português para a Paz e Cooperação, entidade que promoveu o evento, já discursarem num palco, as palavras de ordem entre os diferentes grupos mantiveram-se.

A manifestação terminou sem incidentes entre os grupos.

Visita de Marco Rubio a Portugal prevista para quinta-feira

Marco Rubio desloca-se a Portugal na quinta-feira para se reunir com as autoridades portuguesas e "avançar na cooperação em matéria de defesa, economia e tecnologia", anunciou na semana passada o Departamento de Estado norte-americano.

Em Lisboa, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos vai encontrar-se com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e com o seu homólogo, Paulo Rangel. Está igualmente prevista uma conferência de imprensa conjunta com o ministro dos Negócios Estrangeiros português.

Antes de chegar a Lisboa, Marco Rubio passou pela Islândia e pela Grécia. Em Atenas, a capital grega, milhares de pessoas saíram à rua na terça-feira para protestar contra a presença do representante norte-americano no país.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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