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Amnistia Internacional pede a Portugal recusa da Base das Lajes para crimes de guerra

Homem de casaco amarelo observa aeroporto pequeno junto ao mar enquanto consulta folhas em prancheta.
Neste artigo
  1. Amnistia Internacional pede recusa do uso da Base das Lajes
  2. Inquérito à utilização da base açoriana
  3. Marco Rubio e as condições para a Base das Lajes

Amnistia Internacional pede recusa do uso da Base das Lajes

A Amnistia Internacional (AI) defende que Portugal deve rejeitar a utilização da Base das Lajes para «crimes de guerra» e sustenta que o Governo português deve transmitir essa posição ao secretário de Estado norte-americano, cuja visita a Portugal está marcada para 8 de outubro.

Num comunicado enviado às redações, o diretor executivo da Amnistia Internacional em Portugal, João Godinho Martins, declarou: «Não podemos esperar mais. Chegou o momento de as autoridades portuguesas dizerem claramente à administração [do Presidente norte-americano, Donald] Trump que a Base das Lajes não pode ser usada para crimes de guerra». A tomada de posição foi divulgada na véspera da visita oficial de Rubio a Lisboa.

Para o responsável português da Amnistia Internacional, o Governo «não pode continuar a dar um contributo ativo para esta crise e deve transmitir a Marco Rubio a recusa do uso da Base das Lajes e do espaço aéreo nacional para apoiar operações militares norte-americanas no Irão». João Godinho Martins voltou a defender que, ao autorizar os Estados Unidos a recorrerem à Base das Lajes em operações militares direta ou indiretamente ligadas aos ataques, Portugal viola os seus compromissos internacionais.

Inquérito à utilização da base açoriana

Na sexta-feira, o Ministério Público instaurou um inquérito para averiguar a legalidade do uso da base açoriana pelos Estados Unidos, na sequência de uma queixa apresentada pelo Bloco de Esquerda (BE). Entregue em abril, a queixa solicitava à Procuradoria-Geral da República que verificasse se a utilização da Base das Lajes, nos Açores, pelos Estados Unidos da América cumpriu a lei, considerando simultaneamente que representa uma «grosseira violação do direito internacional».

«Independentemente de todas as vítimas civis, (...) Trump continua a mostrar-se disponível, descaradamente, para cometer crimes de guerra, ao afirmar que, se quisesse, "aniquilaria" o Irão, o que poderá constituir uma ameaça de genocídio», continuou o diretor executivo da ONG em Portugal. Na perspetiva de João Godinho Martins, Portugal «tem a responsabilidade e o dever moral de assegurar que não contribui para violações do direito internacional» e «pode e deve ser uma voz corajosa e firme no garante de um sistema internacional baseado em regras, e no direito internacional e dos direitos humanos».

«Nos termos do direito internacional, os Estados não devem, conscientemente, ajudar ou prestar assistência em violações do direito internacional, e têm a obrigação de assegurar o respeito pelo Direito Internacional Humanitário», acrescentou o dirigente da Amnistia Internacional.

Marco Rubio e as condições para a Base das Lajes

Durante a ofensiva contra o Irão, Marco Rubio destacou, em maio, Portugal como uma exceção e um aliado exemplar no seio da NATO, numa referência à utilização da Base das Lajes, que tem sido alvo de críticas por parte de partidos da oposição.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, tem repetido que o recurso à base militar permanece dependente de condições definidas previamente por Lisboa, entre as quais a obrigação de qualquer ação constituir uma resposta a um ataque e respeitar os princípios da necessidade e da proporcionalidade. O governante admite igualmente rever o acordo relativo à utilização das Lajes, embora apenas após o fim do conflito no Médio Oriente.

Na semana passada, o Departamento de Estado norte-americano informou que Marco Rubio pretende «reunir-se com as autoridades portuguesas e avançar na cooperação em matéria de defesa, economia e tecnologia» durante a sua deslocação a Lisboa. Na capital portuguesa, o secretário de Estado deverá reunir-se com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e com o seu homólogo, Paulo Rangel.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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