A porta-voz do Pessoas-Animais-Natureza (PAN), Inês Sousa Real, defendeu este sábado que, numa democracia, as “oposições internas” de todos os partidos devem ser respeitadas, embora também tenham de respeitar “quem o coletivo elege para os representar”.
“Não podemos esquecer-nos que, em democracia, as oposições internas têm que ser respeitadas, mas também têm que respeitar quem o coletivo elege para os representar e que, acima de tudo, também diz que está presente no congresso”, declarou Inês Sousa Real à agência Lusa, este sábado.
A deputada falava à Lusa à margem de uma iniciativa no Porto e sustentou que o PAN não pode aceitar que seja colocado em causa “o trabalho político que tem vindo a ser feito”. Acrescentou ainda que os eleitos não devem ser prejudicados “por aquilo que são os objetivos da oposição (...), que têm objetivos pessoais que não se concretizam com aquilo que são os objetivos do coletivo”.
Decisão do Tribunal Constitucional sobre o PAN
Para Inês Sousa Real, a decisão do Tribunal Constitucional (TC) é “manifestamente desproporcional”. “Nós estamos bastante tranquilos e, acima de tudo, com consciência tranquila. Nós respeitámos plenamente os mecanismos de democracia interna”, afirmou, assegurando que irá “aguardar com serenidade” pela decisão do TC.
O TC declarou ilegal uma parte do regulamento do mais recente Congresso do PAN e, por consequência, anulou a última eleição da direção partidária, na qual Inês de Sousa Real foi reconduzida como porta-voz. A deliberação consta de um acórdão do Tribunal Constitucional, consultado pela agência Lusa, datado de 13 de julho, na sequência de um pedido de impugnação apresentado pela militante do PAN Carolina Pia contra a eleição dos titulares dos órgãos internos do partido no X Congresso do PAN, realizado a 20 de dezembro de 2025, em Coimbra.
Na quinta-feira, o PAN anunciou que irá recorrer da decisão para o plenário do Tribunal Constitucional (TC).
Oposição interna pede novo Congresso do PAN
Também na quinta-feira, o movimento Transformar para Crescer, que se opõe internamente à atual direção do PAN, exigiu a demissão da porta-voz, Inês de Sousa Real, e defendeu a convocação de um novo Congresso com eleições internas.
No mais recente congresso, Inês de Sousa Real foi reeleita para um terceiro mandato na liderança do PAN, obtendo 69 dos 72 votos dos delegados e garantindo todos os lugares da Comissão Política Nacional.
“Solidária” com os alunos
No Porto, Inês Sousa Real manifestou-se também “solidária” com as famílias, os alunos e a comunidade docente perante os problemas na classificação dos exames nacionais. Apesar de reconhecer que reformar e avançar com a digitalização deste processo é “fundamente e precisa”, a líder partidária entende que a implementação deveria ter decorrido de forma mais gradual.
“Costuma-se dizer que depressa e bem não há quem e, de facto, aqui o ministro [da Educação] acabou por ter uma avaliação negativa naquilo que foi esta implementação deste processo”, afirmou.






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