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Milhares de alunos com notas em "suspenso" antes do acesso ao Ensino Superior

Jovem a estudar num computador portátil numa secretária com documentos e telemóvel junto à janela.
Neste artigo
  1. Notas em "suspenso" e acesso ao Ensino Superior
  2. Cerco a Montenegro
  3. Dúvidas continuam

A divulgação das pautas de classificação confirmou, no dia seguinte, que milhares de alunos continuam sem notas e com o seu futuro em "suspenso", embora muitos processos tenham sido regularizados durante o dia. O Ministério da Educação garantiu que nenhum estudante será penalizado no acesso ao Ensino Superior, mas ainda não clarificou de que forma o fará. A comunidade escolar mantém-se, por isso, num cenário de incerteza.

Notas em "suspenso" e acesso ao Ensino Superior

Persistem também dúvidas sobre os pedidos de reapreciação: os alunos ainda não conseguem consultar as provas e enfrentam um calendário apertado, já que a 2.ª fase arranca na terça-feira.

Num comunicado remetido às redações no início da noite, o Ministério confirmou que subsistem resultados em "suspenso" ou identificados com números negativos, acrescentando que irá comunicar às escolas os casos que continuarem nessa condição. Estão em causa exames que exigirão uma "análise complementar", por envolverem provas que foram "enviadas tardiamente pelas escolas, folhas de versão em falta (se o aluno realizou a versão 1 ou 2 da prova), folhas de continuação em falta e folhas de continuação em branco sem correspondência a um número convencional de aluno", refere a nota.

O Governo assegurou igualmente que já se encontra operacional a versão definitiva da plataforma para disponibilizar gratuitamente as provas em formato PDF. No entanto, continua sem existir uma indicação dirigida aos alunos que permanecem sem classificação.

A explicação, sem apresentar medidas concretas para resolver a situação, surgiu depois de a Provedoria de Justiça ter solicitado um "ponto de situação" ao Governo e alertado que a realização das provas "tem sido objeto de várias queixas", sobretudo por parte das famílias. O Ministério da Educação limita-se a dizer que a resolução depende da colaboração dos estabelecimentos de ensino. "O EduQA informará ainda hoje as escolas sobre as classificações que permanecem com a menção "suspenso" e cuja resolução carece de informação adicional por parte dos estabelecimentos de ensino, tendo em vista a sua resolução definitiva", declara a tutela.

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, reclamou instruções objetivas para os diretores. Criticou ainda os "ralhetes" feitos pelo Ministro da Educação, na sexta-feira à noite, numa entrevista à SIC, quando avisou que pediria explicações às escolas que tinham encerrado já durante a noite.

Cerco a Montenegro

As críticas da Oposição multiplicaram-se, com um destinatário principal. José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, pediu ao primeiro-ministro que revele quantos alunos têm classificações suspensas e que assegure que nenhum será lesado na candidatura ao Ensino Superior. Paulo Raimundo, do PCP, atribuiu igualmente responsabilidades a Luís Montenegro e considerou que o ministro da Educação demonstrou falta de coragem e verticalidade perante "a bronca". Mariana Leitão, por sua vez, sustentou que o processo de correção expôs a teimosia e a incompetência de Fernando Alexandre, exigindo respostas para os problemas.

Dúvidas continuam

Os dias seguintes serão uma corrida contra o tempo para os alunos. Perante a incerteza que marcou todo o processo, antecipa-se um elevado número de pedidos de reapreciação das classificações na segunda-feira, junto das secretarias das escolas. Porém, os estudantes ainda não receberam as provas para consulta: apesar de esse acesso ter sido anunciado como automático, há escolas que exigem um pedido prévio.

Também na segunda-feira termina o prazo de inscrição na 2.ª fase dos exames nacionais. A segunda chamada inicia-se na terça-feira com a prova de Português, uma das que reúne mais alunos inscritos.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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