Caos nos exames do Secundário
- O Governo não gosta de ouvir a palavra "caos" associada ao processo de digitalização e correção dos exames do Secundário. É compreensível que procure afastar essa interpretação, mas não há como aceitar uma versão diferente dos factos. A Infopédia define "caos" como "Desordem; balbúrdia; confusão". Quem acompanhou os acontecimentos das últimas semanas reconhece facilmente a exatidão desta descrição, mesmo que apoie a digitalização e os novos procedimentos.
É possível confiar no processo e no Governo, mas negar o que aconteceu não serve de nada. Nos últimos dois dias, vimos diretores ameaçados em televisão, escolas culpadas pelo atraso no envio dos exames, notas divulgadas já pela noite dentro e alunos inquietos perante classificações pendentes. Tudo isto corresponde à definição de "caos". Qualquer pessoa razoável espera que a tempestade passe e dê lugar à bonança, permitindo que as candidaturas ao Superior decorram sem incidentes. Ainda assim, seja através de auditorias ou de inquéritos parlamentares, importa apurar o que falhou e determinar responsabilidades técnicas e políticas.
Combustíveis, inflação e crise económica
- Existe outra crise a pairar sobre o país, que se intensifica amanhã com a subida dos preços dos combustíveis. O gasóleo e a gasolina regressam ao nível dos dois euros. O impacto no orçamento de milhões de pessoas é imediato, mas os riscos a médio prazo são ainda mais graves. Quando a energia encarece e permanece cara, os preços aumentam em cadeia, agravando a inflação. Daí resultam taxas de juro mais altas, maiores dificuldades para os cidadãos pagarem a prestação da casa e para as empresas conseguirem financiamento.
O custo de vida sobe e a economia abranda. A possibilidade avançada pela ministra do Ambiente, de fixar os preços dos combustíveis, está prevista na lei e seria útil. Porém, teria um alcance limitado e não nos resguardaria da imprevisibilidade de Trump, de uma guerra sem fim à vista e do "caos" económico, ao qual se seguem quase sempre a desordem social e a confusão política.






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