A GNR apreendeu 2,7 toneladas de cocaína e quatro armas de guerra numa operação realizada no centro do país. A intervenção começou às quatro da manhã de quarta-feira, na Praia da Costinha, onde estava a decorrer um desembarque de droga.
A Operação Atalaia permitiu desmantelar uma rede criminosa que alegadamente se preparava para fazer entrar estupefacientes em Portugal e também no mercado europeu, revelou esta quinta-feira o porta-voz da GNR, tenente-coronel Carlos Canatário.
Na quarta-feira, a Guarda Nacional Republicana identificou 20 estrangeiros, com idades entre os 20 e os 44 anos, e deteve sete pessoas. Quatro foram detidas por tráfico de droga e posse de arma de guerra proibida, enquanto as outras três foram detidas por permanência ilegal no país.
Operação Atalaia na Praia da Costinha
Pouco depois das quatro da manhã de quarta-feira, militares da GNR deslocaram-se à Praia da Costinha, no concelho da Figueira da Foz. No local, encontraram uma viatura que estava a ser carregada com cocaína e duas armas de fogo, explicou o tenente-coronel Carlos Canatário.
As pessoas que procediam ao carregamento "fugiu do local e deixou para trás todo o material", afirmou. O responsável classificou a operação policial como sendo "de particular importância", considerando a quantidade de cocaína apreendida, os indivíduos detidos e a natureza criminosa do caso.
Pouco tempo após a ação na Praia da Costinha, os militares intercetaram 12 pessoas que andavam de madrugada "a deambular pela Tocha", uma localidade próxima. Alguns conseguiram, contudo, fugir e refugiar-se numa habitação. A casa foi cercada pelos agentes, que detiveram quatro pessoas "com armas de fogo longas semelhantes às aprendidas na praia" e ainda 1,8 toneladas de cocaína, acrescentou o porta-voz. Carlos Canatário sublinhou que a Operação Atalaia resultou, no total, na apreensão de 2,7 toneladas.
Em Quiaios, nas proximidades, os agentes localizaram uma embarcação e uma viatura com matrícula falsa, com "indícios de ter circulado nas praias". Sobre esta viatura pendia ainda um alerta de apreensão emitido pela Suíça.
No total, a GNR apreendeu seis viaturas, uma embarcação e quatro armas de fogo de calibre de guerra, AK47, "conhecidas por kalasnikov", que se encontravam carregadas.
Várias operações em Portugal
Carlos Canatário referiu que, nos últimos meses, a GNR tem levado a cabo várias operações que resultaram na apreensão de droga, armas de guerra, lanchas e equipamento progressivamente mais sofisticado.
A maior parte dos desembarques de droga tem acontecido mais a sul de Portugal, sendo o caso agora detetado "relativamente novo", devido à zona em que ocorreu.
De acordo com o tenente-coronel Carlos Canatário, esta situação poderá resultar das "pressões de vigilância e controlo nas rotas" exercidas pelas autoridades espanholas, bem como pelas do "centro e norte da Europa". Essas pressões levam os criminosos a "estudar e adaptar as suas rotas".
Portugal acaba, assim, por ser o destino selecionado: "Se sabemos que determinada porta está mais controlada, é natural que se tente outra".
O responsável admitiu que, nos últimos tempos, passou a verificar-se "desembarque de estupefacientes em toda a costa". Acrescentou que tem sido feita uma avaliação do risco e uma adaptação do dispositivo policial perante novos fenómenos.
Populares ajudaram a detetar atividade suspeita
A Operação Atalaia contou também com o apoio de populares, que alertaram as autoridades para algo estranho que estaria a acontecer.
Na conferência de imprensa, realizada na sede da GNR, em Lisboa, Carlos Canatário pediu igualmente à população que denuncie atividades suspeitas. Recordou que "este alerta pode muitas das vezes ser um contributo fundamental" para o combate ao crime e para criar uma maior sensação de segurança na população.






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