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Netanyahu promete continuar a acertar contas com o Hamas no terceiro aniversário de 7 de Outubro

Mulher acende vela em memorial com fotos e bandeiras de Israel, com debate político a acontecer em ecrã gigante ao fundo.
Neste artigo
  1. Netanyahu promete continuar a «acertar contas» com o Hamas
  2. Homenagens às vítimas dos ataques de 7 de Outubro
  3. O aniversário dos ataques do Hamas no debate eleitoral

Netanyahu promete continuar a «acertar contas» com o Hamas

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou esta quarta-feira que continuará «a acertar contas» com os «monstros do Hamas», numa mensagem divulgada no terceiro aniversário dos ataques liderados pelos islamitas palestinianos no sul de Israel.

«A nação une-se neste dia na saudade dos nossos entes queridos. Cumprimos a nossa missão: acertámos contas e continuaremos a acertar contas com todos os assassinos», declarou o líder israelita, numa referência à operação militar de grande escala conduzida na Faixa de Gaza desde 7 de outubro de 2023.

Na breve mensagem, Netanyahu revelou ter acendido hoje uma «vela memorial» no seu gabinete, em Jerusalém, «em memória de cada vítima assassinada no dia 7 de outubro pelos monstros do Hamas».

Este é o primeiro ano em que Israel assinala os ataques de 7 de Outubro - que causaram cerca de 1200 mortos no sul do país - após o cessar-fogo alcançado há um ano com o Hamas e a libertação dos últimos reféns que estavam detidos pelas milícias palestinianas.

Apesar da trégua, os confrontos mantêm-se. Três palestinianos morreram hoje em ataques aéreos israelitas na Faixa de Gaza, segundo diversas fontes locais citadas pela agência France-Presse (AFP).

Em comunicado, o exército israelita indicou ter «neutralizado» dois «terroristas». Um deles é acusado de ter colocado explosivos no Hospital Kamal Adwan, no norte da Faixa de Gaza, enquanto o outro foi apontado como membro do braço armado do Hamas, apesar de ter sido apresentado como funcionário da Defesa Civil do território.

Homenagens às vítimas dos ataques de 7 de Outubro

Em simultâneo, Israel prestou homenagem às vítimas do 7 de Outubro através de várias cerimónias e iniciativas públicas. Uma das mais simbólicas foi o minuto de silêncio realizado em Reim às 6h29 locais, 4h29 em Portugal continental, o momento exato em que começou o massacre no festival de música Nova, onde morreram mais de 300 pessoas.

Estas homenagens diferem dos atos oficiais agendados pelo Governo para 5 de outubro, data escolhida para fazer coincidir a comemoração com o aniversário no calendário hebraico.

Três anos depois, persistem em Israel os apelos à criação de uma comissão de inquérito independente sobre o 7 de Outubro, uma exigência que o primeiro-ministro tem recusado até agora. A data foi também marcada por protestos.

Em Telavive, ativistas desenharam silhuetas na praia para representar as vítimas e exigiram que fossem apuradas responsabilidades pela falha na prevenção dos ataques. A iniciativa decorreu numa altura em que Netanyahu tem divulgado sucessivos desmentidos sobre alegados avisos prévios recebidos dos Emirados Árabes Unidos e do Egito quanto à iminência dos ataques.

A imprensa israelita noticiou ainda que ativistas tingiram de vermelho a icónica fonte da praça Dizengoff, em Telavive. Houve também manifestações em várias localidades do país, incluindo protestos junto das residências de membros do Governo.

Ao meio-dia, o Conselho de Outubro, grupo que reúne sobreviventes dos ataques e famílias afetadas, observou igualmente um minuto de silêncio em todo o país.

A principal cerimónia organizada por sobreviventes e familiares está prevista para esta noite, no centro de Telavive, por iniciativa da organização Kumu (Ergue-te).

O aniversário dos ataques do Hamas no debate eleitoral

A menos de um mês das eleições legislativas de 27 de outubro - as primeiras desde os ataques do Hamas, o início da guerra na Faixa de Gaza e a abertura de outras frentes de conflito na região - os adversários de Netanyahu aproveitaram a data para denunciar «um fracasso colossal do Estado», nas palavras de Naftali Bennett. O ex-primeiro-ministro e líder da coligação Juntos esteve também hoje em Reim.

O principal rival de Netanyahu, o antigo chefe das forças armadas Gadi Eisenkot, que lidera o Yashar e surge à frente na maioria das sondagens, deslocou-se igualmente àquela zona do sul de Israel. Eisenkot visitou um abrigo antibomba que foi atacado durante o 7 de Outubro, acompanhado por uma colega do partido que perdeu ali um filho nos ataques do Hamas.

Eisenkot, que subscreveu um acordo com outros líderes da oposição, também perdeu um filho em combate contra o Hamas, nos primeiros meses da guerra na Faixa de Gaza.

Embora concorram em listas separadas, os principais dirigentes da oposição defendem a «reparação e reconstrução» após o 7 de outubro. Entre as medidas propostas estão a criação de uma comissão oficial de inquérito e o fim das isenções do serviço militar obrigatório para os ultraortodoxos.

Esta política antiga tem gerado indignação entre a maioria secular em tempo de guerra e é usada pelos opositores para acusar Netanyahu de pôr em causa as instituições democráticas do país.

«As eleições mais decisivas da história do Estado de Israel são «entre assumir a responsabilidade e fugir à responsabilidade», escreveu Eisenkot na rede social X. Por seu lado, o Likud, de Netanyahu, adotou o lema «a direita ou a Palestina», sugerindo que os adversários do primeiro-ministro pretendem retirar militarmente da Faixa de Gaza, do Líbano, da Síria e da Cisjordânia, bem como aceitar o Estado palestiniano.

Nos últimos dias, o chefe do executivo israelita tem alertado para a possibilidade de ataques contra o país antes das legislativas. Netanyahu enfrenta sondagens desfavoráveis, embora os estudos de opinião não atribuam a qualquer um dos blocos - de apoio ao Governo ou da oposição - uma maioria suficiente para controlar o parlamento.

A guerra na Faixa de Gaza teve início após os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, no sul de Israel, que provocaram cerca de 1.200 mortos e resultaram em 251 pessoas feitas reféns.

Como resposta, Israel lançou uma operação militar de grande escala no enclave, que causou mais de 74 mil mortos, de acordo com as autoridades locais controladas pelo Hamas. A ONU considera fiáveis estes números.

A ofensiva israelita provocou também uma catástrofe humanitária, destruiu quase todas as infraestruturas do território e obrigou centenas de milhares de pessoas a deslocarem-se. O conflito alastrou ainda a várias regiões do Médio Oriente.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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