Portugal registou um aumento do número de habitantes e alcançou o máximo histórico de 11 424 031 residentes, mas este crescimento depende quase inteiramente da imigração. Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que a entrada de cidadãos estrangeiros - que representam agora 14% da população do país - continua a anular o saldo natural negativo, isto é, a situação em que as mortes superam os nascimentos.
Após a revisão das estimativas da população residente, Portugal passou igualmente a ocupar a nona posição entre os países mais populosos da União Europeia. O país ultrapassou a Suécia e a Chéquia num ranking encabeçado pela Alemanha (83,5 milhões de habitantes), pela França (68,8 milhões) e pela Itália (58,9 milhões).
Imigração em Portugal atenua o envelhecimento
Embora a chegada de imigrantes em idade ativa tenha permitido um ligeiro rejuvenescimento demográfico e reforçado o grupo em idade de trabalhar, Portugal mantém-se entre os Estados-membros mais envelhecidos da União Europeia. De acordo com o Eurostat, é o segundo país com a idade mediana mais alta, apenas superado pela Itália e a par da Bulgária, numa realidade que reflete a persistência da baixa natalidade e o aumento da esperança de vida. Em Portugal existem 189 idosos por cada cem jovens.
Natalidade cresce com mães estrangeiras
O aumento dos nascimentos é explicado, em larga medida, pelas mães de nacionalidade estrangeira. Em 2025, os partos cresceram 3,7%, atingindo 87 130, enquanto o peso dos partos de mães estrangeiras passou de 26,3% para 28,8% do total. O INE salienta que esta evolução foi determinante para a recuperação da natalidade depois da descida verificada no ano anterior.
23% são idosos
Entre 2021 e 2025, a composição etária continuou a revelar uma população envelhecida, apesar de algumas mudanças pouco acentuadas. A percentagem de jovens até aos 14 anos recuou de 13% para 12,4%, ao passo que a população em idade ativa subiu de 63,7% para 64,3%. A população idosa, por sua vez, permaneceu estável e correspondeu a cerca de 23% dos habitantes.
Em apenas quatro anos, o número de estrangeiros residentes mais do que duplicou, com um acréscimo superior a 849 mil pessoas, mas a sua distribuição pelo território não é uniforme. Em 27 concelhos, os imigrantes representam já mais de um quinto da população residente. Odemira destaca-se, com estrangeiros acima de metade dos habitantes (52,1%). Seguem-se Vila do Bispo (41,7%), Ferreira do Alentejo (30,2%), Amadora (27,6%) e Odivelas (27,1%), evidenciando a elevada concentração na Grande Lisboa, no Algarve e em zonas do Alentejo.
Algarve sobe
A relação abrange também municípios vocacionados para o turismo, incluindo Albufeira, Lagos e Loulé, bem como concelhos agrícolas do Baixo Alentejo, como Beja, Moura, Serpa e Ferreira do Alentejo, onde existe procura de trabalhadores.
Em valores absolutos, o Algarve foi a região que registou o maior crescimento de residentes, com 13,8%, seguindo-se a Península de Setúbal (12,8%), a Grande Lisboa (10,6%) e o Oeste e Vale do Tejo (9,7%). Estas regiões ganharam atratividade.






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