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Descoberta revela como a força da água pode ter construído as pirâmides do Egito

Mulher numa tumba antiga do Egito toca água num canal, com tablet e caderno ao lado.
Neste artigo
  1. De que forma funcionaria o alegado sistema hidráulico egípcio?
  2. Que pirâmides poderão ter sido erguidas com esta metodologia?
  3. De onde chegava a água necessária no deserto?
  4. Porque é que alguns arqueólogos contestam esta teoria?
  5. Qual será o futuro desta investigação arqueológica?

A engenharia do Antigo Egito tem suscitado, desde sempre, grandes enigmas sobre a deslocação de estruturas gigantescas em pedra. Uma perspetiva científica recente sugere que a força da água terá sido usada para mover esses blocos pesados. Esta notável descoberta vem renovar por completo os debates arqueológicos da atualidade.

De que forma funcionaria o alegado sistema hidráulico egípcio?

Investigações recentes apontam para o planeamento de complexas estruturas internas por parte dos construtores da Antiguidade. Segundo os investigadores, uma barragem nas imediações poderia conduzir o caudal de água até poços situados no interior do monumento. Este dispositivo teria facilitado a elevação de cargas colossais numa era tão distante.

A pressão da água acionaria um flutuador, desempenhando uma função comparável à de um elevador moderno. À medida que os canais internos eram cheios, pedras de peso extremo subiriam progressivamente. A hipótese transforma a forma como entendemos as capacidades técnicas deste povo africano.

As análises destacam componentes essenciais deste complexo arqueológico:

  • Caudal contínuo: a água penetrava nos eixos centrais de elevação.
  • Blocos maciços: eram erguidas rochas com centenas de quilogramas.
  • Flutuadores internos: mecanismos especiais suportavam a carga em flutuação.
  • Elevador hidráulico: o sistema elevava continuamente os materiais.
  • Planeamento prévio: os engenheiros antigos definiam percursos rigorosos para a captação de água.

Que pirâmides poderão ter sido erguidas com esta metodologia?

O estudo centrou-se, numa primeira fase, na célebre pirâmide de degraus do faraó Djoser, em Sacará. Por ser o mais antigo dos grandes monumentos egípcios, este edifício tinha dimensões sem precedentes para o seu tempo. Os vestígios levaram os cientistas a avançar com esta tese revolucionária sobre o passado.

Os especialistas tencionam agora apurar se outros monumentos monumentais recorreram igualmente a técnicas semelhantes. Admite-se que o modelo de construção tenha sido reproduzido em Gizé. Esta possibilidade altera as perspetivas tradicionais sobre a civilização antiga que viveu nesta região africana.

Em baixo, encontra-se um vídeo do canal NBC News no YouTube que desenvolve os pontos abordados neste tema:

De onde chegava a água necessária no deserto?

Uma questão frequente prende-se com a disponibilidade de água num território que hoje é desértico. Os autores defendem que, há milhares de anos, as condições climáticas eram inteiramente diferentes. A paisagem apresentava traços de savana húmida e recebia elevados índices de precipitação regular nessa época.

Transformação climática: o Sara verdejante

No passado, a região dispunha de cursos de água regulares, que abasteciam os reservatórios artificiais construídos pelos egípcios junto das zonas de obra.

Este fornecimento hídrico constante permitiria conservar a pressão interna indispensável ao funcionamento permanente dos poços de elevação vertical.

Embora atualmente este cenário pareça improvável, as provas geológicas apoiam as transformações ambientais ocorridas no norte do continente. O caudal regular responderia às exigências da avançada engenharia hidráulica da zona. Essa disponibilidade de água tornou possível a construção de grandes monumentos na região.

Os principais fatores climáticos assinalados incluem:

  • Existência de chuvas intensas durante o período de construção.
  • Predomínio de vegetação de savana no território de então.
  • Canais naturais ativos que abasteciam os poços.

Porque é que alguns arqueólogos contestam esta teoria?

Apesar dos elementos apresentados, a comunidade mais tradicional mantém ceticismo quanto à aplicação prática da hidráulica. Especialistas universitários salientam que não existem registos históricos deste género de tecnologia mecânica. A inexistência dessa documentação fragiliza o argumento central dos atuais defensores desta ideia.

Há ainda um obstáculo técnico relacionado com as características geológicas do terreno arenoso. Os críticos avisam que as estruturas sofreriam grandes perdas de água por infiltração no deserto. Essa fuga tornaria impossível manter a pressão estável necessária para elevar as rochas monumentais.

Os principais argumentos contrários apresentados pela comunidade académica são:

  • Ausência de provas diretas da utilização de pressão hidráulica.
  • Infiltração acentuada de água provocada pela porosidade do solo arenoso.
  • Falta de instrumentos arqueológicos que confirmem a existência desta maquinaria.

Qual será o futuro desta investigação arqueológica?

Os investigadores prosseguem a procura de indícios materiais que possam consolidar este modelo inovador. O levantamento das fundações internas de Sacará poderá revelar informação surpreendente sobre os processos de construção. O objetivo é esclarecer, de forma conclusiva, as dúvidas ainda existentes na comunidade científica internacional.

Enquanto novas descobertas não forem confirmadas no terreno, o grande mistério das pirâmides egípcias continuará bem vivo. Cada hipótese recente põe à prova o conhecimento atual e incentiva debates muito ricos sobre o passado. O enigma destes colossos de pedra permanece fascinante para estudiosos do mundo inteiro.

Leia também: Descoberta sobre o sistema hidráulico nas pirâmides do Egito

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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