A Grande Muralha Verde é uma iniciativa africana destinada a recuperar terrenos degradados no Sahel, a faixa semiárida situada a sul do Deserto do Sara. A proposta começou por envolver 11 países e assentava numa imagem marcante: criar um corredor verde com cerca de 8 000 km, entre o Senegal e o Djibuti. Actualmente, o projecto não se limita à plantação de árvores, abrangendo também a recuperação dos solos, a agricultura adaptada à seca e a criação de rendimentos para as comunidades rurais.
O que é a Grande Muralha Verde?
A Grande Muralha Verde é um programa conduzido por países africanos para combater a desertificação, a perda de solos férteis e a insegurança alimentar. Embora a ideia original previsse uma faixa contínua de árvores ao longo do continente, o projecto evoluiu para um mosaico de zonas recuperadas.
Este mosaico reúne árvores autóctones, pastagens reabilitadas, hortas comunitárias, sistemas agroflorestais e métodos tradicionais de gestão da água. A finalidade não passa por “segurar” o Sara como se de um muro de betão se tratasse, mas por reforçar o Sahel para que a terra possa voltar a produzir.
Que países participam na muralha de 8 000 km?
O grupo inicial integra 11 países da região sahelo-saariana: Senegal, Mauritânia, Mali, Burkina Faso, Níger, Nigéria, Chade, Sudão, Eritreia, Etiópia e Djibuti. Cada país lida com problemas específicos, incluindo seca, pressão sobre as pastagens, erosão, pobreza rural e migração forçada.
No terreno, a Grande Muralha Verde assenta em intervenções locais em cada território:
- Plantação de espécies adaptadas a climas secos.
- Recuperação de terrenos agrícolas abandonados.
- Protecção de árvores jovens contra o gado e o abate prematuro.
- Recolha de água da chuva através de pequenas estruturas no solo.
- Apoio a agricultores, pastores e cooperativas rurais.
Porque avança o Sara sobre o Sahel?
A degradação que avança no Sahel não resulta de uma única causa. A região é afectada por períodos de seca, temperaturas mais elevadas, exploração intensiva da terra, desflorestação, crescimento populacional e conflitos que dificultam a gestão sustentável dos recursos naturais.
À medida que o solo perde cobertura vegetal, aquece mais, retém menos água e torna-se mais exposto ao vento. Quando chove, a água escoa depressa em vez de se infiltrar. Este ciclo diminui a fertilidade, fragiliza as culturas e leva as famílias rurais para zonas cada vez mais vulneráveis.
Como é construída, na prática, esta muralha verde?
A construção não corresponde a uma linha perfeita de árvores observável do espaço. Em muitas zonas, a solução mais eficaz consiste em proteger rebentos nativos já existentes no solo, deixando que raízes antigas voltem a desenvolver árvores e arbustos, sem depender exclusivamente de novas mudas.
As técnicas mudam consoante o país, o tipo de solo e a água disponível:
- Regeneração natural assistida, com a preservação de árvores que surgem espontaneamente.
- Plantação de acácias, balanites e outras espécies resistentes à seca.
- Utilização de cordões de pedra para abrandar o escoamento das águas.
- Pequenas bacias de plantação para concentrar água junto das raízes.
- Articulação entre árvores, culturas agrícolas e criação de animais.
Porque é importante este projecto para lá de África?
A Grande Muralha Verde é relevante porque une clima, alimentação, água e estabilidade social numa das regiões mais vulneráveis do planeta. Quando o solo recupera a capacidade de produção, as comunidades rurais passam a dispor de mais alimentos, sombra, madeira obtida de forma controlada, pastagens e rendimentos locais, diminuindo a pressão sobre áreas já degradadas.
O desafio continua a ser muito grande: financiamento irregular, insegurança em partes do Sahel e falhas na monitorização atrasam os resultados. Ainda assim, a muralha verde mantém-se como um dos maiores símbolos mundiais de recuperação ambiental, ao transformar o combate à desertificação num trabalho feito no terreno, árvore a árvore, hectare a hectare.






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