O encontro anual da rede Aerowaves, Spring Forward 2026, junta durante quatro dias, em Guimarães, 250 programadores de dança contemporânea vindos de todo o mundo. O festival arrancou com uma marioneta de gelo em movimento.
Cidália dos Pirulitos, instalada no Largo do Toural, em Guimarães, observava intrigada uma enorme excursão, composta por centenas de pessoas de vários pontos do mundo - incluindo um sósia de Mr. Miyagi -, que percorria a cidade. "Já ontem andavam todos de papéis ao peito e atrás de uma bandeira branca", reparava.
Mas não se trata de turistas convencionais. São responsáveis de peso pela programação de dança europeia, reunidos pela primeira vez em Portugal para a 15.ª edição do Spring Forward, inaugurada esta quinta-feira.
Promovido pela Aerowaves, a principal rede europeia de apoio à dança contemporânea emergente, o festival europeu reúne parceiros de 34 países numa ampla estrutura de 46 membros, entre os quais está o Centro Cultural Vila Flor.
Em 2026, o Centro Cultural Vila Flor assume a coorganização e acolhe o evento, em parceria com O Espaço do Tempo, no âmbito de Guimarães 2026 - Capital Verde Europeia.
"Temos aqui 250 participantes reunidos, entre programadores de todo o Mundo e alguns artistas, é muito importante para nós estarmos a receber este evento e queremos que a fasquia seja tão alta que obrigue toda a gente a subir", afirma Rui Torrinha, do Centro Vila Flor, ao JN.
A edição deste ano decorre num momento particularmente simbólico: Guimarães é Capital Verde Europeia e a Aerowaves assinala 30 anos. A cidade recebe, por isso, centenas de profissionais, entre coreógrafos, bailarinos, críticos especializados e programadores de artes performativas de toda a Europa e de outros continentes.
Entre os artistas portugueses selecionados este ano está Fabio Krayze, uma escolha que, segundo Rui Torrinha, reuniu o consenso de 40 pessoas.
"É especial estar em Portugal"
Elisabetta Bisaro, vice-presidente da Aerowaves, sublinha a importância da estreia em território português: "Estamos muito felizes por estar em Guimarães. É a primeira vez que viemos para Portugal e é uma edição especial também porque é a Capital Verde Europeia, e estamos em colaboração com eles. É uma oportunidade para as pessoas terem acesso a alguns dos espetáculos que fazem parte do Spring Forward. Aqui temos 20 artistas de 17 países, e temos programadores de 40 nacionalidades, a maioria europeus mas também de fora", diz Elisabetta Bisaro.
Frosso Trousa, programadora grega do Arc for Dance Festival, é presença habitual no encontro: "Só perdi um Spring Forward; fui a todos os outros. Na combinação da localização, do ambiente e dos lugares escolhidos para as apresentações, são todos diferentes, reveladores e frutuosos", conta ao JN.
O coreógrafo Christos Papadopoulos é um dos nomes gregos mais reconhecidos da Aerowaves. "Sim, mas também temos a Patrícia Apergi e outros que se estão a desenvolver", acrescenta Frosso Trousa.
Ao longo do encontro, os participantes assistem diariamente a sete ou oito espetáculos. "É cansativo, é uma coisa permanente, mas estamos juntos nisto e é como se fosse uma energia recarregável", conclui Trousa.
Uma marioneta de gelo a dançar
Apresentado no Parque da Cidade de Guimarães, o espetáculo de abertura, "Mizu", da Company Furinkaï & Théâtre de l’Entrouvert, propõe uma experiência invulgar entre a dança, a marioneta e a instalação efémera. Sobre a água, uma intérprete e uma marioneta antropomórfica em tamanho real, construída em gelo, criam um poema visual de grande delicadeza.
A obra impõe a sua presença e exige atenção plena do público, enquanto o gelo que forma o corpo da marioneta se vai derretendo. "Mizu" - água, em japonês - compõe imagens de uma beleza extrema, funcionando igualmente como reflexão silenciosa sobre a fragilidade e a finitude. A peça parece ainda uma alegoria perfeita das alterações climáticas.
Peças para ver sexta-feira e sábado
No Centro de Artes José Guimarães, esta sexta-feira, às 18 horas, apresenta-se "Do birds dream of flying?", de Fabla Collective / Inan Sven du Swami & Mojca Spik.
No Centro Vila Flor, também na sexta-feira, às 21.15 horas, sobe à cena "It's the end of the amusement phase", de Chara Kotsali. No sábado, às 13 horas, é apresentado "Proses on neither here nor there", de Mufutau Yusuf.
No Parque da Cidade de Guimarães, no sábado, às 15.30 horas, haverá uma nova apresentação de "Mizu", da Company Furinkaï, pelo Théâtre de l’Entrouvert.






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