O plano propõe limitar a circulação a 30 km/h em quarteirões urbanos. Um ramal fará a ligação entre a Alfândega e Campanhã.
Diminuir a velocidade dos automóveis para 30 quilómetros por hora nos quarteirões interiores da cidade, criar mais corredores bus e repor o elétrico na Baixa integram o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS) do Porto, cuja apresentação está marcada para amanhã.
"Queremos generalizar a Rede 30, com base num conceito de quarteirões. Quanto aos corredores bus, o presidente da Câmara Municipal (Pedro Duarte) tinha prometido quatro quilómetros, mas vamos tentar implementar seis quilómetros até ao final deste ano. Os autocarros vão perder menos tempo no trânsito e a oferta para os utentes será mais fiável", antecipa, ao JN, o vereador com o pelouro da Mobilidade e Transportes do Município do Porto, Hugo Beirão. A redução da velocidade para 30 km/hora é encarada como uma inovação no país. "Existem as vias estruturantes e as principais, e essas terão seguramente as regras rodoviárias habituais. Mas em tudo o que seja no interior dessas redes principais, podemos aplicar a Rede 30. Será um primeiro, mas um grande passo, que poderá mudar a perceção que cada um de nós tem sobre os outros. Se estivermos a conduzir um automóvel, mas percebermos que as bicicletas também estão lá, vamos olhar para aquele modo de circulação com outros olhos", justifica o autarca, que também detém os pelouros da Economia e Empreendedorismo, Internacionalização e Turismo na Câmara.
O regresso do elétrico constitui outro dos pontos centrais do plano. Quando estiverem concluídos os trabalhos da Linha Rosa do metro, este meio de transporte voltará ao centro da cidade, com partida da Batalha. "Traz-nos memórias e é diferente. É uma alternativa, que servirá residentes e turistas", explica. Serão criados dois percursos: um através da Rua de 31 de Janeiro e outro pela Rua de Passos Manuel. O elétrico seguirá até à Reitoria e descerá até à zona ribeirinha pela Rua da Restauração.
O PMUS, concebido para ser concretizado ao longo de uma década, prevê igualmente a reativação do antigo ramal entre a Alfândega e Campanhã. "Une cotas diferentes e pode ser utilizado por diferentes perfis de pessoas. Diminuirá o tráfego automóvel e a pressão no Centro Histórico. O ramal poderá ser usado sobre carris ou por roda. Tomaremos a decisão mais realista", promete o vereador.
Batalha sem carros
"O aproveitamento do ramal é uma ideia que já tem muitos anos, mas que, sabe-se lá porquê nunca se tornou realidade. Não há nada que a engenharia não consiga resolver. Mais fácil ou difícil, vamos chegar lá. É preciso revisitar os estudos e verificar todas as condições dos túneis antigos. Para, a partir daí, percebermos de facto qual é o tipo de transporte que será mais adequado, nomeadamente em termos de investimento e de custo-benefício. Não sei se verá a luz do dia neste mandato, mas neste ciclo político, seguramente", confia.
A estratégia de mobilidade inclui ainda o alargamento das Zonas de Acesso Automóvel Condicionado (ZAAC). Depois da Ribeira e das Carmelitas, será a vez da Praça da Batalha e das vias próximas. A ZAAC compreenderá as ruas de Santo Ildefonso, Cima de Vila, Madeira e Cativo. "Só estarão abertas a moradores, cargas e descargas e acessos pontuais", é pormenorizado.
A área da Batalha contará também com outra alteração. Desde abril que os automóveis deixaram de circular na praça aos domingos, medida que será agora aplicada igualmente aos sábados, transformando o local numa zona pedonal aos fins de semana. "Ouvimos os comerciantes, os hoteleiros e os demais agentes económicos, e vamos dar um passo em frente", refere.
Anúncio de Montenegro
A construção da Via de Cintura Externa, "a fim de tornar no futuro a VCI uma via mais urbana", é apresentada como outro projeto relevante para "resolver o problema do tráfego rodoviário que entra e sai da cidade".
Hugo Beirão sublinha que a futura estrada "foi anunciada pela Câmara do Porto e pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro", no âmbito de um projeto com apoio do Governo e da Infraestruturas de Portugal. "Mas nós tomamos as rédeas do processo e estamos a desenvolver os primeiros relatórios, para passar às fases seguintes, que serão bastantes. É um projeto estruturante e de uma dimensão muito alargada", enfatiza.
O PMUS contempla igualmente os portuenses que se deslocam de bicicleta, prevendo a criação de uma rede de ciclovias no concelho. As ligações fluviais entre o Cais do Ouro e a Afurada, em Gaia, voltarão também a funcionar, desta vez durante todo o ano.
Hugo Beirão: "Queremos ter ciclovias em rede"
O que está previsto quanto às ciclovias?
Trata-se de uma questão que está quase na ordem do minuto, e não apenas na ordem do dia. É um assunto debatido por todos há muito tempo, incluindo pelo Município. Pretende-se transmitir uma nova política a toda a cidade, sem separar esta matéria da Rede 30. Assim, a coexistência assume particular importância.
O que vai ser proposto?
A intenção é que as ciclovias formem verdadeiramente uma rede. Quem entre num percurso não deverá chegar a um ponto sem continuidade, e esse será o compromisso a apresentar. As ciclovias têm de estar interligadas, não podendo existir um plano em que cada uma tenha início e fim isolados.
Pode apontar uma rua com possibilidades de ter ciclovia?
Os arruamentos já foram estudados. Um deles, já divulgado publicamente, é a Rua de Costa Cabral. Contudo, os pormenores ficarão reservados para a apresentação do plano. A perspetiva não será analisar uma rua ou uma zona específica, nem instalar uma ciclovia na rua A ou B sem ligação depois do seu término. O objetivo é encarar a cidade como um todo.






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