Pedro Pinto está à frente da Livraria Lello, cujo espaço será ampliado a partir de 24 de junho. O S. João assinalará igualmente o início do programa Babell, com concertos nos Aliados e drones na Ribeira. Para concretizar o Babell, o dono da Lello vai aplicar três milhões de euros do próprio bolso. Afirma fazê-lo por "amor à cidade". Relativamente ao Teatro Sá da Bandeira, que comprou mas não administra, espera uma decisão da Justiça e alerta para a necessidade de obras na sala.
O que muda na Livraria Lello com a ampliação?
O projeto de Siza Vieira, na Rua das Carmelitas, será inaugurado num dia simbólico e pretende proporcionar maior conforto aos visitantes. A Livraria Lello recebe 1,3 milhões de pessoas por ano. Até agora, a entrada e a saída eram feitas pela mesma porta. A intervenção de Siza foi realizada com enorme cuidado. A alteração será esta: continuará a entrar-se por uma porta, mas a saída passará a fazer-se por outra. Assim, a circulação deixa de ter aquela limitação. Isto transformará todo o funcionamento e poderá até permitir o aumento do número de visitantes. Por outro lado, quem tem mobilidade reduzida e atualmente não consegue chegar ao primeiro andar poderá fazê-lo no futuro, entrando num espaço adjacente e utilizando o elevador. Haverá também cacifos para guardar mochilas, carrinhos de bebé e outros objetos. A vivência será, por isso, distinta. Entre obra e projeto, o investimento situa-se entre oito e 10 milhões de euros. Temos recebido contactos para abrir noutras cidades do mundo, mas não avançamos. Os nossos projetos são pensados para gerar impacto neste território e, se isso não acontecer, não nos interessa.
A inauguração estará acessível ao público?
A entrada na Lello será gratuita no dia 24 de junho, data em que serão igualmente abertas exposições. Para aceder, será necessário comprar um livro numa livraria da cidade do Porto, mesmo que custe apenas um euro, porque esse é o modelo do Babell. Compra-se o livro, entra-se no site, introduz-se o código e obtém-se o bilhete de entrada.
Um dia de festa com obras nas imediações
Decorrem obras na Rua das Galerias de Paris, com estaleiro na Rua das Carmelitas. Deveriam estar concluídas no S. João. Questionámos a entidade responsável pela gestão da obra e responderam-nos com a conversa do empreiteiro. Referiram as chuvas, mas considero que existe falta de gestão. Não há trabalhadores na obra! A justificação dada foi que, devido a essas condicionantes, a intervenção municipal não ficaria concluída. E eu pergunto: é possível? Aceita-se tudo o que o empreiteiro diz? Há incompetência de quem gere, e é contra isso que me revolto.
O que é o Babell, entre 24 e 29 de junho?
É um murro na mesa para muita gente deste país. Atualmente, no Norte, somos pessoas acomodadas. Falta ousadia. A Prefeitura do Rio de Janeiro, no Brasil, gastou três milhões de euros para ter a Shakira e isso foi notícia mundial. Nós vamos gastar, apenas no Babell, três milhões de euros do nosso bolso. Vou investir no Porto porque amo esta cidade. Este evento não pertence à Lello, pertence a todos.
Concertos nos Aliados e drones no rio Douro
No dia 25, além de toda a programação, haverá um espetáculo com Pedro Abrunhosa, Rui Reininho e os GNR, bem como outro nome que, para mim, é o maior artista nacional e que, por razões contratuais, só será anunciado no domingo anterior ao S. João. Nesse dia, prevemos mais de 60 mil pessoas na Avenida dos Aliados. Para entrar, basta comprar um livro numa livraria da cidade. Já há mais de 50 livrarias registadas, e as que ainda não aderiram continuam a poder fazê-lo. No dia 26 haverá mais um concerto nos Aliados, com Carminho e Bárbara Bandeira. Estimamos que estejam nos Aliados outras 60 mil pessoas. E basta comprar um livro. Entre os jovens até aos 18 anos, 75% não entra numa livraria; talvez estejam mais jovens a assistir a esse espetáculo do que aqueles que entram nas livrarias durante todo o ano. Esse é o nosso retorno. No dia 27, na Ribeira, teremos um dos melhores artistas do mundo, Cai Guo-Qiang [responsável pelo fogo-de-artifício na abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim], que apresentará um grande espetáculo no rio Douro, com 90 operadores de drones e quatro toneladas de pirotecnia sustentável. Será uma oferta ao Porto, a Gaia e a todos os visitantes.
O que pediu a Lello em contrapartida?
O acordo entre o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, e Pedro Pinto incluiu quatro pontos: apoio na obtenção do estatuto de utilidade pública para a nossa fundação, cumprindo todas as normas e regras; convite, comunicação e decoração da cidade. Isto só é privado no pagamento aos artistas, porque a fruição é pública. Com o Babell, esperamos que mais de 500 mil pessoas venham à cidade do Porto.
Que críticas faz à Metro do Porto?
Ao falar da decoração da cidade para receber este evento, entra aqui a Metro do Porto. A Metro tem de concluir as obras. Estou na "pole position" para que seja avançada uma ação contra os responsáveis pelo atraso. Trata-se de milhões e milhões de prejuízo para os comerciantes da cidade. São mais de dois anos de atraso, cerca de 700 dias, e, calculando isto a 100 mil euros, chega-se a 70 milhões de euros. Se os responsáveis pelo atraso disponibilizassem 70 milhões de euros a uma instituição da cidade - não a mim - para investir na divulgação e promoção da nossa cidade, não estariam a fazer mais do que a sua obrigação. Se não o fizerem voluntariamente, nós estaremos na primeira linha, e uma associação, nomeadamente a Associação de Comerciantes do Porto, poderá avançar com uma ação para que sejam condenados a pagar milhões destinados à promoção do Porto. A cidade viveu um pesadelo devido às obras. Falando desta forma e fazendo isto, não ganho amigos, mas os meus amigos são a cidade e as pessoas do Porto. Esta gente tem de pagar. A quem? À cidade.
Porque é que a Lello não gere o Teatro Sá da Bandeira?
Aquilo é uma bomba-relógio em matéria de segurança. Precisa de obras. É um edifício classificado. Como é que podemos tratar o património desta forma? O Teatro Sá da Bandeira está arrendado, existe uma renda a cobrar, mas o arrendatário tem obrigações definidas no contrato. Esse contrato determina que é responsável por todas as obras. No entanto, o espaço não reúne condições de segurança e devia ser encerrado. Também devia ser decretado o despejo por incumprimento contratual. O processo está em tribunal há vários anos e o tribunal acabará por decidir. Desde o início da ação judicial, o inquilino realizou algumas obras, mas isso é varrer o problema para debaixo do tapete, porque o edifício precisa de uma intervenção estrutural. Não posso aceitar que a Câmara do Porto tenha técnicos a dizer-nos que aquilo é uma bomba-relógio e que é imperativo encerrar, sem que depois aconteça nada. Não consigo compreender: alguém tem o rabo trilhado!
Como vai a Lello promover a gastronomia da cidade?
Há cinco motivos para visitar o Porto: as pessoas são um luxo, usamos o palavrão como forma de expressar sentimentos, temos património classificado pela UNESCO, rio e mar, gastronomia com estrelas Michelin e restaurantes de comida tradicional extraordinários. Incluo Matosinhos nesta resposta. Há até quem diga que Matosinhos é a sala de jantar do Porto. Durante os meses de verão, teremos um profissional especializado em hospitalidade e gestão de serviços na Livraria Lello para efetuar reservas em restaurantes, não apenas nos Michelin, mas também nos tradicionais. Não será para todos: será para aqueles de que gosto, como a Cozinha do Manel, Rogério do Redondo, São Valentim, Gaveto e os que têm estrelas Michelin. A lista ainda não está fechada, porque poderá entrar mais um ou outro. Gostaríamos de envolver o Turismo do Porto e Norte nesta iniciativa, pois estamos a promover a região. A partir de 24 de junho, diria que passarão pela Lello mais de 5000 pessoas por dia. Há restaurantes em dificuldades; um dos grandes da cidade está inclusivamente prestes a vender o espaço a uma cadeia internacional de hambúrgueres. Isto é preocupante. É necessário dar a mão a toda esta gente.
Que soluções propõe para espaços como o Bela Cruz e o Lima 5?
O Café Bela Cruz, na Foz, é um atentado. Faz parte do ADN do Porto. O que me importa é que deixou de o ser, e isso preocupa-me. O Restaurante Lima 5, na Constituição, está hoje abandonado: como é possível? Temos também o Mercado Ferreira Borges, que é uma pouca-vergonha. Há uma concessão da Câmara, resolvam... Há algum tempo, um banco, principal credor de quem ali estava, perguntou-me se tinha interesse no Mercado Ferreira Borges. No Bela Cruz não pode ser autorizado qualquer projeto imobiliário que implique o seu encerramento; o Lima 5 é urgente; e o bar-discoteca Twins é uma vergonha, porque está fechado há anos. Juntamos dez ou 11 empresários, criamos um grupo e pomos tudo isto a funcionar. Estou disponível para encontrar soluções para estes espaços. Como parte, sozinho nunca. Com liderança da Câmara Municipal, nomeando um comissário e procurando soluções. Se a resposta passar por eu não estar envolvido, fico feliz na mesma; o que quero é que haja uma solução.






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