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CSTAF atribui degradação da justiça administrativa à extinção do SEF

Advogado a rever pilhas de documentos e gráficos numa sala de tribunal moderna e iluminada.
Neste artigo
  1. CSTAF aponta contencioso da AIMA como causa
  2. Extinção do SEF levou mais de 130 mil cidadãos aos tribunais
  3. Tribunais Centrais Administrativos com menos juízes desembargadores

CSTAF aponta contencioso da AIMA como causa

O Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais (CSTAF) considera que a deterioração dos indicadores de eficiência da jurisdição administrativa e fiscal, salientada ontem no relatório anual da Comissão Europeia sobre o Estado de Direito, resulta da destruição de “um serviço do Estado”. Esta situação levou 130 mil imigrantes a recorrer aos tribunais para protegerem os seus direitos.

Em resposta ao documento divulgado por Bruxelas - que aponta, para 2024, um prazo médio de resolução de 861 dias e uma taxa de resolução processual de 48% nos tribunais administrativos e fiscais - o CSTAF afirma que os dados têm “uma causa única e identificável”: o litígio provocado pela reorganização dos serviços de imigração.

Extinção do SEF levou mais de 130 mil cidadãos aos tribunais

Segundo o conselho, o fim do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e a constituição da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) fizeram com que mais de 130 mil cidadãos estrangeiros recorressem à jurisdição administrativa para salvaguardarem os seus direitos. “Destruído um serviço do Estado sem que o que lhe sucedeu assegurasse resposta administrativa em tempo útil, milhares de cidadãos estrangeiros viram nos tribunais administrativos a única porta para a defesa dos seus direitos”, alega.

O CSTAF acrescenta que, retirando da análise os processos ligados à AIMA, a taxa de resolução da jurisdição administrativa e fiscal supera os 100%. Ou seja, em circunstâncias normais, os tribunais terminaram mais processos do que aqueles que receberam. Por essa razão, entende que ler o indicador de 48% sem considerar este enquadramento é “falacioso”.

Tribunais Centrais Administrativos com menos juízes desembargadores

Na mesma comunicação, o conselho volta a chamar a atenção para a situação dos Tribunais Centrais Administrativos, que lidam com um volume de processos comparável ao de vários tribunais da Relação, embora tenham cerca de quatro vezes menos juízes desembargadores.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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