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França suspende granadas de atordoamento nos protestos do ensino secundário

Jovem com livros e cartaz numa manifestação numa rua com pessoas e bandeiras ao fundo.

França suspende granadas de atordoamento nos protestos do ensino secundário

A França interrompeu a utilização de granadas de atordoamento durante os protestos de alunos do ensino secundário, anunciou na quarta-feira o ministro do Interior. A decisão surge depois de um adolescente ter perdido uma mão na sequência da explosão de uma granada lançada pela polícia.

"Vou suspender a sua utilização no âmbito do movimento dos estudantes do ensino secundário" até que seja apurado com maior clareza o que ocorreu, declarou o ministro do Interior, Laurent Nunez, à rádio RTL.

Um agente da polícia foi acusado num caso que envolveu um jovem de 15 anos ferido. Em paralelo, foram instauradas outras 18 investigações internas da polícia relativas a denúncias de violência durante as manifestações.

Uma fonte sindical da polícia, citada pela AFP, indicou que o aluno, na cidade de Lens, no norte de França, terá apanhado uma granada com bolas de borracha disparada pela polícia de intervenção, aparentemente com a intenção de a lançar de volta. O engenho explodiu-lhe, contudo, na mão.

Movimento estudantil e números dos protestos

O movimento estudantil começou em 17 de setembro, na região de Paris, exigindo mais meios para as escolas. Desde então, alargou-se de forma progressiva, num contexto social tenso e quando faltavam pouco mais de seis meses para as eleições presidenciais.

Na terça-feira, as manifestações de estudantes juntaram entre 256.000 e 450.000 pessoas, de acordo, respetivamente, com os dados divulgados pelas autoridades e pelos sindicatos. A jornada decorreu durante a manhã sem incidentes relevantes.

Desde o início da contestação, em meados de setembro, foram contabilizados mais de 600 polícias e elementos da Gendarmaria feridos, bem como pouco mais de 200 estudantes feridos. Registaram-se ainda mais de 5.000 detenções em todo o país e estragos em estabelecimentos de ensino e mobiliário urbano, já estimados em várias dezenas de milhões de euros.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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