Alireza Sepahi, detido na sequência dos protestos de janeiro no Irão, escapou a uma execução pública em julho depois de sofrer um ataque cardíaco. Contudo, na manhã de 5 de outubro, concretizou-se o desfecho que o iraniano de 25 anos receava há meses: foi enforcado em Isfahan, no centro do país. Na véspera, tinha casado com Mahshad Kashani, a companheira de 22 anos, igualmente presa devido aos protestos, numa cerimónia conduzida por telefone pelo advogado.
Sepahi foi preso a 10 de janeiro, juntamente com a mãe - que continua encarcerada e cumpre uma pena de cinco anos - devido aos protestos ocorridos dias antes na Praça Alikhani, em Isfahan. Durante essas manifestações, morreram quatro agentes da polícia.
Segundo o Centro Abdorrahman Boroumand, organização de direitos humanos sediada nos EUA, o julgamento do iraniano ficou marcado por "graves falhas processuais", entre as quais o "desrespeito pelas provas da defesa". Essas provas incluíam imagens que indicavam que Sepahi não se encontrava no local. Uma dúzia de pessoas, incluindo Sepahi, recebeu penas de morte neste processo.
A execução de Alireza Sepahi em Isfahan
A 19 de julho, dois homens foram executados na prisão. Sepahi deveria ser enforcado publicamente na Praça Alikhani a 28 desse mês, ao lado de outros dois condenados, entre os quais o primo Abolfazl. "Mas pouco antes da execução marcada, sofreu um ataque cardíaco e foi transferido para o hospital", explicou Mai Sato, relatora especial da ONU para os direitos humanos no Irão. "Teve alta alguns dias depois e regressou à prisão, onde viveu todos os dias com medo da execução, até que o momento chegasse", acrescentou.
A execução pública dos outros dois homens realizou-se como previsto.
Casados à revelia
Depois de o Tribunal Revolucionário de Isfahan ter recusado o recurso, os familiares foram chamados para uma última reunião. Ainda assim, Sepahi tinha um derradeiro plano. Numa chamada telefónica entre ele e Kashani, detida noutra prisão de Isfahan, o advogado recitou os votos religiosos de casamento, com a autorização dos pais de ambos.
Ao serem questionados pelo advogado sobre se autorizavam o casamento, com um dote composto por "uma cópia do Sagrado Alcorão, um doce de pedra e uma rosa vermelha", os dois responderam "sim", segundo a gravação áudio divulgada por grupos de defesa dos direitos humanos.
As autoridades prisionais não autorizaram que o casal se encontrasse presencialmente uma última vez. "Os advogados esperavam que o casamento pudesse adiar a execução. Mas as autoridades alegaram que a noiva não tinha qualquer parentesco com o prisioneiro e impediram a cerimónia presencial", afirmou Roya Boroumand, cofundadora do Centro Abdorrahman Boroumand. "Casaram, mas à revelia. Houve um ato legal, mas não ocorreu dentro da prisão, na presença dos dois".
Execução e destino do corpo
O jovem iraniano foi executado na prisão central de Isfahan com outro homem, Alireza Raissi, de 21 anos. Os dois tinham sido condenados por integrarem um grupo armado e por ameaçarem a segurança nacional.
Mesmo depois da execução de Sepahi, "o horror continuou para a família": em vez de o entregar para sepultamento, as autoridades transferiram o corpo para Kashan, a cerca de 200 quilómetros de distância.
De acordo com a ONG Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, o Irão já executou 34 pessoas ligadas aos protestos, cujo ponto mais intenso ocorreu entre 8 e 9 de janeiro. Organizações de direitos humanos dizem que as manifestações foram violentamente reprimidas, causando milhares de mortes e um apagão da internet.






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