A época dos Prémios Nobel está em curso e, como acontece todos os anos, cresce a expectativa em torno de quem receberá o Prémio Nobel da Paz, cujo anúncio está marcado para a próxima sexta-feira. Nesta edição, existem 287 nomeações: 208 para pessoas e 79 para organizações.
Candidatos ao Prémio Nobel da Paz
Entre os favoritos apontados surge o presidente norte-americano, Donald Trump, que desde o ano passado defende que merece ser distinguido e que terá sido nomeado pelos líderes do Camboja, de Israel e do Paquistão. Há também quem considere que o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, possa estar entre os candidatos, pela oposição a Trump e pelo trabalho desenvolvido para reforçar as relações com a Europa.
São igualmente referidos o Papa Leão XIV; Francesca Albanese, relatora especial das Nações Unidas para os Territórios Palestinianos Ocupados; Mykola Kuleba, defensor ucraniano dos direitos das crianças, e a organização Save the Children; as Salas de Resposta a Emergências do Sudão, uma rede comunitária de assistência humanitária; o Comité para a Proteção de Jornalistas; o Tribunal Internacional de Justiça; e o Tribunal Penal Internacional.
Estação Espacial Internacional entre as hipóteses
Contudo, a candidatura que tem vindo a reunir mais atenção nem sequer se encontra na Terra: a Estação Espacial Internacional. A hipótese foi avançada por Haakon Gjerløw, diretor do Instituto de Investigação da Paz de Oslo, considerado um analista de referência do Prémio Nobel.
Em declarações à "Associated Press", sustentou que a Estação Espacial Internacional representa um "raro símbolo de cooperação global pelos céus num momento em que o multilateralismo está a ruir e que muitos países se refugiaram em interesses nacionais mais restritos na Terra". "Durante mais de 25 anos, a Estação Espacial Internacional tem demonstrado que rivais geopolíticos podem cooperar em torno de um objetivo comum e pacífico, gerando grandes conquistas científicas, mesmo quando as relações na Terra se deterioram", prosseguiu. Segundo o responsável, numa fase em que o espaço está cada vez mais congestionado, comercializado e potencialmente militarizado, um Prémio Nobel da Paz celebraria aquilo que a humanidade consegue atingir através do trabalho conjunto.
Atualmente, a Estação Espacial Internacional acolhe 11 astronautas provenientes de quatro países: Estados Unidos, Rússia, França e Canadá.
Temporada Nobel
O Nobel da Paz deve distinguir quem corresponda aos critérios definidos no testamento de 1895 do industrial sueco Alfred Nobel. Para Nobel, o prémio deveria ser atribuído à pessoa "que mais tenha feito para promover a fraternidade entre as nações, a abolição ou redução dos exércitos permanentes e o estabelecimento e promoção de congressos de paz". O vencedor recebe 12 milhões de coroas suecas, o equivalente a cerca de 1,07 milhões de euros.
Este ano, a Academia Real das Ciências da Suécia já atribuiu o Nobel da Medicina ao norte-americano Karl Deisseroth e aos alemães Peter Hegemann e Georg Nagel, pelo desenvolvimento da optogenética, uma técnica inovadora assente em canais iónicos controlados pela luz que transformou o estudo do cérebro e do comportamento. Na terça-feira, o físico belga-americano Francis Halzen recebeu o Nobel da Física pelas suas descobertas fundamentais no domínio dos neutrinos de alta energia. Esta quarta-feira, o francês Henri B. Kagan e o japonês Kenso Soai foram premiados com o Nobel da Química pelos estudos sobre efeitos não lineares e autocatalise na síntese orgânica assimétrica, essenciais para a produção de medicamentos. O Nobel da Literatura será anunciado na quinta-feira e o Nobel da Paz na sexta-feira. A temporada dos Prémios Nobel encerra na segunda-feira, com a atribuição do Nobel da Economia.






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