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Parque Cidades do Tejo: projeto para transformar a Área Metropolitana de Lisboa

Marginal com pessoas a passear junto ao rio, monotrilho em funcionamento e ponte suspensa ao fundo.
Neste artigo
  1. Margem Sul no centro do Parque Cidades do Tejo
  2. Infraestruturas e mobilidade
  3. Novo Aeroporto e Cidade Aeroportuária
  4. Gestão do Parque Cidades do Tejo

O Governo deu a conhecer o Parque Cidades do Tejo, uma operação urbanística e infraestrutural destinada a criar uma nova «metrópole» na Área Metropolitana de Lisboa (AML). A transformação mais significativa estará concentrada nos concelhos de Almada, Seixal e Barreiro.

O projeto pretende alterar a face das duas margens do Tejo e aproveitar plenamente as novas travessias. Segundo o Governo, a ambição passa por “transformar terrenos subaproveitados nas duas margens do Tejo em novos polos urbanos, económicos, habitacionais e de mobilidade”.

A proposta parte de uma ideia central: fazer do Tejo um elo de ligação, em vez de uma barreira. Para concretizá-la, prevê-se um investimento de grande escala repartido por quatro eixos estratégicos:

  1. Arco Ribeirinho Sul (Almada, Seixal e Barreiro);
  2. Ocean Campus (Oeiras e Lisboa);
  3. Aeroporto Humberto Delgado (Lisboa e Loures);
  4. Cidade Aeroportuária (Benavente e Montijo).

O plano foi apresentado aos 18 presidentes de câmara da AML e ao presidente da Câmara de Benavente. A reunião foi presidida pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, e contou com os ministros das Finanças, da Coesão Territorial e das Infraestruturas e Habitação.

Margem Sul no centro do Parque Cidades do Tejo

A Margem Sul ocupa um lugar central no projeto. Só nesta zona estão previstas mais de 28 mil novas habitações - 8 mil de acordo com o PDM (Plano Diretor Municipal) e 20 mil em projeção futura -, além de 2,3 milhões de m² para atividades económicas e 94 mil postos de trabalho. Para cada área estão previstas as seguintes intervenções:

  • Almada (Lisnave): habitação, comércio e cultura, incluindo a futura Ópera Tejo;
  • Barreiro (ex-Quimiparque): turismo, habitação, centro de congressos e um polo de atividades económicas ligado à indústria naval;
  • Seixal (ex-Siderurgia Nacional): parque empresarial ecológico e atividades de recreio e lazer, entre outras.

No conjunto, o projeto abrange mais de 4 500 hectares de intervenção, uma área 55 vezes superior à da Parque Expo. Nesse espaço prevê-se a construção de 25 mil novas habitações e projetam-se mais de 200 mil postos de trabalho. O objetivo declarado é dar resposta à pressão habitacional, promover emprego qualificado e reforçar a rede de transportes públicos.

Infraestruturas e mobilidade

A infraestrutura constitui um dos pilares da ambição do projeto. Estão planeadas duas novas travessias do Tejo: a Terceira Travessia (TTT), entre Chelas e Barreiro, e um túnel subfluvial entre Algés e Trafaria. A estas obras juntam-se:

  • Expansão do Metro de Lisboa: +30 km de linhas e +35 estações, com um investimento de 1,524 milhões de euros;
  • Extensão do Metro Sul do Tejo: +50 km de linhas, com um investimento de 350 milhões de euros no lado Poente;
  • LIOS (Linha Intermodal Sustentável): +24 km de linhas e +37 estações, com um investimento de cerca de 490 milhões de euros;
  • SATUO: 9 km de linhas e +14 estações, com um investimento de 112 milhões de euros;
  • Linha de Alta Velocidade Lisboa-Madrid (fase Lisboa > Évora): investimento de 2,8 milhões de euros.

A meta é elevar a quota modal do transporte público dos atuais 24% para 35%. Para isso, estão previstos mais 3,8 mil milhões de euros de investimento em transportes e 328 milhões de euros por ano de apoio à política tarifária.

Novo Aeroporto e Cidade Aeroportuária

O Novo Aeroporto é um dos principais motores desta transformação. Com mais de 3000 hectares entre Benavente e Montijo, a futura Cidade Aeroportuária terá ligação à capital por ferrovia de alta velocidade e pelas principais rodovias. Quando estiver a funcionar em pleno, o novo aeroporto terá capacidade para mais de cem milhões de passageiros por ano.

Gestão do Parque Cidades do Tejo

A gestão de todo o processo ficará a cargo da Sociedade Parque Cidades do Tejo, S.A., que será criada como empresa 100% pública, com uma dotação inicial de 26,5 milhões de euros. O Estado Central e os municípios diretamente envolvidos partilharão a gestão.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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