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Deserto de Taklamakan: plantação de árvores cria um sumidouro de carbono

Homem de bata branca planta árvore no deserto com equipamentos eletrónicos e computador portátil ao lado.
Neste artigo
  1. A florestação nas margens do deserto de Taklamakan
  2. Captação de carbono e benefícios da plantação de árvores
  3. Limites e potencial dos sumidouros de carbono

Uma das regiões mais secas do planeta está a transformar-se num sumidouro de carbono, graças a um programa de plantação de árvores em larga escala e de longa duração. A região absorve agora mais gases com efeito de estufa do que emite.

O resultado decorre de quase cinco décadas de trabalho nas margens do deserto de Taklamakan, no noroeste da China. É também uma prova de que estes projetos de florestação podem ser bem-sucedidos, segundo alguns critérios, quando dispõem de financiamento e estabilidade suficientes.

A florestação nas margens do deserto de Taklamakan

Uma equipa de cientistas dos Estados Unidos e da China avaliou as alterações nas fronteiras do deserto. Para analisar os níveis de CO₂, a cobertura vegetal e os padrões meteorológicos, os investigadores recorreram à modelação de dados recolhidos ao longo de vários anos por sensores de satélite.

As grandes florestas tropicais, como a Amazónia, atraem facilmente as atenções pelo seu papel enquanto sumidouros de carbono. Contudo, resultados como este reforçam o contributo que faixas mais pequenas de árvores e arbustos também podem dar. Os investigadores sugerem que outros desertos poderão ser transformados da mesma forma.

«Isto não é como uma floresta tropical na Amazónia ou no Congo», afirma King-Fai Li, cientista da área das ciências atmosféricas da Universidade da Califórnia em Riverside. «Algumas regiões florestadas são apenas terrenos de matos, como o chaparral do sul da Califórnia.»

«Mas o simples facto de estarem a retirar CO₂ da atmosfera, e de o fazerem de forma consistente, é algo positivo que podemos medir e verificar a partir do espaço.»

Os investigadores descrevem o deserto de Taklamakan como um «vazio biológico» e um «ambiente hiperárido», salientando a dureza do clima numa área de cerca de 337 000 quilómetros quadrados, aproximadamente três quartos da dimensão da Califórnia.

Há indícios recentes de que os desertos podem funcionar como sumidouros de carbono, mas estão em jogo numerosas variáveis, desde os padrões meteorológicos ao movimento das areias.

Captação de carbono e benefícios da plantação de árvores

Embora as árvores tenham sido plantadas apenas nas margens do Taklamakan, a iniciativa parece estar a ter um efeito significativo nos níveis de carbono. Os dados recolhidos apontam para um aumento da absorção de carbono na região desértica no seu conjunto, sobretudo durante a estação húmida, de julho a setembro, e nas zonas onde as árvores têm crescido.

O programa de florestação trouxe outros benefícios: travou a erosão provocada pelo vento, diminuiu a frequência e a intensidade das tempestades de areia e protegeu os terrenos agrícolas locais.

Integrada no Programa de Cinturões de Proteção das Três Regiões do Norte, a iniciativa em redor do deserto deverá prosseguir até 2050. O objetivo final é aumentar a cobertura florestal de 5,05% para 14,95% em 13 províncias do norte da China.

«Até os desertos têm esperança», diz Li. «Com o planeamento adequado e paciência, é possível devolver a vida à terra e, ao fazê-lo, ajudar-nos a respirar um pouco melhor.»

Limites e potencial dos sumidouros de carbono

Importa, porém, lembrar que as margens do deserto de Taklamakan apresentam características especiais, pelo que esta abordagem não funcionará necessariamente em todo o lado. Em particular, as montanhas circundantes fornecem às árvores água proveniente do escoamento da chuva.

Além disso, a quantidade de carbono atualmente absorvida não é muito elevada. Mesmo que todo o deserto de Taklamakan fosse coberto por floresta verde, a compensação poderia rondar apenas 60 milhões de toneladas de dióxido de carbono, face a emissões globais de cerca de 40 mil milhões de toneladas por ano.

Ainda assim, cada sumidouro de carbono faz diferença. Numa altura em que o excesso de carbono na atmosfera é cada vez mais preocupante, esta investigação oferece alguma esperança quanto às medidas que poderão ser tomadas no futuro.

Estudos indicam que, devido às alterações climáticas, numerosos sumidouros de carbono poderão deixar de o absorver e começar a agravar o problema nas próximas décadas. Em algumas regiões, essa inversão já aconteceu, tornando urgentes medidas de resposta.

«Não vamos resolver a crise climática apenas com a plantação de árvores nos desertos», afirma Li.

«Mas é essencial compreender onde e em que quantidade se pode retirar CO₂ da atmosfera, e em que condições. Esta é uma peça do puzzle.»

A investigação foi publicada na PNAS.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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