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Kiev protesta contra a demissão de Mykhailo Fedorov decidida por Volodymyr Zelensky

Manifestação com pessoas vestindo bandeiras da Ucrânia, uma mulher segura foto num telemóvel e cartaz com a palavra "VEC".

Protestos em Kiev contra a saída de Mykhailo Fedorov

Milhares de pessoas saíram à rua em Kiev na noite de sexta-feira para contestar a demissão do ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov. A decisão foi tomada pelo presidente Volodymyr Zelensky no quadro de uma controversa remodelação do Governo.

Pelo segundo dia seguido, os manifestantes concentraram-se na capital ucraniana, onde empunharam bandeiras da Ucrânia e mostraram cartazes, segundo avançou a agência France-Presse (AFP).

"Devolvam Fedorov!", lia-se num dos cartazes. Outro exigia "respeito e consideração pelo povo", enquanto um terceiro classificava a decisão como "autossabotagem".

Fedorov, um jovem reformista que defende o recurso à alta tecnologia no campo de batalha, anunciou a demissão na quarta-feira. Tinha assumido a chefia do Ministério da Defesa há menos de seis meses.

Popular junto dos ucranianos e considerado favoravelmente pelos aliados ocidentais da Ucrânia, Fedorov indicou que entrou em divergência com o comandante-chefe do Exército, Oleksandr Syrsky. Este prefere uma orientação mais convencional para as operações militares.

Zelensky deu poucas justificações para a substituição de Fedorov, mas afirmou pretender manter a unidade do comando militar durante a guerra contra a Rússia.

Substituição no Ministério da Defesa e divisões militares

Mykhailo Fedorov foi temporariamente substituído por Yevhen Khmara, um funcionário pouco conhecido do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), sem experiência política.

O Parlamento ainda não votou estas mudanças e não está marcada qualquer sessão para o efeito.

Na quinta-feira, mais de mil pessoas já tinham protestado em Kiev e noutras cidades ucranianas, reclamando o regresso de Fedorov ao cargo.

A remodelação governamental expôs igualmente indícios de divergências na estrutura militar ucraniana quanto à forma de conduzir as operações, mais de quatro anos depois do começo da invasão russa.

A Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022, alegando proteger minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho. A Ucrânia é independente desde 1991, após a dissolução da antiga União Soviética, e tem-se afastado da esfera de influência de Moscovo, aproximando-se da Europa e do Ocidente.

No plano diplomático, Moscovo rejeitou até agora qualquer cessar-fogo duradouro. Para terminar o conflito, exige que a Ucrânia lhe entregue pelo menos quatro regiões - Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia -, além da península da Crimeia, anexada em 2014, e que renuncie definitivamente à adesão à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental).

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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