A União Europeia atravessa um período de enorme importância política, marcado pela necessidade urgente de adoptar decisões firmes e solidárias quanto ao seu futuro.
Orçamento da União Europeia e Quadro Financeiro Plurianual 2028/2034
No contexto da presidência rotativa do Conselho Europeu, assumida pela Irlanda durante o segundo semestre de 2026, a questão que concentra todas as atenções é saber se o Conselho Europeu de 23 de novembro próximo conseguirá alcançar um entendimento sobre o Orçamento da União, ou seja, o Quadro Financeiro Plurianual 2028/2034.
Existem dois blocos de Estados-Membros cujas posições parecem particularmente difíceis de aproximar.
Portugal, Espanha, Itália, Polónia e outros 13 países integram o grupo que defende uma Política de Coesão e uma Política Agrícola Comum que continuem a ter peso, incluindo no plano financeiro. Estes países reclamam ainda novas fontes de financiamento para suportar os encargos resultantes das novas e exigentes políticas europeias, nomeadamente nas áreas da Defesa e da Habitação.
Do outro lado está o grupo de países que tem um peso significativo nas receitas do Orçamento da União. Liderado pela Alemanha e composto por mais cinco países, este bloco enviou uma carta à presidência irlandesa a defender reduções na despesa de centenas de milhares de milhões de euros.
A Irlanda deverá apresentar esta semana a sua proposta de negociação para o próximo Orçamento da União Europeia.
Pressões externas e eleições nos Estados-Membros
Como se esta situação já não fosse, por si só, exigente e complexa, a União enfrenta uma forte pressão provocada pelos preços dos combustíveis e pela guerra na Ucrânia, que representa uma ameaça crescente para os países europeus situados mais perto da Rússia.
Nos próximos meses terão também lugar eleições relevantes em vários Estados-Membros, com duas situações particularmente destacadas.
Em França, as eleições presidenciais realizam-se em abril de 2027, e as sondagens indicam uma deslocação para uma Direita mais extrema.
Em Espanha, as eleições inicialmente previstas para o verão de 2027 foram antecipadas para 29 de novembro de 2026. Assistir-se-á ao regresso da Direita ao Governo, possivelmente através de uma coligação com a Direita mais extrema?
As eventuais mudanças antecipadas pelas sondagens e resultantes destes atos eleitorais poderão condicionar, ou até adiar, as decisões já urgentes que os chefes de Estado e de Governo precisam de tomar? Para a União Europeia e para os seus cidadãos, é essencial que a resposta seja negativa.
Alargamento da União Europeia
O alargamento a novos Estados-Membros terá, aparentemente, de ficar à espera, embora o crescimento da União fosse muito relevante para o seu rejuvenescimento e para o reforço político e económico.
Resta esperar... e fazer mais e melhor pela União Europeia.






Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário