Desnutrição e saúde das crianças em Gaza
Um novo relatório da ONG Médicos do Mundo denuncia o agravamento das condições de vida em Gaza, uma situação que continua a pôr em causa a sobrevivência da população. Segundo os testemunhos recolhidos, as crianças “contam cada dentada que dão”.
Desde janeiro, a organização tratou 458 crianças e 1.533 mulheres grávidas e lactantes com desnutrição. Estes números resultam da informação reunida pela Médicos do Mundo no âmbito da prestação de cuidados de saúde no território de Gaza.
“Os meus filhos mudaram. Estão mais assustados, preocupam-se com a comida e não se sentem em segurança. Contam cada dentada que dão e começam a calcular quanto pão devemos comer por dia. Perderam a sensação de que o amanhã será normal”, refere uma paciente entrevistada pela Médicos do Mundo.
Relatório da Médicos do Mundo sobre a saúde em Gaza
Divulgado “três anos após o início do genocídio em Gaza e quase um ano após o anúncio do cessar-fogo”, o relatório indica que 84% das crianças com menos de cinco anos estiveram doentes nos últimos três meses. Além disso, 93% das mulheres grávidas e lactantes apresentam sintomas de anemia.
A ONG identifica a degradação das condições de vida, a desnutrição e as limitações no acesso aos cuidados de saúde como fatores decisivos que afetam gravemente, “de forma orquestrada e a longo prazo ”, a saúde da população palestiniana.
Em simultâneo, a organização denuncia que “o bloqueio da ajuda humanitária imposto pelo Estado de Israel contribui para o genocídio e para a destruição das condições essenciais à vida e à saúde em Gaza”. Acrescenta ainda que a privação das condições necessárias para prevenir doenças, obter cuidados médicos e recuperar - imposta a uma população “cuja saúde continua a deteriorar-se” - constitui também uma forma de violência.
Crise de saúde mental e cuidados prestados em Gaza
O documento salienta igualmente que a deterioração física registada decorre em paralelo com uma “profunda crise de saúde mental e psicossocial”. Após a guerra, o número de pessoas que necessitam de apoio em saúde mental duplicou.
As crianças deverão ser particularmente afetadas. A UNICEF estima que mais de um milhão de crianças em Gaza precisem de apoio psicossocial, após uma exposição prolongada à violência, deslocações repetidas, perdas, medo e insegurança crónica.
A Médicos do Mundo trabalha no território palestiniano há mais de 20 anos. Em Gaza, presta cuidados de saúde primários através de vários centros de saúde, disponibilizando consultas de medicina geral, saúde mental e apoio psicossocial, cuidados de saúde sexual e reprodutiva, vacinação e apoio nutricional, entre outros serviços.






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