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Shandong (CV-17) entra em doca seca na base naval de Yulin

Homem com capacete branco usa tablet para inspecionar porta-aviões atracado num estaleiro naval.
Neste artigo
  1. Manutenção de grande dimensão
  2. A operacionalidade do porta-aviões Shandong
  3. O que implica a manutenção?

Após especulações quanto ao seu estado operacional, novas imagens de satélite confirmaram que o porta-aviões Shandong (CV-17), da Marinha do Exército Popular de Libertação da China (PLAN), entrou em doca seca na base naval de Yulin, na ilha de Hainan. A confirmação dissipa as dúvidas levantadas há algumas semanas sobre a situação operacional do navio, depois de sucessivos destacamentos no Pacífico e na área de interesse do Gigante Asiático.

O material obtido através de Fontes de Informação Abertas (OSINT) mostra o navio, o segundo porta-aviões da PLAN e o primeiro construído inteiramente a nível nacional, colocado numa das grandes docas da instalação. Observadores especializados descrevem a actividade como um processo de manutenção integral, que deverá abranger a limpeza estrutural do casco do porta-aviões, a revisão dos sistemas e o recondicionamento do convés de voo, incluindo trabalhos de novo revestimento.

Manutenção de grande dimensão

Como já referido, o porta-aviões encontra-se no complexo naval de Yulin - também conhecido como Sanya -, uma das principais bases do Comando do Teatro Sul da Marinha chinesa. A instalação dispõe de uma doca seca de grandes dimensões, com cerca de 375 metros de comprimento e 78 metros de largura, construída entre 2017 e 2022, capaz de receber unidades como porta-aviões e contratorpedeiros.

A entrada do Shandong na doca seca assume especial importância, por representar uma das primeiras utilizações confirmadas desta nova doca por um porta-aviões chinês. A capacidade logística de manutenção da PLAN passa, assim, a ser ampliada para lá dos tradicionais estaleiros de Dalian, historicamente associados ao apoio aos seus porta-aviões. Este desenvolvimento demonstra igualmente a expansão significativa, registada na última década, das infra-estruturas de manutenção da força naval e, consequentemente, das unidades das suas frotas.

A operacionalidade do porta-aviões Shandong

Comissionado em Dezembro de 2019, o CV-17 foi o primeiro porta-aviões inteiramente construído na China. Baseia-se no desenho do Liaoning (CV-16), embora incorpore melhorias estruturais e novas tecnologias, ultrapassando o conceito original da classe soviética Almirante Kuznetsov.

Em 2023, realizou o seu primeiro destacamento de relevo no Pacífico Ocidental, operando para lá da chamada Primeira Cadeia de Ilhas. Já em 2025, participou em vários exercícios no Mar do Sul da China, destacando-se manobras com operações aéreas intensivas conduzidas pelo seu Grupo Aéreo Embarcado, cuja principal capacidade de combate são os caças embarcados Shenyang J-15.

O que implica a manutenção?

Além da manutenção de rotina, a utilização da doca seca de Yulin pelo Shandong reflecte uma tendência mais ampla: a consolidação de Hainan como um nó logístico e operacional essencial para as operações navais chinesas no Mar do Sul da China e para o acesso ao Pacífico.

Em paralelo, a PLAN prossegue os primeiros destacamentos do Fujian (CV-18), o terceiro porta-aviões da China, comissionado em Novembro de 2025. Equipado com catapultas electromagnéticas (EMALS), dispõe de uma maior diversidade de aeronaves no seu Grupo Aéreo Embarcado, incluindo J-15, J-35 e aviões de alerta antecipado KJ-600. Esta incorporação permitiu à Marinha manter uma presença constante e ininterrupta na região, assegurando que pelo menos um porta-aviões permanece operacional enquanto os restantes cumprem os trabalhos de manutenção necessários.

Por fim, a China continua a desenvolver e a construir o seu quarto porta-aviões. Analistas sugerem que poderá ser o primeiro navio do Gigante Asiático com propulsão nuclear, semelhante às classes que actualmente apenas os Estados Unidos e a França possuem. De acordo com as mais recentes imagens de satélite divulgadas em fontes abertas, o fabricante está a recorrer a gruas de pórtico para instalar novas secções. Isto indica que os estaleiros de Dalian já estarão a executar trabalhos nos módulos de proa e nos hangares laterais, evidenciando o ritmo acelerado a que o Gigante Asiático avança com o projecto.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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