Escola Infantil A Flor encerra em junho
A direção da Escola Infantil A Flor, no Porto, comunicou no final de abril aos pais de 40 crianças que a creche vai fechar em junho. A decisão é atribuída a dificuldades financeiras e a problemas estruturais no edifício, deixando várias famílias sem uma alternativa assegurada.
O anúncio do encerramento, ainda sem uma data concreta em junho, foi feito aos encarregados de educação numa reunião realizada no final de abril, já perto do fecho previsto. Na segunda-feira, uma mãe e uma trabalhadora da creche, de natureza privada mas com protocolo com a Segurança Social no âmbito do programa "Creche Feliz", denunciaram a situação na Assembleia Municipal do Porto.
Anabela Dias, mãe de uma criança que frequenta o estabelecimento de Ramalde, apelou à intervenção das forças políticas eleitas. Os encarregados de educação, afirmou, não aceitam uma decisão que consideram "abrupta" e que não garante a colocação das crianças noutra instituição.
Em funcionamento no Porto desde 1970, a Escola Infantil A Flor dispõe de berçário, para bebés dos 4 aos 12 meses, e de creche, destinada a crianças entre os 12 e os 36 meses.
Vários encarregados de educação ouvidos pela Lusa relataram que, numa reunião a 28 de abril, a diretora da escola, Mafalda Moreira, explicou ter havido uma inspeção da Segurança Social ao edifício. A vistoria ocorreu após uma queixa apresentada por um encarregado de educação, que alertava para a escassez de funcionárias e para a dimensão reduzida das salas face ao número de crianças. Segundo os pais, foram determinadas obras que a escola não tinha capacidade para realizar.
Num e-mail enviado aos encarregados de educação na quarta-feira, a que a Lusa teve acesso, a diretora rejeitou que o encerramento seja "intempestivo", sublinhando que "o ano letivo termina exatamente em junho". Mafalda Moreira referiu ainda que manter a escola em funcionamento tem sido uma "luta financeira" e revelou que a família teve de "injetar dinheiro na escola" em "praticamente todos os anos" para assegurar salários e condições para as crianças.
"Lutámos sempre, pois estávamos convencidas que, financeiramente, um dia, isto ia ter volta. Neste momento, damo-nos por vencidas e percebemos que, tendo em conta o prejuízo mensal que temos, a multa e o relatório da arquiteta a invalidar as nossas instalações, não há mais por onde lutar e estamos a afundar economicamente a empresa e a nossa família", lê-se na mensagem, assinada por Mafalda Moreira e por outra sócia-gerente.
Contactada pela Lusa, a diretora da A Flor confirmou que o encerramento está marcado para 30 de junho, justificando-o com a situação financeira da empresa e com a "desconformidade das instalações detetadas pela Segurança Social". Disse ainda manter "contactos mútuos" com aquela entidade.
"Colocamos à disposição das famílias uma lista de 120 escolas, algumas das quais contactei diretamente para garantir vagas, do que resultou a inscrição de bastantes crianças (...). Acrescentamos que estão em causa 40 crianças em situação de creche, sendo que várias já encontraram solução para os meses seguintes ao encerramento", acrescentou.
Famílias contestam soluções para as crianças
Os encarregados de educação contactados pela Lusa contestam, porém, esta versão. Dizem sentir-se de "pés e mãos atados", sem conseguirem garantir uma resposta para os filhos, sobretudo durante julho e agosto, dado que os anos letivos apenas começam em setembro.
Beatriz Barbosa, mãe de gémeos de 14 meses, é uma das famílias afetadas. Já previa transferir os dois filhos para outra escola em setembro, mas não encontra uma solução para julho e agosto. A encarregada de educação salientou que não é "fácil" encontrar alguém que possa ficar com as crianças nesse período e que não pode deixar de trabalhar durante dois meses. Manifestou também preocupação com as funcionárias da instituição, que ficarão sem emprego.
Inês Pinho disse à Lusa que contactou as várias creches indicadas pela diretora, mas que a maioria não tem vagas. As instituições que poderiam receber crianças nesta fase não dispõem de protocolo com a Segurança Social, o que implica mensalidades incomportáveis para a sua família. "Dos pais com quem tenho falado, ninguém encontrou ainda uma solução", afirmou.
Por seu lado, Vítor Liberal, cuja filha frequenta a creche, contou que ainda não iniciou a procura de outro estabelecimento, na expectativa de que a situação pudesse ser resolvida. Segundo referiu, em abril a diretora mostrou disponibilidade para procurar novos investidores interessados em dar continuidade ao projeto, uma possibilidade confirmada por vários pais.
Segurança Social e autarquia acompanham o caso
O Instituto da Segurança Social informou a Lusa de que, na quinta-feira, o Centro Distrital do Porto não tinha ainda recebido da creche qualquer comunicação sobre "qualquer intenção de encerrar esta resposta social". A instituição já tinha sido notificada para "prestar esclarecimentos".
Na reunião de segunda-feira da Assembleia Municipal do Porto, Fátima Rodrigues, trabalhadora do infantário há 27 anos, afirmou que a prioridade é "encontrar lugar para estas crianças" e para a equipa da instituição.
"Peguem neste caso, deem-nos uma solução, indiquem-nos um caminho para nós seguirmos. Não temos medo de trabalhar, não temos medo de pegar nas crianças e ir para o outro lado, não temos medo de nada -- só que a porta feche e fiquemos nós e eles sem nada", declarou a funcionária. Acrescentou que o contrato com a "Creche Feliz" só termina no final de agosto e que "não há vagas em lado nenhum".
A presidente da Junta de Freguesia de Ramalde, Patrícia Rapazote, informou os eleitos de que acompanha o caso. Em articulação com os serviços municipais, está a avaliar as possibilidades de apoio às famílias, embora tenha ressalvado que a resolução da situação depende da Segurança Social.






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