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Ovar e Espinho preparam época balnear após tempestades

Máquina escavadora e trabalhadores a reparar dunas na praia junto ao mar com guarda-vidas e guarda-sóis no fundo.
Neste artigo
  1. Ovar prepara a época balnear após as tempestades
  2. Reposição de areia nas praias de Ovar
  3. Espinho abriu a época de banhos a 1 de junho

Ovar prepara a época balnear após as tempestades

As tempestades registadas no início do ano deixaram consequências visíveis em Ovar. O presidente da Câmara admite que a próxima época balnear será positiva, embora diferente das anteriores, depois de várias empreitadas e da alimentação artificial de areia destinadas a garantir condições nas praias.

"É tudo a correr atrás do tempo. Estou convencido que vamos conseguir. Não vai ser uma época balnear igual às anteriores, mas vai ser uma boa época balnear", afirmou à Lusa o autarca Domingos Silva (PSD).

Num relatório sobre as ocorrências associadas às tempestades Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo e Marta, que atingiram o país em janeiro e fevereiro, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) estabeleceu as intervenções urgentes, de curto e de médio prazo a executar em toda a costa, incluindo um levantamento dos danos.

Dos 571 prejuízos identificados, 204 localizam-se em Ovar, o município apontado como o "mais afetado". A situação começa na praia da Maceda, onde se verificou um recuo "na ordem dos 20 metros", segundo o presidente da APA, José Pimenta Machado.

O autarca de Ovar, no distrito de Aveiro, recorda que a primeira ação nesta praia teve como objetivo "tentar salvar a época balnear", devendo seguir-se a reposição da maior normalidade possível no litoral do concelho.

É também para Maceda que está planeada uma reposição de areia "de escala muito grande, com 3,5 milhões de metros cúbicos". Domingos Silva espera que os trabalhos comecem "em 2028 ou 2029, o mais tardar".

Reposição de areia nas praias de Ovar

Segundo Domingos Silva, a necessidade de obter os pareceres das entidades responsáveis pela supervisão deste tipo de operações prolongou o "horizonte temporal" das obras. Acresce que "não foi fácil arranjar empreiteiros disponíveis" para executar a intervenção urgente, estimada em cerca de 375 mil euros.

"As obras [de reposição de areias] estão já há cerca de duas semanas no terreno (...) Seria para o início da época balnear, que ocorre aqui na nossa zona a 13 de junho, mas admito que se prolongue, até para que as coisas fiquem o melhor possível, até ao final do mês de junho", reconhece.

Na praia do Torrão do Lameiro será efetuado o reperfilamento do areal, uma operação que também está prevista para Esmoriz, onde os trabalhos já arrancaram. Na praia do Furadouro, foi remediada a intervenção que decorria antes das tempestades, as quais afetaram a obra, que deverá ser reposta até ao final do ano.

A lista da APA incluía, aliás, a reposição de areia em cinco praias do município para assegurar a possibilidade de ir a banhos. Abrange igualmente a reparação de estruturas, defesas aderentes, esporões, passadiços e outras infraestruturas de apoio balnear, intervenções que estão atualmente em curso.

Apesar de a reposição sedimentar de grande dimensão ficar para mais tarde, o presidente da Câmara considera que Ovar terá "praias requalificadas". O autarca admite nunca ter assistido a "tanta celeridade como esta", ainda que abaixo da rapidez pretendida e com "questões a afinar".

"É muita areia, vamos ter aqui praias novas, não só pela fruição mas pela defesa do território. Aqui em Maceda, em particular, temos um aterro sanitário, selado desde os finais dos anos 1990, e está controlado. Não está em perigo "per si", mas está a 550 metros do mar. Já esteve a 700, o que significa que o mar está a ganhar terreno, e de forma muito rápida", alerta.

O presidente levou já a discussão a uma eventualidade de Portugal poder enfrentar, dentro de várias décadas, "um desastre ambiental". Para já, a resposta passa pela defesa do areal e por uma "monitorização constante".

Espinho abriu a época de banhos a 1 de junho

Em Espinho, a situação exigiu menos trabalho imediato. Não houve "necessidade extraordinária de repor areia nas praias" neste município do distrito de Aveiro, conhecido como destino balnear, explicou à Lusa o presidente da Câmara, Jorge Ratola (PSD).

A época de banhos abriu em Espinho no dia 1 de junho, procurando "reforçar a atividade turística do concelho". Para enfrentar os efeitos das tempestades dos primeiros meses do ano, o município preparou uma duna artificial no areal e instalou alguns sacos na zona dos pescadores.

"Atrasou-nos o planeamento. O impacto na nossa costa não foi muito relevante, embora tenhamos perdido um mês com isso. (...) As praias estão preparadas, os equipamentos instalados para as atividades", afirma o autarca.

De acordo com Jorge Ratola, a APA já está a intervir num dos esporões. Seguir-se-ão duas outras operações: uma junto à capela de Paramos e outra na baía.

Estas empreitadas integram a relação de intervenções de curto prazo do relatório da APA, pelo que deverão estar terminadas até ao final de 2027. O documento prevê ainda uma intervenção de médio prazo, a partir de 2028, numa estrutura aderente em Silvalde.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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