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Grupo Renault apresenta plano FutuREady com 36 modelos até 2030

Carro desportivo elétrico Renault 2020 verde com detalhes dourados em exposição num showroom moderno.
Neste artigo
  1. Crescimento do Grupo Renault
  2. Tecnologia
  3. Excelência
  4. Confiança

François Provost assumiu a liderança do Grupo Renault em julho do ano passado, depois de Luca de Meo, e desde então já introduziu várias mudanças.

Para reduzir custos e aumentar a eficiência do grupo perante a concorrência, sobretudo chinesa, o executivo francês anulou várias decisões da gestão anterior. Entre as medidas contam-se a reintegração da Ampere, divisão dedicada aos elétricos, e o fim de alguns negócios de mobilidade da Mobilize.

O responsável apresentou agora o FutuREady, um novo plano estratégico que dá continuidade ao Renaulution, lançado em 2021, mas com uma ambição global mais ampla.

Se o plano anterior procurava consolidar o grupo entre os principais fabricantes europeus, o FutuREady pretende fazer do Grupo Renault uma referência mundial. A estratégia apoia-se em quatro pilares: crescimento, tecnologia, excelência e confiança.

“No Grupo Renault, sabemos de onde viemos. Hoje, sabemos para onde queremos ir, como e com quem”, afirmou François Provost.

Crescimento do Grupo Renault

Uma nova ofensiva de produtos deverá acelerar a expansão mundial do Grupo Renault. A empresa pretende apresentar 22 novos modelos na Europa, 16 dos quais elétricos, e outros 14 nos mercados internacionais. Ao todo, serão lançados 36 modelos até 2030.

A marca Renault quer fortalecer a sua posição na Europa com 12 lançamentos e alargar a eletrificação da gama, mantendo a tecnologia híbrida no mercado europeu para além de 2030. Fora da Europa, a ambição também é crescer: a meta mundial é vender dois milhões de veículos por ano, metade dos quais fora do continente europeu.

A Dacia manterá o enfoque numa oferta mais acessível e acelerará a eletrificação, com o objetivo de tornar 2/3 das vendas eletrificadas até 2030. Para isso, anunciou quatro novos modelos elétricos. A marca pretende ainda reforçar a presença no segmento C, com o Bigster e o novo Striker, sem abandonar soluções como o GPL.

A Alpine continuará a alargar a gama com novos modelos elétricos, entre os quais a próxima geração do A110. A estratégia procura conquistar clientes e reforçar a posição da marca no segmento desportivo, sem esquecer os motores de combustão.

“Juntos, através do FutuREady, iremos mostrar que estamos aqui para ficar e que nos tornaremos a referência para a indústria automóvel europeia no cenário global.”

François Provost, diretor-executivo do Grupo Renault

Tecnologia

Na área tecnológica, o principal destaque será a nova plataforma elétrica RGEV Medium 2.0. Concebida para vários segmentos, do B+ ao D, e tipos de veículo, como berlinas, SUV e MPV, inclui uma arquitetura de 800 V que permite carregamentos ultrarrápidos. O grupo anuncia autonomias até 750 km em ciclo WLTP, que poderão chegar a 1400 km com sistemas de extensão de autonomia.

Esta plataforma estará na origem de uma nova geração de veículos definidos por software (SDV), com até 90% das funções atualizáveis à distância. A arquitetura está a ser desenvolvida com a Google e deverá, no futuro, evoluir para veículos definidos por inteligência artificial (AIDV).

Os elétricos mais potentes recorrerão a baterias de elevada densidade energética, com tempos de carregamento que podem chegar aos 10 minutos. Nos veículos compactos, a previsão é utilizar baterias mais acessíveis e sistemas de 400 V, com carregamentos estimados em cerca de 20 minutos.

Em simultâneo, o grupo prosseguirá o desenvolvimento de outras tecnologias, incluindo uma nova geração de motor elétrico síncrono de excitação elétrica sem terras raras. É anunciada uma eficiência de 93% em autoestrada e uma potência 25% superior. O motor terá 275 cv, estará disponível com tração dianteira ou traseira e apresentará custos 20% inferiores aos atuais. A tecnologia híbrida E-Tech continuará a expandir-se para além de 2030 e incluirá versões com menos de 150 cv.

Excelência

O FutuREady prevê igualmente competir com os fabricantes chineses nos custos e nos prazos de desenvolvimento. A meta é reduzir o ciclo de desenvolvimento dos atuais 3-4 anos para dois. A Renault já o conseguiu com o novo Twingo, recorrendo à colaboração de um centro de desenvolvimento na China.

Na produção, o grupo também pretende reduzir custos e tempo. Para tal, planeia diminuir em 30% o número de peças por veículo, utilizar 350 robôs humanoides e recorrer à inteligência artificial (IA) para reduzir para metade o tempo de inatividade. Com estas medidas, prevê baixar o consumo de energia em 25% e os custos globais de produção em 20%.

A inteligência artificial supervisionará ainda todas as etapas de fabrico, com mais de 1000 pontos de controlo, para assegurar a qualidade. A supervisão das etapas críticas permitirá atualizações remotas e uma redução de 50% nos incidentes de produção.

O objetivo passa por diminuir os custos variáveis por veículo em cerca de 400 euros por ano, em média, e cortar até 40% no investimento inicial.

Confiança

O Grupo Renault emprega quase 100 mil pessoas. O FutuREady inclui também investimento a longo prazo nos colaboradores, nas suas competências e nos apoios disponibilizados, com particular atenção aos 9000 gestores. A intenção é aumentar a produtividade e reduzir em 20% o ponto de equilíbrio da rede.

A empresa continuará a fortalecer alianças estratégicas, como as existentes com a Nissan e a Mitsubishi. Na Europa, manterá a independência industrial e tecnológica, mas admite produzir veículos para outros fabricantes. Nos mercados internacionais, continuará a celebrar acordos para acelerar o crescimento, à semelhança dos que estabeleceu com a Geely na Coreia do Sul.

“Na Europa, as tecnologias competitivas e as capacidades industriais do Grupo já estão a atrair a Nissan, a Mitsubishi Motors, a Volvo Group (Renault Trucks) e agora a Ford. No total, o Grupo produzirá mais de 300 mil veículos para esses cinco fabricantes até 2030, nas suas três principais regiões”, refere o comunicado.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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