A reforma dos exames nacionais e a confiança no sistema
É ainda prematuro medir as verdadeiras consequências da polémica em torno da correção e divulgação dos exames nacionais. Há, contudo, um dado inegável: ficou comprometida a confiança num modelo que se propunha reduzir a burocracia e ser mais favorável a professores, escolas e alunos. Considero Fernando Alexandre um homem sério, competente e, acima de tudo, inteligente. Por isso, é ainda mais difícil compreender que tenha sido apanhado por esta tempestade. O ministro desconhecia, porventura, a natureza da envelhecida Administração Pública? E não percebeu que, perante os resultados do projeto-piloto e a enorme sensibilidade do assunto, uma mudança desta dimensão apenas poderia avançar com um mecanismo verdadeiramente infalível?
Uma alteração política, não apenas técnica
Nos últimos dias, assistiu-se a uma permanente tentativa de avançar sem resolver os problemas: surgiram novos prazos, modificaram-se regras e multiplicaram-se as discrepâncias entre a ideia que se procurava transmitir e os factos. Instalou-se uma incerteza sistémica. A demissão do ministro não solucionaria tudo, mas não se pode esquecer que esta não é somente uma alteração técnica: é uma alteração política.
Reformar em Portugal é sempre uma tarefa arriscada. As reformas raramente alcançam a profundidade anunciada pelos governos e quase nunca decorrem sem enfrentarem, durante o processo, uma resistência estrutural, cultural ou corporativa. Ainda assim, mesmo atendendo à previsível relutância do ecossistema educativo, isto não podia ter sido conduzido desta forma. Não se fazem transformações contra aqueles que delas deveriam beneficiar.
Admiti-lo não implica defender a imobilidade como método para deixar tudo igual e evitar perturbações. Porém, reformar não é criar obstáculos. Mesmo quando as intenções - como queremos acreditar - são boas.






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