Livros banidos nos Estados Unidos atingem sobretudo mulheres
Os Estados Unidos da América continuam a restringir, nas escolas, o acesso a livros, em especial a obras que abordam racismo, ativismo, direitos das mulheres e personagens LGBTQ+. O último ano letivo estabeleceu um novo recorde.
Os quatro livros mais banidos da América durante o último ano letivo têm mulheres como alvo. No topo está a obra de Patricia McCormick sobre Lakshmi, uma rapariga nepalesa de 13 anos vendida como escrava sexual, que registou 25 interdições. Em quarto lugar, com 21 proibições, surge a "História de uma Serva", a novela distópica feminista de Margaret Atwood.
Quase 12 mil livros banidos nas escolas públicas
Segundo os dados divulgados pela plataforma PEN America, foram banidos 11.982 livros das escolas públicas norte-americanas no último ano letivo. As proibições afetaram sete mil títulos únicos, o valor mais elevado desde 2021/2022, ano em que 2532 títulos foram retirados de salas de aula e bibliotecas.
No total, mais de 34 mil obras foram removidas apenas nos últimos cinco anos, "um número nunca antes visto antes na vida de qualquer americano", sublinha a PEN America na nota que acompanha a análise. Os dados são particularmente preocupantes numa altura em que se aproxima o anúncio do Prémio Nobel da Literatura, marcado para quinta-feira, 8 de outubro.
PEN America alerta para censura de raça e temas LGBTQ+
"Estas proibições de livros agora atingem quase todos os estados e têm como alvo desproporcional livros sobre raça e racismo, títulos de ou sobre pessoas não brancas e obras que apresentam personagens e temas LGBTQ+, bem como livros para leitores mais velhos que incluem referências sexuais ou discussões sobre violência sexual", refere a plataforma no seu relatório anual. Em detalhe, nove em cada dez (90%) obras interditadas destinavam-se a jovens adultos e eram, sobretudo, de ficção, algo que "priva os mais novos do prazer da leitura", alerta a PEN America.
As proibições multiplicam-se num momento em que surgem iniciativas como a da cantora britânica Dua Lipa, que inaugurou recentemente a Manifesto Library, uma biblioteca de obras proibidas instalada no Porto, na Livraria Lello.
De acordo com a PEN America, a maior parte das proibições verificou-se em estados como o Texas, com oito mil livros, e a Flórida. A Inteligência Artificial está, segundo a plataforma, a ajudar a acelerar a censura, ao aconselhar entidades a agir com base no que outros estados já tinham feito, avisa a organização.






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