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Hidrogénio: Renault e Stellantis desistem, Toyota, Hyundai e BMW continuam a apostar

Carro desportivo elétrico branco H2FUTURE em exposição numa sala moderna com janelas grandes.
Neste artigo
  1. Nem todos desistiram do hidrogénio
  2. E a Hyundai?
  3. Quais são as previsões?
  4. Desafios do hidrogénio

A Renault primeiro e a Stellantis depois: aumenta gradualmente o número de construtores que abandona a aposta no hidrogénio, embora existam algumas exceções.

No começo deste ano, a Hyvia, a joint venture da Renault dedicada a furgões com pilha de combustível a hidrogénio, entrou em liquidação. A empresa justificou a decisão com a “evolução demasiado lenta dos ecossistemas de mobilidade a hidrogénio na Europa e pelos custos muito elevados exigidos para inovar nesta área”.

Mais recentemente, foi a vez de a Stellantis tomar uma decisão semelhante. O grupo encerrou o programa dedicado a veículos comerciais com pilha de combustível a hidrogénio, apontando a procura reduzida, a insuficiência da infraestrutura de abastecimento e os elevados custos de desenvolvimento. Em 2022, conduzimos um Peugeot Expert a hidrogénio, numa altura em que o discurso era consideravelmente mais otimista:

A escassez de clientes ajudou igualmente a tornar o projeto inviável. As consequências financeiras foram relevantes: a Stellantis contabilizou uma imparidade de 733 milhões de euros.

“O mercado do hidrogénio continua a ser um nicho, sem perspetivas de viabilidade económica a médio prazo.”

Jean-Philippe Imparato, diretor de operações da Stellantis na Europa,

Nem todos desistiram do hidrogénio

Apesar destes abandonos, o fim do hidrogénio - ou da tecnologia de pilha de combustível - não parece iminente. Toyota, Hyundai e BMW continuam firmemente empenhadas nesta alternativa energética, mesmo perante os obstáculos existentes.

Pioneira neste domínio, a Toyota mantém uma forte aposta na pilha de combustível a hidrogénio. Depois de lançar a segunda geração do Mirai, com uma autonomia de até 650 km, prepara já a terceira geração do sistema, que deverá trazer custos inferiores, mais eficiência e melhor desempenho.

A marca japonesa conta com a BMW como parceira de desenvolvimento, numa colaboração iniciada em 2011. A BMW já dispõe de uma frota-piloto composta por algumas dezenas de iX5 Hydrogen, mas tanto os alemães como os japoneses pretendem colocar modelos de produção no mercado em 2028.

Contudo, a aposta da Toyota na pilha de combustível a hidrogénio deverá passar a concentrar-se mais nos veículos de mercadorias, segmento em que identifica maior potencial para a tecnologia se afirmar. É precisamente o campo em que Renault e Stellantis tinham concentrado os seus esforços, embora direcionados para a Europa.

Em novembro do ano passado, a Toyota apresentou o protótipo de um furgão híbrido, equipado com pilha de combustível a hidrogénio e baterias. A empresa estabeleceu ainda uma parceria com a Isuzu Motors para desenvolver um camião com pilha de combustível até ao final desta década.

“O hidrogénio como combustível oferece vantagens que podem gerar uma mudança positiva, e estamos comprometidos com o seu sucesso a longo prazo.”

Jordan Choby, vice-presidente do grupo Toyota para a engenharia de cadeias cinemáticas

Importa também recordar que a Toyota tem investido no desenvolvimento de motores de combustão interna que utilizam hidrogénio como combustível, em vez de gasolina.

E a Hyundai?

A Hyundai revela objetivos ainda mais ambiciosos. O construtor sul-coreano quer aplicar sistemas de pilha de combustível a hidrogénio a toda a gama de veículos comerciais e pesados até 2028, procurando atingir a paridade de custos entre veículos elétricos e veículos a hidrogénio até 2030.

Desde 2018 que o fabricante produz um modelo de passageiros a hidrogénio, o Nexo, que já tivemos oportunidade de conduzir. A segunda geração deste SUV foi apresentada este ano:

Além disso, a Hyundai anunciou no ano passado uma parceria com a General Motors para o desenvolvimento de veículos e de tecnologias, entre as quais a pilha de combustível a hidrogénio.

Quais são as previsões?

De acordo com um estudo da Knowledge Sourcing Intelligence, citado pela Automotive News Europe, o mercado dos veículos a hidrogénio deverá registar um crescimento anual de cerca de 20% entre 2025 e 2030, alcançando 20,5 mil milhões de euros no final da década.

Dados da Market Growth Reports indicam que, no ano passado, existiam mais de 60 mil veículos com pilha de combustível - ligeiros de passageiros e de mercadorias - em circulação a nível mundial. A previsão é que este número atinja as 100 mil unidades no final do próximo ano.

Japão, Coreia do Sul e Alemanha destacam-se como os três países mais ativos na aposta no hidrogénio. Juntos, já dispõem de mais de 500 estações de hidrogénio. A China, porém, também quer reforçar a sua posição e pretende construir mais de mil estações de abastecimento até 2030.

Desafios do hidrogénio

Mesmo com o compromisso destes construtores, persistem os desafios habituais desta tecnologia. A expansão das redes de abastecimento de hidrogénio continua praticamente inexistente, enquanto as empresas do setor energético demonstram pouco interesse em investir na produção e na infraestrutura necessária.

A concorrência dos veículos elétricos a bateria é igualmente cada vez mais intensa. Estes modelos têm registado um crescimento de vendas muito superior, beneficiando de investimentos massivos em tecnologia, veículos e redes de carregamento.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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