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Matosinhos aposta em drones para vigiar praias e apoiar emergências no concelho

Socorrista na praia a operar drone que vigia banhistas no mar e areia.
Neste artigo
  1. Emergências e informação
  2. Voarão de forma autónoma em reconhecimento
  3. Saber mais

Matosinhos vai recorrer a drones para vigiar as praias do concelho e reforçar a resposta a emergências. A iniciativa deverá estar no terreno até ao início de 2027.

O município de Matosinhos prepara-se para colocar drones a sobrevoar as praias, com funções que vão além da vigilância costeira e incluem o apoio a diferentes ocorrências de emergência no concelho. Dotados de holofote, altifalante e câmara térmica, estes equipamentos serão usados em missões de salvamento, na identificação de colunas de fumo e na antecipação de eventuais cheias. O projeto está a ser desenvolvido apenas pela autarquia e deverá entrar em funcionamento no início de 2027.

Dos três drones comprados, num investimento global de 100 mil euros, dois ficarão instalados no topo de edifícios ainda por definir. Estes aparelhos serão programados para executar voos de "análise de risco, vigilância e reconhecimento". "Se, por exemplo, enquanto estiver a percorrer a linha da costa, o drone detetar uma pessoa num agueiro ou numa zona rochosa, emitirá uma mensagem pré-gravada de que o sujeito está num local de risco", explicou Paulo Gonçalves, chefe da Divisão de Risco da Câmara de Matosinhos.

O terceiro drone será montado numa viatura e ficará vocacionado para intervir em situações de emergência e socorro. A operação dos equipamentos caberá a elementos da Proteção Civil e a nadadores-salvadores com formação específica.

Emergências e informação

Perante um acidente - como um derrame de matérias perigosas ou um incêndio urbano -, a central de comunicações da autarquia desencadeará o procedimento, ativando meios e operacionais e disponibilizando o apoio ao comandante das operações de socorro. "Em caso de acidente, como, por exemplo, um derrame de matérias perigosas ou um incêndio urbano, este procedimento é desencadeado pela nossa central de comunicações, são ativados os meios e os operacionais e é disponibilizada esta ajuda ao comandante das operações de socorro", salientou Paulo Gonçalves.

As capacidades dos drones não ficam limitadas à intervenção em emergências. A tecnologia será igualmente preparada para recolher dados que permitam antecipar ocorrências. Para tornar esse sistema progressivamente mais eficiente, está previsto "criar uma inteligência artificial própria da Proteção Civil e depois começar a dar-lhe contexto".

"Através da captação de dados atmosféricos, do estado das marés, de trânsito, entre outros indicadores, será possível recolher muita informação de várias áreas com estes drones. Assim, mais tarde, será possível que, além de estarem a fazer uma monitorização em tempo real, ainda sejam criados algoritmos de previsão", revelou José Borges, do Gabinete de Informação Estratégica da Câmara de Matosinhos, responsável pelo desenvolvimento do software. O engenheiro informático indicou ainda que, futuramente, poderá ser disponibilizada informação sobre as praias que exigem maior patrulhamento.

No salvamento aquático, a câmara térmica permitirá localizar corpos no mar, enquanto o holofote assinalará o ponto onde se encontra a pessoa em perigo. Depois, o altifalante possibilitará o contacto, inicialmente através de mensagens pré-gravadas e, numa fase posterior, por comunicação direta com o operacional. Existem também ideias para aperfeiçoar a tecnologia.

O plano está traçado e as aplicações para a tecnologia são imensas. Os próximos meses serão de testes, na expectativa de que, antes do início de 2027, as praias de Matosinhos estejam sob monitorização plena destes drones.

Voarão de forma autónoma em reconhecimento

Os dois drones instalados no topo dos edifícios realizarão autonomamente as missões de reconhecimento. José Borges será responsável por programar os voos e desenvolver os algoritmos necessários ao funcionamento da operação. "Vão recolher milhares de gigabytes de informação, processar esses dados com dezenas de algoritmos diferentes, de modo a tirar vários tipos de informação. Depois, esse tratamento de dados será devolvido para o "dashboard", que é onde a central poderá ter acesso à informação processada", explicou José Borges. Os próprios equipamentos identificarão as condições meteorológicas adequadas para cumprir as missões. A aposta em hardware de qualidade permitirá que operem "com chuva, frio ou vento", desde que não se verifiquem condições extremas.

Saber mais

Aplicações
Outra possibilidade oferecida pelos drones é o levantamento do número de "veículos que transportam matérias perigosas" no concelho. De acordo com José Borges, essa informação permitirá "saber como agir em situações de emergência".

Outros concelhos
Embora destinada a Matosinhos, a tecnologia poderá também apoiar outros concelhos, à semelhança do que aconteceu com a Marinha Grande no levantamento dos danos provocados pelas intempéries que afetaram o Centro do país.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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