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Quatro meses após a Kristin, Leiria vive entre destroços e medo

Pessoa a varrer o chão numa sala com vista para o mar, com móveis e objetos espalhados.
Neste artigo
  1. "Temos de ser médicos de nós próprios"
  2. Vizinhança, redes sociais e apoios que tardam
  3. Lonas no telhado e ainda sem televisão
  4. A recuperação, o luto e a coragem para voltar a ver o mar

Quatro meses depois da tempestade, os destroços continuam expostos. No horizonte, há pinhais ainda por limpar, telhados cobertos por lonas e postes de eletricidade quase tombados que permanecem em serviço, até junto de sítios onde brincam crianças. Muito foi entretanto recuperado, mas começam a revelar-se outras marcas: depressão, ansiedade e ataques de pânico multiplicam-se na região de Leiria, alimentados pela miséria que permaneceu e se impõe diariamente à vista de todos.

Em Vieira de Leiria, é dia de festa. Procura-se preservar os sorrisos e a animação exigidos pelo piquenique com família e amigos que assinala o Dia da Espiga. Porém, a inquietação persiste. Ao fim desta tarde solarenga de 14 de maio, o vento voltou a ganhar força e ninguém se sente verdadeiramente tranquilo, apesar da alegria, das conversas animadas e da música no Parque de Merendas da Praia da Vieira.

Quase quatro meses após a madrugada de 28 de janeiro, quando a Kristin arrancou telhados e destruiu a sensação de segurança na região de Leiria, os dias foram preenchidos por reconstrução, apoio de proximidade e solidariedade. Ainda assim, basta mencionar aquela noite para as vozes falharem, surgirem soluços e os olhos se encherem de lágrimas. Uma mão pousa nas costas de quem está mais vulnerável e alguém diz: "Pronto, já passou, agora estamos aqui a celebrar". É como se se carregasse num interruptor: a tristeza é afastada de repente e a alegria regressa, dentro do possível. Mas dura pouco. Passados minutos, outra pessoa entra no mesmo turbilhão emocional. E assim se sucede, de mesa em mesa, durante a tarde e entre memórias.

"Na semana passada, as trovoadas foram tão grandes que desatámos a ligar uns aos outros para saber se tinham luz, água e para virmos todos para uma casa", lembra Isabel Pedrosa. "Agora, já só estou à espera do pior, só falta o tsunami", atira Antonieta Vitorino, a conter as lágrimas. De imediato, alguém lhe responde: "Vá, não penses nisso, bebe uns copos. Já viste, estamos todos bem".

À mesa estão igualmente Susana Letra, Isabel Vitorino e Sandra Santos, que partilham recordações e críticas no dia da primeira grande celebração desde a tempestade. "Dentro da tristeza que existiu, tentámos fazer a festa que conseguimos. A praia está cinzenta, está tudo por fazer e não tarda nada a época balnear está aí", alerta Isabel. "Se não fossem os amigos, não tínhamos mais ninguém", continua. "Os seguros não nos dão respostas, uns dão misérias, outros nada. As ajudas prometidas pelo Governo ainda não chegaram, só as câmaras e as juntas é que se chegaram à frente, e só não fizeram mais porque não conseguiram", dizem. Grande parte das reparações visíveis na praia resultou de dinheiro investido pelos próprios. "Quem podia, fez, quem não podia, não fez. Há muita gente que se fez à vida com recurso a créditos", relatam. Enquanto, ao longe, se ouve uma canção cujo refrão repete "Graças a Deus, tudo vai mudar, o dia vai chegar", Tiago Constantino afirma: "Apesar de tudo o que aconteceu, são precisos estes eventos e estas oportunidades de convívio. A felicidade também é um bem essencial".

O segundo comandante dos Bombeiros Voluntários da Vieira de Leiria encontra-se de serviço na corporação, que instalou uma tenda na festa do Dia da Espiga. "Estas festas servem também para angariar fundos. São situações que se vão resolver consoante a capacidade financeira e a identificação das necessidades mais prementes." Os prejuízos dos bombeiros já representam mais 700 mil euros e dez viaturas danificadas. As receitas das bancas não serão suficientes para reparar os estragos antes da próxima intempérie. São necessários apoios.

Apesar do ambiente festivo, Tiago enumera sem hesitar as tragédias recentes que atingiram Vieira de Leiria e que enfrentou na linha da frente: "19 de janeiro de 2013, uma tempestade; 15 de outubro de 2017, o grande incêndio do Pinhal; em 2018, a Leslie; em dezembro de 2019, a Elsa; agora isto". A recordação da Kristin também o emociona. Além do impacto e da devastação, as duas primeiras vítimas mortais da tempestade de 28 de janeiro chegaram ao quartel trazidas a pé por pessoas que não conseguiam telefonar devido à ausência de comunicações, ainda por restabelecer em muitos locais do distrito. "Habituámo-nos a ser frios e, às vezes, isso pode tornar-se um problema. Vamos criando anticorpos, mas sinto que os bombeiros estão motivados. Temos de funcionar e de estar presentes. Temos de ser os nossos próprios salvadores", salienta, assegurando que todos estão preparados para os desafios do verão.

"Temos de ser médicos de nós próprios"

Ana Jorge, empregada de balcão de 64 anos e moradora em Fonte Santa, na zona da Marinha Grande, revela energia enquanto, com o amigo Elias e a filha Arabela, tenta remover um enorme pinheiro que continua caído no quintal. O pátio, atrás, já foi melhorado, mas as janelas da sala permanecem partidas e presas com fita-cola. "Arranjar isto tudo é um trabalho muito puxado e não há quem faça. Os vizinhos ajudam, mas eles também têm as coisas deles para tratar", explica, aproveitando o tempo livre para reconstruir aquilo que a tempestade destruiu.

A casa fica paredes-meias com o que resta do pinhal de Leiria. Ana procura deixar tudo reparado e seguro antes da chegada do calor - e dos receados incêndios -, mas a sua vida deixou de ser a mesma. Por viver numa casa arrendada e ter o senhorio no estrangeiro, distante de toda esta realidade, avança como consegue, sozinha e com recursos próprios. "Tentei apoios. Uma assistente social disse-me que sim, mas depois a Câmara disse que não e o prazo acabou", queixa-se.

As consequências da tempestade, contudo, não se limitam ao que é visível. "Às vezes, estou sossegada a ver a minha novela da noite e, do nada, o coração dispara a mil à hora, de tal maneira que tenho de sair à rua a correr para respirar fundo e ver se acalmo. Desde há quatro meses que sinto isto umas três ou quatro vezes ao dia", conta. Já procurou uma consulta no centro de saúde, mas foi informada de que "ainda não há vagas". "Nunca fui assim e sei que isto não é normal. Sabe, temos de ser médicos de nós próprios", suspira Ana Jorge.

Os sintomas sentidos por Ana Jorge repetem-se noutras pessoas. "Noto, de semana para semana, que estão a surgir mais quadros clínicos de depressão, recurso a medicação para dormir, casos de ansiedade mais evidentes e ataques de pânico, transversais a todas as idades", revela a psicóloga Susana Neves, que integra o projeto de resposta psicológica para adolescentes e adultos da Câmara de Leiria. A autarquia acaba de contratar mais duas psicólogas para assegurar a continuidade dos atendimentos individuais. "Estamos a preparar programas grupais para trabalhar estas questões do medo, que é a palavra mais verbalizada até agora por todas as faixas etárias. Esperamos que o projeto seja iniciado o mais breve possível." Até agora, a linha de apoio - 244 243 867 - registou cerca de 400 pedidos de ajuda psicológica, além de muitos atendimentos realizados ao domicílio.

Elsa Pereira, de 51 anos e residente em Maceira, assistiu ao aumento da sua caixa de medicamentos nos últimos meses e vê o mesmo acontecer com a do filho de 13 anos. Desde o final de janeiro, dorme com ele na sala, porque os quartos da habitação, remodelados há três anos para ambos, deixaram de ter condições para ser utilizados. "O chão levantou, as paredes estão inundadas de humidade, sente-se, cheira-se e nem se consegue estar aqui", descreve. A Kristin encheu-lhe a casa de água e quatro meses com as janelas abertas não bastaram para secar os vestígios deixados, a que se juntam os eletrodomésticos estragados. Fecha as portas para evitar olhar para a destruição.

A tudo isto somaram-se insónias e uma depressão que foi entretanto diagnosticada e medicada. O filho é acompanhado pelo psicólogo da escola e em consultas privadas de psiquiatria, depois de a mãe ter sido chamada ao estabelecimento de ensino porque "os professores estranhavam que o rapaz andasse sempre de manga curta em pleno inverno e à chuva". Como se o mau tempo dos meses posteriores a janeiro não tivesse já trazido frio e dor suficientes.

A Câmara de Leiria lançou o projeto de saúde mental juvenil Reminder, "em parceria com pedopsiquiatras e médicos de família", explica Susana Neves. Destina-se a jovens entre os 13 e os 18 anos do concelho e disponibiliza consultas gratuitas, online e continuadas. Os pedidos recebidos tiveram de ser selecionados de acordo com a urgência da intervenção. "Temos cerca de 15 jovens em acompanhamento permanente."

Maria, nome fictício de uma mulher com pouco mais de 50 anos, também enfrenta as consequências da Kristin dentro de casa e, sobretudo, no próprio corpo. "Tomo medicação para dormir e para a depressão e, com esta idade, dou por mim a já ter de usar fraldas à noite", confessa, em lágrimas. A situação não surpreende Ana Laura Baridó, enfermeira e chefe de divisão da Ação Social da Câmara Municipal da Marinha Grande. "Essa é uma resposta corporal, mas também encontrámos outras, como a ideação suicida [ato de pensar, considerar ou planear a própria morte]", recorda. No total, foram contabilizados 84 pedidos de apoio psicológico, de pessoas de várias idades, e 31 encontram-se em respostas continuadas na comunidade.

O embate quotidiano com a destruição "é desolador", confirma a enfermeira. "Já foi feita muita coisa, mas a extensão da destruição é imensa. Éramos o pulmão da região Centro e tudo isto acabou. A mata, as árvores, nada ali está, e eram elementos identitários desta povoação, o que gera um impacto emocional muito grande. As memórias que tínhamos, tudo isso acabou. É chocante", acrescenta.

Vizinhança, redes sociais e apoios que tardam

Elsa Pereira continua a tentar reabilitar a casa, mas o rendimento de quem está desempregada e sustenta sozinha um filho não chega. Os escassos apoios oficiais recebidos recentemente - uma ajuda anual de cem euros para si e igual montante para o rapaz, destinada a despesas psiquiátricas - são manifestamente insuficientes. Sem seguro e impedida de aceder a apoios devido à situação familiar pendente da casa, Elsa tem contado com os vizinhos, embora lamente que nem todas as propostas tenham sido feitas com boas intenções. "Tenho quem me ajude, mas também houve conversas de que não gostei nada e não aceitei: "Eu não estou à venda, eu não estou à venda!"", repete, de olhos cheios de lágrimas.

Na rua onde vive Isabel Salvador, na Marinha Grande, a escola básica conserva ainda sinais da tempestade: a chaminé caiu sobre o telhado. Há também um poste de iluminação dobrado a meio, tombado sobre restos de vegetação, que foi mantido naquela posição. Na curva da rua, fitas penduradas assinalam cabos elétricos e deixam os moradores apreensivos. "Há aqui crianças a brincar ao lado disto, isto está um perigo. Repuseram a luz, mas não o poste", avisa Isabel, de 55 anos.

Uma parte do telhado da casa desta auxiliar educativa e influencer, com cerca de 300 mil seguidores, continua por reparar. Já encontrou quem execute a obra e o seguro aprovou o valor necessário, mas aguardou quase quatro semanas. A comunidade nas redes sociais ajudou-a a denunciar a falta de resposta. "Fiz o post e depois até apaguei, mas a verdade é que vieram cá ver e resolveram rapidamente", refere.

Num comunicado divulgado no início desta semana, a Associação Portuguesa de Seguradores (APS) afirma que estão concluídos 72% dos processos de particulares regularizados, abrangendo processos encerrados e situações com adiantamentos. Segundo a associação, os casos ainda pendentes devem-se "com fatores externos", como atrasos nas obras, escassez de materiais ou demora na obtenção de orçamentos e documentação adicional. Até ao início desta semana, dos 205 mil sinistros comunicados, relativos a particulares e empresas, 145 mil "já estão concluídos ou com adiantamentos". A APS acrescenta que foram pagos 530 milhões de euros, de um total estimado em 1300 milhões, devido ao conjunto de tempestades.

Lonas no telhado e ainda sem televisão

Aproximam-se as oito da noite e Sérgio Silva, de 52 anos, permanece num dos telhados da própria casa a ajustar as lonas. "Dizem que amanhã vai chover e eu tenho de ter a certeza de que não entra água aqui", explica. Sérgio e a mulher, Sílvia, de 54 anos, vivem em Colmeias, uma área mais interior do concelho de Leiria, mas igualmente muito afetada, e trabalham na reparação de telhados, sem conseguirem responder a todos os pedidos.

"Desde a tempestade, já arranjámos dez telhados a sério e pusemos lonas em cerca de 50, mas temos muito trabalho", destaca. Há outros tantos pedidos em lista de espera e um telefone que não deixa de tocar. "Há muito por fazer, há muita gente a pedir e falta mão de obra", dizem.

Passados quatro meses, Sérgio e Sílvia continuam sem televisão. Foi o filho que lhes conseguiu uma solução provisória. Todos os dias acordam com mais trabalho pela frente e com a vista para uma empresa vizinha completamente sem telhado, após um vento que, "em dez segundos, levou tudo", incluindo estruturas de 20 toneladas que tombaram no solo. Sérgio receia a chegada do próximo inverno com tantas casas ainda por reparar. Destaca a força da vizinhança e a solidariedade vinda de todo o país, que levou muitas pessoas de longe a ajudar em Leiria.

Nas conversas, repete-se a crítica às verbas prometidas, que deveriam ter sido desburocratizadas para acelerar os processos. Em Leiria, foram apresentadas à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR-C) 10 739 candidaturas, tendo já sido atribuídos 1824 apoios e estando 931 processos em pagamento. Entre 11 e 17 de maio, o município informou ter analisado 398 processos, com uma taxa de aprovação de 88,8%.

Na Marinha Grande, segundo a chefe de divisão da Ação Social, terão sido entregues mais de 3200 pedidos de apoio à CCDR-C. "A autarquia já analisou as candidaturas todas, mas o pagamento está um pouco lento." Quanto à ação social, Ana Laura Baridó precisa que, nos dias mais críticos após a tempestade, "foram referenciados 1200 agregados com necessidades várias, metade deles com danos em habitações e os restantes com outras tipologias de necessidade, estando 595 casos em acompanhamento". Neste momento, seis famílias estão alojadas em casas modulares, oito pessoas vivem sozinhas sem resposta da comunidade e a autarquia avança "com a reabilitação de 18 casas para albergar agregados que estão a viver em casas de familiares ou que ficaram com as casas destruídas", assinala.

A recuperação, o luto e a coragem para voltar a ver o mar

Na Escola Básica da Fonte Santa, na Marinha Grande, a auxiliar educativa Isabel Salvador nota que as crianças entre os três e os seis anos estão a recuperar. "No início, ficavam mais assustados quando ouviam os sons, mas agora noto que estão a saber gerir melhor. Ficam com medo, mas menos." Bruno, de nove anos e residente em Leiria, ainda hoje se mexe inquieto no sofá quando surgem notícias sobre aquela noite. Com a voz trémula e o olhar baixo, pede ao pai ou à mãe: "Podes mudar de canal? Não consigo ver isto, não gosto nada de ouvir coisas sobre essa noite".

Muitos já começaram o percurso de recuperação. Os desenhos sobre aquela noite, realizados por crianças entre os três e os dez anos no âmbito do Plano Intermunicipal de Promoção do Sucesso Escolar, mostram cenários de destruição. Contudo, como salienta Pedro Cordeiro, coordenador do projeto e adjunto da vereadora da educação de Leiria, Anabela Graça, os resultados são muito distintos: "A maioria retrata uma experiência que não está associada nem a dor, nem a sofrimento psicológico, alguns deles têm cores vivas e alegres". "Isso diz-nos que a experiência pela qual passaram foi protegida pelo facto de ser à noite e não terem observado conjuntos de stressores e ficamos com a sensação de que as crianças foram protegidas não só pelas conversas, como também pelo impacto que poderiam ter tido o vento e destruição: ventos, barulhos, árvores a cair", detalha. A iniciativa "Abraços que cuidam" chegou a 2308 crianças, de 20 escolas e 118 turmas, procurando levar os mais novos a falar e a identificar as emoções resultantes da noite de tempestade, reforçando a escola, os professores e a turma como espaços de segurança, partilha e ajuda mútua. O psicólogo Ricardo Cardoso transformou a noite da depressão Kristin e o medo no ebook gratuito "O vento barulhento", uma obra que apoia educadores a lidar com o medo das crianças em contextos de perigo.

O confronto atual é com "a miséria que ainda fica". "Quando saímos das cidades e vamos para a periferia, quando vemos as aldeias, casas sem telhado e vestígios da destruição, é visualmente impactante porque traz memórias", afirma a terapeuta Susana Neves. "Há uma fase de revolta, resiliência e esperança, e comparo todo este processo, olhando a linha do tempo, às fases do luto. Primeiro, o impacto, a sensação de nada disto ser real; depois, a revolta, o "porque é que me aconteceu a mim?"; e, por fim, a resignação, a aceitação, ou seja, temos de fazer alguma coisa - e muito já foi feito - para alimentar esta esperança", considera.

Foi talvez essa força que levou Rosa Figueiredo, de 60 anos, e a mãe, também Rosa, de 84, a percorrerem pela primeira vez, em quatro meses, os três quilómetros que as separam da Praia da Vieira. "Só agora é que tivemos coragem de vir aqui", afirma a filha, que trabalha na Junta de Freguesia de Vieira de Leiria. De janeiro a maio, recuperaram as zonas destruídas da casa e preparam uma nova organização familiar. "O vento levou quase tudo à minha mãe, só não levou a roupa. Agora estamos a preparar tudo para ela vir viver comigo", adianta a filha.

"Já me tinham dito que havia muita coisa destruída e há muito para fazer. Os bares da praia desapareceram", conclui Rosa, enquanto observa a paisagem. E não se trata apenas de obras. É necessário recuperar força sempre que o vento regressa e a areia fustiga o rosto, como sucedeu naquele Dia da Espiga, a 14 de maio. Às sete da tarde do feriado municipal, não estava uma única pessoa nas ruas da Praia da Vieira. Ouviam-se apenas os toldos a ressoar e a aragem que voltava a levantar-se. Também o piquenique no parque terminara antes do pôr do sol.

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João Miguel Ferreira da Costa

João Miguel Ferreira da Costa é técnico de desenvolvimento local e investigador dedicado ao património, à história e à dinamização comunitária de Vila Boa do Bispo. Com experiência em administração autárquica e projectos culturais, interessa-se pela valorização do território, pelas tradições locais e pela participação cívica da população.

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