O Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) poderá vir a gerir até 25 mil fogos, segundo admitiu o presidente da entidade, Benjamim Pereira, durante a primeira Cimeira do Alojamento Local, realizada no Porto. Atualmente, o IHRU é responsável pela gestão de 16 mil fogos. Benjamim Pereira defendeu também a necessidade de "monitorizar" a habitação, ao contrário do que sucedeu com o Alojamento Local.
Gestão do IHRU e renda acessível
"O IHRU tem, neste momento, uma gestão de 16 mil fogos públicos, em 139 municípios do país, em 453 bairros. Com aquilo que vai ser feito no arrendamento acessível, isto pode disparar para cerca de 25 mil fogos públicos. Ao mesmo tempo vamos construir mais 150 mil fogos, que pretendemos colocar no mercado de acordo com aquilo que é a renda acessível", afirmou o presidente do IHRU.
O responsável garantiu ainda que o Estado tem desenvolvido um "grande esforço para resolver os problemas da habitação", mas considerou essencial acompanhar as medidas aplicadas e "puxar o setor privado para construir habitação", à semelhança do que aconteceu no Alojamento Local. "Temos de ter uma estratégia avaliada e acompanhada, nomeadamente pela comunidade académica, para percebermos se estamos a ir no rumo certo. O Alojamento Local lançou-se para a reabilitação urbana e a dada altura não houve monitorização. Nós não queremos que isto aconteça na habitação, queremos políticas implementadas e monitorizar essas mesmas políticas", sublinhou.
Mérito do AL
A 1.ª Cimeira Nacional do Alojamento Local, que decorre esta quarta e quinta-feira no Batalha Centro de Cinema, no Porto, colocou em debate diversos temas relacionados com a crise da habitação em Portugal e com os efeitos do Alojamento Local no país, em particular na cidade do Porto. Na perspetiva do presidente do IHRU, o "fenómeno" do Alojamento Local "foi a solução para a reabilitação das cidades". "O mérito tem de ser dado ao Alojamento Local. Se depois temos um processo acelerado, é um processo que resulta também do turismo no seu todo: são 40% do alojamento, mas os outros 60% pertencem ao setor hoteleiro", adianta.
Benjamim Pereira entende igualmente que o Alojamento Local favoreceu uma "democratização", por criar opções de alojamento fora dos grandes centros urbanos, locais onde as grandes cadeias hoteleiras tendem a não se instalar. "Acho que há aqui uma distribuição dos turistas, para que não seja só no Porto e Lisboa. Os outros territórios também têm direito a ter turistas e a dinamizar a sua economia. E não são certamente as grandes unidades hoteleiras, com investimentos de milhões de euros, que se vão fixar em pequenos territórios", afirma.
A culpa não é do turismo
Para Rio Fernandes, geógrafo e professor universitário, a regeneração urbana não resulta do turismo, mas antes da "flexibilidade dos arrendamentos". "Associamos muito o turismo à salvação dos centros históricos. No caso português eu penso que foi, de facto, foi a capacidade de transmissão da propriedade, que fez com que entrassem muitos novos proprietários, com capacidade econômica para fazer a transformação dos edifícios e para lhe darem rentabilidade. Essa rentabilidade passou muito por ocupação da hotelaria e pela restauração". O docente salienta também a entrada de investimento internacional, numa altura em que várias cidades passaram a atrair estrangeiros interessados em investir no setor imobiliário.






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